sábado, 17 de outubro de 2020

 

Nestas aulas iniciais de Cidadania e Desenvolvimento, das turmas C e D do 12º ano, temos vindo a refletir sobre a liberdade. Onde me leva? O que me permite? A que me obriga? Obriga???

Ficam três textos numa reação à afirmação: Sou livre!


Sou Livre!

 O “Mundo” a que os seres humanos chamam casa, o planeta Terra, abunda em diversidade cultural, política ou étnica. Consequentemente, até o significado da palavra “Livre”, que nos parece ser tão universal, assume significados distintos.

No mundo ocidental, onde o sistema democrático é usual, ser livre implica poder escolher, poder criar sem restrições, poder falar, mas, também, para com os outros e até nós próprios, ser tolerante, ser sensível, pensar ou evoluir.

Embora na teoria esta ideia do que é ser livre pareça muito positiva, na prática a mesma veste-se de um tom diferente e escuro com maior intensidade em certas partes do mundo. Há liberdade para a descriminação? Liberdade para tirar a liberdade a outra pessoa? Liberdade para enganar? Liberdade para enjaular a mente de um povo?

De repente, a afirmação “Sou Livre!” desaparece. Dilui-se numa realidade tão complexa e medonha que nos faz deixar cair a cabeça, defrontando o chão frio, solitário, ignorante, em que só ele existe.

Fernão Veloso (12ºC)

 

 Sou livre…

“Direito à liberdade…” faz parte de alguns dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este documento, que infelizmente não se tornou lei obrigatória a nível mundial, mas apenas uma referência que se deve seguir, zelando para que TODOS saibam, lutem, desfrutem e pratiquem os seus direitos enquanto seres humanos, não é ainda um modelo seguido por todos os países.

Eu, cidadã portuguesa, ou seja, habitante de um país desenvolvido, tenho vivido no progresso face a um passado opressor onde não se avistavam estes direitos. Contudo, estou bem ciente que aqui ao meu lado está alguém que não sabe e/ou não usufrui da sua liberdade. É uma violenta realidade muitas vezes ignorada, por, em grande parte, se tratarem de pessoas mais desfavorecidas de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.

Uma parte da sociedade, incluindo certos chefes de estado que implementam regimes ditatoriais ou alheios às necessidades da população, é preconceituosa, racista, egoísta e egocêntrica e quer aproveitar a sua liberdade. Todavia, acaba por limitar a dos que a rodeiam, isolando-os, “prendendo-os”, ou atentando contra a sua integridade física e psicológica.

Serei livre? Viverei eu corretamente a liberdade?

Sim! Considero-me livre em muitos sentidos e direções. Talvez os meus pais “cortem” alguma dessa liberdade, num bom sentido, mas, genericamente, gozo dela.

Sou livre para falar e opinar corretamente, tendo em atenção os sentimentos e respeitando as opiniões dos outros. Sou livre para me informar acerca de tudo, explorar mais e mais, descobrir conteúdos novos, desenvolver as minhas capacidades e, assim, pensar ativa e assertivamente. Sou livre para ser quem eu quiser, reconhecendo as minhas habilidades e aquilo que de melhor posso dar ao mundo, aprender infinitamente, sonhar com os pés bem assentes na terra e fazer as minhas próprias escolhas (profissionais, religiosas, políticas…) de modo a viver com um propósito e não ser apenas mais uma. Sou livre para agir em qualquer circunstância, excetuando aquelas que ultrapassam os meus conhecimentos e competências, aproveitar cada momento como se fosse o último e procurar a felicidade. Sou livre para me relacionar de forma construtiva com qualquer pessoa, independentemente do sexo, raça, cor religião, idade ou profissão, ter amigos com quem crie memórias e laços inesquecíveis e viajar à volta do mundo, partindo à descoberta do desconhecido. Sou livre para experienciar todos os sentimentos existentes, alegria, tristeza, amor, solidão, (com)paixão, angústia, ternura, raiva, afeto, desinteresse, confiança, frustração, esperança, preocupação… I’m free

Isto até parece perfeito e cliché, porém, considero que nós próprios construímos a nossa própria liberdade à medida que vivemos cada dia como mais um degrau nesta escada ascendente até ao último segundo da nossa vida.

Então, a nossa liberdade não só depende do outro, mas também implica um bom relacionamento com o próximo, para que, juntos, desenvolvamos e lutemos pelo bem-estar, progresso e liberdade comuns.

Marina Peixoto (12ºD)

 

Sou livre

Hoje em dia, em vários países do mundo, como acontece em Portugal, somos livres de dar a nossa opinião sobre vários assuntos associados à política, sobre certas atitudes que acontecem à nossa volta e até mesmo sobre determinadas pessoas. A meu ver, esta “ilusão” de liberdade é alimentada pelo grande poder dos meios de comunicação. Mas, será que somos verdadeiramente livres?

Desde a antiguidade, vários filósofos refletiram sobre esta célebre questão, concluindo que a liberdade é relativa. Será que somos livres porque vivemos num regime democrático, ou será que a liberdade está mais relacionada com o nosso pensamento e com o interior? No meu ponto de vista, a liberdade não está de qualquer modo relacionado com o que podemos ou não fazer, uma vez que, como seres humanos, sempre tivemos a oportunidade de fazer tudo o que nos apetecer, compreendendo que, no futuro, teremos de lidar com as consequências das nossas ações.

Certamente que, em determinadas situações, como em casos de pessoas com graves problemas de saúde, tal liberdade é retirada, impossibilitando-as de ter a escolha entre fazer ou não determinada coisa. Apenas nestes casos, onde tal escolha é negada, podemos afirmar que não somos livres.

Em conclusão, respondendo à pergunta inicial, na minha opinião, o ser humano na maioria das situações é verdadeiramente livre, não devido ao nosso contexto histórico-cultural, regime político, nem à nossa educação, mas sim, devido ao facto de sermos livres de escolher, sendo a escolha o alicerce do conceito de liberdade. Ser livre não é poder fazer tudo sem ter qualquer consequência, é ter a oportunidade de escolher fazer algo ou não.

(Fábio Rodrigues 12ºC)


quinta-feira, 8 de outubro de 2020


Comigo, só…

Só, entre sete bilhões de pessoas,   

Eufóricas, sociais, vivas;                             

Que amam calorosamente os seus               

E andam estressadas e alheias.


Só, mesmo cheia de família,                       

Quer de sangue, quer de coração.              

Ela é próxima, atenta, solidária,                    

É o alicerce e é o chão.


Só, entre uma sociedade                           

Vasta, um mundo barulhento                        

E andante, do qual eu,                                 

Ser sentimental, estou afastado.


Só, desintegrado, isolado,                               

Quase esquecido… mas…                       

Lembrado interesseiramente.                   

Quem me dera ter asas…!


Só, quero existir, viver…                              

(Será pedir muito ser alguém?)                        

…e participar reconhecidamente.               

Deixar de ser um simples ninguém.                                 


Comigo, só, cheio de gente;                    

Silêncio, só, imenso fragor;                     

Desintegrado, só, numa estrutura;                       

Desgostoso, só, apenas brota amor.

                                        Marina Peixoto (12ºD)



Porque a pintura pode ser vista à lupa da literatura...

                 “O Castelo nos Pirenéus” 

                                 René Magritte


Esta pintura, que podemos observar na parte superior do texto, foi elaborada por René Magritte e é apelidada como “O Castelo nos Pirenéus”

A parte intrigante nesta obra de arte, é o facto de poder ser interpretada de diversas maneiras dependendo da visão e perceção da realidade de cada individuo. Para exemplificar, esta pintura pode ser facilmente conectada a Antero de Quental e a certos temas dos seus poemas, sendo eles a angústia existencial e a configuração do ideal, onde a última surge como uma atenuante e um refúgio da primeira.

Teixeira Pascoaes afirma que “O ideal da nuvem é o rochedo”. Com esta firmação e tentando estabelecer uma conexão com Antero de Quental, podemos assumir que, a uma determinada angústia existencial, neste caso da nuvem, corresponderá uma configuração do ideal, ou por outras palavras, um desejo inalcançável.

O Castelo referido encontra-se num rochedo, suspenso por cima de um mar revolto/agitado. Rochedo este que pode ser interpretado como a dura, concreta e pesada adversidade da realidade que surge como um dos opostos do castelo, entendido como o imaginário/sonho, no qual se verifica um conjunto de características plenas e ideais, moldadas por uma determinada angústia existencial. A adversidade na vida pode ou não ser ultrapassada, logo, a meu ver, este rochedo (a adversidade na realidade) pode ser macerado (ultrapassado) até se atingir o sonho (o castelo), isto é, o ideal ou a plenitude.

Para além deste rochedo, o mar agitado também pode ser tido como uma oposição ao castelo (Imaginário/sonho/desejo). Revertendo esta linha de pensamento para uma linguagem Anteriana, o castelo simboliza uma configuração do ideal, criada para suprimir a luta, a angústia e a agonia do mar revolto, ou seja, a triste e frustrante realidade.

Luis Ferreira (12ºB)


“O Castelo nos Pirenéus” (1959), de René Magritte, ilustra um grande rochedo com um castelo no topo, que levita sobre o mar.

No plano de fundo, visualizamos um céu de cor clara coberto de nuvens, calmo e pacífico, que transmite a ideia de paz na altitude, de sonho, leveza e liberdade. Por outro lado, Magritte demonstra-nos, na parte inferior da sua pintura, um mar tenebroso de águas negras, transmissor de negatividade, medo, perigo… Encaminhando-nos, talvez, para um destino fatal!

Entre estas duas realidades contrastantes, não só pela simbologia que transmitem, mas também pelas suas cores e formas, encontra-se o tal rochedo, carregando o castelo para os céus. Possuindo uma estrutura grosseira, baça e angulosa, a rocha de grandes dimensões, é facilmente associada ao mar, a uma realidade pessimista, que se pode contrapor a um otimismo (o céu), à semelhança do dualismo presente em Antero de Quental. Contudo, o pedregulho tenta chegar às nuvens, experienciar a sua realidade, obter aquilo que não tem: ser leve, ser livre, desapegar-se de todos os males da superfície e alcançar o Ideal, assim como o poeta anteriormente referido, o rochedo concebe um Ideal que o libertará do Mal e das angústias terrenas. Pois sim, ser nuvem é o sonho, mas sendo que os sonhos representam sempre algo que não temos, quiçá também as nuvens se queiram transformar em rochedos, ganhar peso e cair à superfície.

Porém, como é tudo isto possível? Tanto a ideia do rochedo se tornar uma nuvem como a da nuvem se tornar rochedo desafiam todas as leis da física, tornando o Ideal uma realidade inalcançável, inconcebível. Resta apenas recorrer às crenças. Será a fé suficiente?

                                                           Rodrigo Gomes (12ºB)

sexta-feira, 2 de outubro de 2020


PORTUGUÊS - 12ºB


Na primeira aula de Português, com a professora Helena Bártolo, os alunos do 12ºB pensaram e escreveram as palavras que desejam nunca perder ou esquecer na sua vida. Aqui ficam algumas delas.


“ As Palavras que nunca perderei…”

Toque – Não que a comunicação verbal e a organização não sejam importantes, mas a meu ver, o significado do toque neste, e em quaisquer outros tempos, transcende outros conceitos.

Desde meados do mês de março que a população portuguesa ficou privada de sentir o toque das pessoas por quem nutre sentimentos. À exceção do contacto das pessoas com quem partilhamos teto, mais nada foi praticável: um aperto de mão, um abraço caloroso, uma simples palmadinha no ombro, um beijo… Tudo impensável, tudo impossível!

No último meio ano, a nossa sociedade tem sido formatada a considerarem estranho duas pessoas darem as mãos; a ter medo de alguém que não usa máscara…

Dou por mim a pensar que, um momento dos mais comuns como ver um filme ou um vídeo qualquer de há bem pouco tempo, preenche-me de um sentimento atípico, traz-me uma certa agonia e um pensamento na linha do: «Como era possível existirem aglomerações tão grandes e com tantos toques inatos e naturais?»

Só de pensar que, em gerações futuras, viver assim será considerado normal…

Mal posso esperar por tocar novamente, normalmente!

                                                                                                                         Rodrigo Gomes 

 

Respeito – Em todos os momentos da nossa vida, o respeito é fundamental, não só para o convívio como para o equilíbrio da sociedade. Nestes tempos de confinamento e pandemia, a necessidade de respeitar os outros não foi exceção. Acrescentaram-se regras, planos a seguir e distanciamentos desejados que temos todos de respeitar.

Para mim, o respeito é o valor que pauta qualquer uma das nossas atuações e, sem ele, a dinâmica da vida é alterada. Quando não respeitamos os que nos rodeiam ou as regras estipuladas, estamos certamente a magoar alguém seja física ou psicologicamente. Por isso, precisamos todos de guardar respeito por nós próprios e nunca esquecer de o aplicar aos restantes.”

Carina Viegas

 

Memórias - Ter memória de tudo o que vivemos, com quem conversamos e do que aprendemos, permite-nos ser pessoas melhores. Melhores a nível mental, social e mesmo físico. As memórias que guardamos connosco farão com que vivamos o presente, baseando-nos no passado e projetando o nosso futuro.

Recordar é uma arma poderosa do Ser Humano: evita que este cometa o mesmo erro pela segunda vez, tendo plena noção das consequências que daí possam advir. A título de exemplo, recordem-se das descriminações raciais, das desigualdades de género, a História não deve ser apagada, mas sim recordada para que possamos evoluir e jamais regredir!

Para ter consciência dos nossos passos e da nossa identidade em prol de uma constante melhoria, temos de preservar a memória.”

Miguel Almeida

 

 

Aprendizagem – Como todos sabemos, estamos todos a passar por uma nova e difícil fase das nossas vidas, momentos estes acerca dos quais não podemos deixar de refletir!

Só não vê quem não quer: famílias destruídas, identidades perdidas, pobreza a todos os níveis e desigualdades flagrantes. O que irá decorrer daqui para a frente, será que irá voltar tudo ao normal?

Penso várias vezes nestes aspetos e chego a uma conclusão evidente. A vida coloca-nos – nós jovens que ainda temos um percurso tão grande pela frente - perante uma enorme aprendizagem. Devemos viver um dia de cada vez, aproveitar todos os momentos para alcançarmos um futuro brilhante junto da nossa família. Mas é essencial tirar lições de cada instante e crescer com essas aprendizagens para que, no futuro, possa passar e aconselhar os meus filhos e netos nos seus passos, através desta experiência e destas aprendizagens.”

                                                                                                                          Leandro Almeida



Empatia – Optei por guardar esta palavra porque sinto que possui imenso poder e, para mim, é capaz de mudar muitos rumos.

Nesta situação de pandemia, enquanto estivemos em casa, o tempo livre sobrava constantemente, portanto tivemos mais oportunidade para observar o que nos rodeia. Dei por mim a pensar que a maldade no mundo sempre existiu, porém talvez nos passasse «ao lado» e não tivéssemos noção de como está o mundo e a gravidade da situação.

Abalaram-nos casos de racismo extremo, acentuaram-se as desvalorizações dos problemas do próximo, … Para mim, em muitos destes aspetos: inexistência de empatia.

Quanto a mim, se o Ser Humano se colocasse mais no lugar do Outro, não existiriam tantos problemas, desastres e mortes trágicas. Temos por obrigação compreender os «porquês» de certas palavras e/ou atuações e reagir em conformidade como seres racionais que somos. Temos de permitir que a empatia exista, melhorando assim a nossa própria vida e aquela dos que nos rodeiam.”

                                                                                                                                                              Íris Castro

domingo, 27 de setembro de 2020

 MATEMÁTICA A - 12º A e 12º B

setembro 2020

 

 “O meu corpo e os meus pensamentos falam a partir de dentro da caixa do confinamento". Este foi o mote, dado pela professora Iva Azevedo, para que os alunos dos 12º A e 12º B falassem sobre o tempo em que vivemos confinados. Sem dúvida que, apesar de parecer algo já distante, está ainda bem perto e continuamos a viver com sensações e sentimentos que daí advêm. A reflexão de cada aluno foi lida por um outro aluno que escolheu uma palavra que espelhasse o sentimento expresso no texto. A construção de uma nuvem de palavras, com uma aplicação que em tempo real, permitiu projetar a nuvem e observar como ganhava forma, mostrando que a maioria das emoções sentidas nestes tempos de confinamento foram comuns.

 






 


MATEMÁTICA A - 12º C e 12º D

setembro 2020

 

Há palavras de que sentimos falta nestes últimos tempos. Há palavras que desapareceriam ou perderiam força se continuássemos a viver confinados. Descobrimos que há palavras das quais queremos cuidar, das quais não nos queremos separar.

Cada aluno, desafiado pela professora Margarida Corsino, escolheu três palavras que deseja guardar e cuidar. Para que não se percam. Entregou duas a dois colegas diferentes por achar que seriam bons cuidadores dessas palavras e guardou uma por ser ele o melhor guardião dessa palavra. No final, cada aluno partilhou a palavra da qual quer ser guardião, dizendo por que razão é ele o melhor cuidador dessa palavra. Aqui ficam «as palavras que desejamos guardar»:


As palavras que desejo cuidar:


12ºC

 


12ºD



terça-feira, 7 de julho de 2020

7 julho 2020



Carta para a minha avó
Por muito mais que eu quisesse, seria impossível expor nesta carta tudo o que passamos juntas, são 16 anos de incríveis histórias, que ficarão guardadas para sempre nos nossos corações.
Contigo tive a oportunidade de conhecer o passado, através das histórias que me contas carregadas de memórias que te fazem encher de água os olhos. Certamente por saudade das boas lembranças, das pessoas que passaram pela tua vida e foram levadas com o tempo, saudade dos momentos simples e que na altura pareciam rotineiros e até aborrecidos. Falas sempre dessa época com uma certa pena de não ser sido diferente. Foram tempos muito difíceis, com muita dor, é de cortar o coração saber que alguém teve de passar por isso para sobreviver. A tua alma foi sendo desgastada pelas adversidades, o tempo foi deixando marcas, e marcas são sinal de história. História que tu fazes questão de passar para as gerações futuras com o objetivo de que não cometamos os mesmos erros que tu. Sem sombra de dúvida, tu és uma fonte de inspiração.
A vida nem sempre te sorriu, mas tu sempre lhe sorriste e sempre me mostraste que é com um sorriso no rosto que temos de a encarar.
Para sempre hão de ficar-me na memória lembranças do tempo que vivemos juntas, lembro-me de te ver naquela cozinha a preparar os almoços para toda a família, sempre gostaste de cozinhar, talvez seja uma das tuas formas de levar o amor. Lembro-me de te chatear todos os dias para brincares comigo e, ao fim de alguma insistência, conseguir. Lembro-me dos carinhos que me fazias, eram tão reconfortantes. Lembro-me de me ires buscar à escola. E de tentas outras coisas...
É praticamente impossível separar a minha infância de ti, porque estiveste presente em todos os momentos, desde os mais simples aos mais importantes, estiveste sempre ali. Talvez seja por termos estado sempre tão próximas que desenvolvemos um afeto enorme uma pela outra. 
Apesar de hoje não vivermos mais juntas, não existe um único dia em que não falemos. Já faz parte da minha rotina estar sempre contigo no fim de cada dia. E quando não podemos estar juntas fisicamente, usamos a tecnologia em nosso benefício.
Estimo muito a nossa relação, o carinho e o amor que desenvolvemos. Vais estar para sempre no meu coração porque te amo.
Jéssica Pereira (11ºF)



Esta é a minha avó
Glória, Maria Glória, Glorinha, como lhe queiram chamar – esta é a minha avó. A dona Glória, mãe do meu pai, tem 84 anos e vive numa pequena rua pacata, que se mantém bastante semelhante desde que existe (ou, pelo menos, é o que me contam). Tem oito irmãos e irmãs, todos eles com feitios bastante semelhantes – conservadores, mas ao mesmo tempo alegres, sempre prontos para animar os convívios de família.
Assim como os seus irmãos, a dona Glória é muito conservadora, com uma mentalidade bastante típica da sua faixa etária. Foi criada no seio de uma sociedade machista e, por conseguinte, alguns ideais típicos desta forma de ver o mundo permanecem na sua forma de ser; um reflexo da sociedade em que foi educada é o facto de nunca ter trabalhado: sempre foi dona de casa e ocupou-se da educação dos seus nove filhos, que lhe deram um trabalho inimaginável.
A infância e adolescência dos meus tios (e do meu pai, é claro) foram marcadas, essencialmente, por todas as suas asneiras e peripécias, que davam constantemente grandes dores de cabeça aos meus avós e, até hoje, rendem histórias para contar nos encontros familiares. Para além disso, a casa da minha avó (a mesma desde que casou com o meu falecido avô) é muito pequena e, como é de esperar, educar nove crianças traquinas tornou-se mais difícil ainda, dentro de um espaço tão restrito.
O trabalho de dona de casa é constantemente desvalorizado mas, a meu ver, é tão importante como os que são economicamente rentáveis. A minha avó conta-nos com frequência várias histórias daquilo que fazia quando “ainda podia” e orgulha-se de tudo o que fez carinhosamente pela sua família. Sempre mimou os filhos, tentando fazer comidas diferentes para cada um (para que todos gostassem) e cobrir as consequências das traquinices que eles faziam.
Atualmente, a dona Glória não prevê mais nada para o seu futuro: apesar de nunca ter saído muito da sua zona de conforto, vive na sua rua pacífica, onde viveu a maior parte da sua vida. A sua paz interior tem origem na felicidade de receber visitas da família, nas tardes de domingo, onde se contam histórias diferentes da vida de cada membro da família.
Mulher de família, lutadora e vivida – esta é a minha avó.

Maria João Fontão (11ºC)


As alterações laborais ao longo do tempo
 Com o decorrer dos tempos, os ideais que regem a maneira de pensar de uma determinada sociedade vão sofrendo diferentes alterações. Isto acontece, principalmente, devido à evolução do pensamento humano que é impulsionado pelo desenvolvimento tecnológico, pela arte e também por certos movimentos revolucionários. O trabalho, entre outros diferentes aspetos, foi alvo de inúmeras mudanças.
Segundo o relato de um individuo que viveu no século anterior, no passado, existia uma grande distinção entre as diferentes classes sociais, sendo que, o trabalho que predominava na maioria do povo estava relacionado com o cultivo de vários alimentos a mando de um senhorio, estando sujeitos a deploráveis condições de trabalho e a imensas horas de trabalho. Apenas as pessoas que pertenciam a uma classe social mais elevada e que possuíam mais recursos monetários é que tinham a oportunidade de exercer profissões de maior responsabilidade, de maior consideração e mais bem remuneradas, como por exemplo, médicos, engenheiros e comerciantes. Atualmente, ao olhar para o passado, as pessoas mais idosas percebem realmente a injustiça a que foram sujeitas e arrependem-se de não ter feito nada que pudesse mudar a sociedade daquele tempo.
Na minha opinião, hoje em dia, vivemos numa época marcada pela igualdade de géneros e das classes sociais. Apesar de ainda existirem alguns aspetos que devem ser aperfeiçoados como a remuneração, posso afirmar que, comparativamente ao passado, houve uma considerável melhoria. É dado a todo o cidadão a oportunidade de exercer o ofício que deseja, independentemente das suas limitações económicas, uma vez que existe, por parte das universidades, a atribuição de fundos monetários às pessoas que mais necessitam. A nível do salário, estão a ser feitos progressos relacionados com a igualdade do homem e da mulher. Em vários países da Europa, como por exemplo Islândia e Noruega, tal igualdade já foi totalmente atingida, existindo vários indivíduos do sexo feminino em altos cargos de empresas e do governo, o que não acontecia no passado. Apesar de isto ainda não ter sido totalmente aplicado em Portugal, creio que estamos a fazer progressos.
Em conclusão, a sociedade tem vindo a ser alterada desde sempre, sendo que tais mudanças avançam para um mundo mais igual e mais justo, levando a uma maior qualidade de vida a nível geral. Existindo ainda hoje, vários aspetos a melhorar, cabe a cada um de nós contribuir para estas alterações de mentalidade.

Fábio Rodrigues (11ºC)

segunda-feira, 6 de julho de 2020

6 julho 2020


Friendly Maths - ERASMUS +  


The trip to Italy, for the 1st Meeting of the Erasmus + project, Friendly maths, was truly amazing and I deeply appreciate being given the opportunity to live this experience. I learned so much about the country and its culture, saw so many beautiful things and places and met some of the most amazing people.
The balance between work and leisure time was perfect and the food was really good! I was so well welcomed to the family that hosted me that I honestly felt at home and I’ll never forget them.
I wish I could have stayed there for longer! Hopefully I may have another chance to do something like this in the future.


A viagem a Itália, para participar no 1º Encontro do projeto Erasmus+, Friendly Maths, foi simplesmente fantástica e agradeço muito por me ter sido dada a oportunidade de viver esta experiência. Aprendi tanto sobre o país e a sua cultura, vi coisas e lugares tão bonitos e conheci algumas pessoas fantásticas.
O balanço entre o tempo de trabalho e de lazer foi perfeito e a comida era muito boa! Fui tão bem recebida pela família que me acolheu que me senti em casa e sei que nunca os esquecerei.
Gostava de ter podido ficar lá por mais tempo! Pode ser que tenha outra hipótese de viver outra experiência destas no futuro.

Maria João Silva, 11A




Three weeks ago, I participated in the project Erasmus+, Friendly maths, in Italy.
I had really great expectations, which were perfectly met during that fantastic week.
It is true that it felt a little awkward at first because I barely understood Italian and my host family couldn’t speak English. But as I spent more time with them, we found a way to communicate by gestures or simple words and they were really nice and understanding. I also had an incredible time perceiving a different culture from the eyes of a native and not a tourist.
As for school, it was amazing. It is at least three times the size of ours and there are many vending machines. However, there isn’t a canteen but that isn’t really relevant because in Italy there are only classes in the morning, so they don’t really need to eat at school.
Besides the great facilities, the students and teachers were really easy to socialize with and were always there to help us. What I loved the most were our meetings after activities, where almost everyone was together and having a good time, forgetting about our different origins and, of course, the food was wonderful.
The worst part was probably the last day. The separation was terrible and I started missing everybody right after I left but I know that one day I’ll be able to see them again so, instead of being sad, I should be happy for having experienced such an awesome and inspiring week abroad.

Mariana Sousa, 11A







Ação de Curta Duração: CLIL in Primary School

Com o objetivo de disseminar as aprendizagens, inseridas na formação europeia, financiada pelo projeto Erasmus +, em modalidade de Jobshadowing, concretizada entre 5 e 9 de março, na escola Colegi Mare de Deu del Carme Terrassa, Barcelona, no âmbito do projeto TIES – Training and Innovating to Ensure Success, realizou-se, na Escola EBI do Ave do AEPL, nos dias 30 de janeiro e 7 de fevereiro, a Ação de Curta Duração (ACD), certificada, intitulada “CLIL in Primary School”, tendo como formadores os professores Manuela Lourenço, Fernando Fernandes, Ana Teixeira, José Queirós e Paula Dias.
O programa da formação incluiu um “enquadramento teórico acerca da abordagem CLIL, uma oferta formativa de futuro”, cujos princípios chave são: a cognição, o conteúdo, a comunicação e a cultura; e a sua importância no desenvolvimento das competências do século XXI, como a aprendizagem integrada. Assim como a linguagem & literacia/transferibilidade; a criatividade & pensamento crítico; e a saúde e bem-estar. Este enquadramento teórico esteve a cargo da professora Manuela Lourenço. Seguiu-se a intervenção do professor Fernando Fernandes, que desenvolveu o tema Compatibilidades entre CLIL e Educação Física – uma realidade no AEPL”. Por fim, a professora Ana Teixeira fez a “apresentação de um exemplo prático de uma atividade desenvolvida no Colégio Mari deu Del Carme, em Terrassa, Barcelona”, tendo por base a abordagem CLIL. Após estas intervenções, no dia trinta de janeiro, organizaram-se grupos de trabalho, para a criação/planificação de uma atividade CLIL, direcionada para o ensino primário.
Posteriormente, depois do trabalho concretizado, os intervenientes apresentaram, no dia sete de fevereiro, a planificação e a atividade, entretanto postas em prática nas aulas, tendo envolvido as professoras titulares e a professora de língua inglesa.   

A Coordenadora
Manuela Lourenço



quarta-feira, 1 de julho de 2020

1 julho 2020


Olhando para trás, naquilo que foi acontecendo e que fomos escrevendo durante este ano, ficam dois textos da Filipa Pereira do 8ºB - O nosso futuro e A escola - e a professora Carla Lopes dá-nos a conhecer os projetos etwinning das suas turmas.

                                  

                                                                                                
                                                                                                                    Filipa Pereira - 8ºB

O nosso futuro
Aterroriza-me. Sim, o futuro dá-me medo. Hoje posso estar aqui? Posso. Mas amanhã? Não sei. Realmente não sei mesmo o que esperar. Sou aquele tipo de pessoa que gosta de fazer planos mas, infelizmente, nunca sei muito bem como os hei de fazer se no dia seguinte posso aqui não estar. Dá medo, não dá? Eu sei. Mas tem calma. Certifica-te sempre que estás no bom caminho e que praticas o bem. Pelo menos é o que eu acho. Penso que se nos afastarmos da maldade teremos mais chance de não ser aterrorizados pela mesma. Quem me dera que a vida fosse infinita. Como eu gostaria de receber a simples notícia de que vou ficar aqui para sempre. O problema é que eu sei que essa notícia nunca vai chegar. Todos nós sabemos, apenas o negamos. E não, não é porque houve um atraso nos correios ou porque houve falha de rede. Acreditem, não foi. Foi só mesmo porque essa noticia nem sequer foi escrita.
Tenho medo de acabar, é verdade. Mas pior, tenho medo de acabar sozinha. Sem ninguém. Apenas eu. Por vezes, a solidão faz-nos companhia e ajuda-nos a colocar as ideias em ordem. Mas não é nos momentos de tristeza que a queremos por perto. Não nos momentos em que precisamos de alguém para abraçar. Apenas alguém para conversar. Nem que seja apenas por um simples minuto, valeria uma vida. Às vezes só precisamos de alguém. E nós sabemos quem é esse alguém. Uma pessoa especial. Aquela pessoa que não precisamos de falar, não precisamos de explicar, não precisamos de fazer absolutamente nada. Basta o olhar e é o suficiente. Não é preciso mais ninguém para sobreviver. Aquela pessoa que nos recarrega apenas com um olhar, um sorriso ou um abraço. Devemos a vida a essa pessoa. Ela merece tudo o que há no mundo inteiro. Merece pois é essa pessoa que me faz não ter mais medo do futuro. Que me faz ser quem eu sou e arriscar porque, muitas vezes, é esse o nosso problema, não arriscar. E, não arriscando, um simples futuro, uma simples vida, pode estar tudo arruinado.




A Escola
A escola é o lugar onde passamos maior parte do nosso tempo. Valerá a pena? Bem, um dia, mais tarde, saberemos. Agora, apenas sei que é o que preciso de fazer, pelo menos para não ficar todo o dia enfiado com a cabeça num simples ecrã. Ao menos vou aprendendo, lentamente, aos poucos.
A escola é o lugar onde conheci a maior parte dos meus amigos. Um lugar mágico, portanto. Sinceramente, gostaria não ter conhecido algumas pessoas a que a escola me obrigou. Mas são as coisas da vida. É a vida de um pequeno adolescente e de todas as pessoas que precisam de trabalhar com outras.
A escola faz-me aprender coisas incríveis! Faz-me conhecer melhor o meu país e a sua história. Faz-me conhecer o mundo. A escola faz-me querer ser mais e melhor. Ajuda-me a ultrapassar os meus medos e experimentar coisas novas.
A escola é um lugar sustentável. É um lugar que me faz querer mudar os meus hábitos. Faz-me pensar no planeta e em todas as pessoas que nele vivem. Faz-me pensar de uma forma diferente, de uma forma melhor. Faz-me, sem dúvida, uma pessoa melhor.
A escola é um lugar de aprendizagem, é um lugar magnífico! É um lugar que apenas estamos nele de passagem porque, quando dermos por nós, estaremos num lugar completamente oposto ao que estamos neste momento e vamo-nos saber orientar. Graças a quê? Àquilo que neste lugar memorável aprendemos. Iremos saber-nos defender e lidar com pessoas completamente diferentes de nós graças ao que neste lugar (que neste momento, sejam sinceros, não vos apetecia estar) aprendemos. Somos alunos, somos pessoas e somos todos iguais. Acreditem, um dia, quando formos maiores, vamos agradecer por ter tido a oportunidade de passar por este lugar, A NOSSA ESCOLA.
                                                                    





Carla Lopes (professora)

No âmbito da disciplina de TIC, os alunos do 8.º A estão envolvidos no projeto etwinning Class On Screen, colaborando com alunos da Albânia, Espanha, Polónia, Turquia, Reino Unido, Roménia e Sérvia. Este projeto tem como objetivo promover a utilização de ferramentas web 2.0 na sala de aula, tornando as aulas mais dinâmicas. Os alunos irão trabalhar com imagem, vídeo, animação, realidade aumentada e desenho 3D, para abordar os diversos conteúdos programáticos. Os alunos também desenvolverão as suas capacidades linguísticas, uma vez que toda a comunicação é feita em inglês.



 No âmbito da disciplina de TIC, os alunos do 8.º B estão envolvidos no projeto etwinning Let's Be Safe Digital Users on Social Media', colaborando com alunos da Geórgia, Jordânia e Turquia. Este projeto tem como objetivo alertar os alunos para os perigos da utilização da Internet. Os alunos aprendem a trabalhar colaborativamente e em segurança, desenvolvendo em simultâneo as suas capacidades linguísticas, uma vez que toda a comunicação é feita em inglês.



No âmbito da disciplina de SDAC, os alunos do 10.º ano do Curso Profissional de Técnico de Gestão de Equipamentos Informáticos, estão envolvidos no projeto Let's talk like professionals, colaborando com alunos de cursos profissionais da Espanha, França e Polónia. Este projeto tem como objetivo utilizar a língua inglesa para dotar os alunos com capacidades que lhes serão úteis no futuro. Os participantes já criaram cartões de apresentação e curriculuns vitae. No início do projeto, os alunos criaram logotipos para o mesmo e o logotipo vencedor foi criado pelo aluno português Diogo Ribeiro.


No âmbito da disciplina de Comunicação de Dados, os alunos do 11.º ano do Curso Profissional de Técnico de Gestão de Equipamentos Informáticos, estão envolvidos no projeto Computing and Electronic Online Dictionary, colaborando com alunos de um curso profissional de electrónica de França. O objetivo deste projeto é a criação de um dicionário online constituído pelos termos técnicos inerentes aos cursos profissionais que os alunos frequentam. Todo o dicionário será criado em inglês.