domingo, 4 de janeiro de 2026

O papel da escola no combate a desigualdades

 A escola desempenha um papel central na sociedade, não apenas como espaço de transmissão de conteúdos, mas sobretudo como agente educativo. Para mim, esta dimensão é a mais importante, pois permite que a escola combata problemas sociais graves como o tráfico humano, a falta de trabalho digno, o racismo, a xenofobia e muitas outras desigualdades, mas será que a escola sozinha consegue combater esses problemas todos? Não! A escola, por si só, não consegue resolver fatores estruturais, como pobreza, desemprego, políticas migratórias inseguras ou a ação de redes criminosas que tornam as pessoas vulneráveis.

Assim, a educação deve ser entendida como necessária, mas é insuficiente, logo, torna-se fundamental que, concomitantemente, exista legislação eficaz e políticas públicas de proteção.

Para reduzir estas desigualdades, a escola deve agir ativamente, por exemplo, promovendo palestras nas quais os alunos possam discutir estes temas e compreender o impacto que têm nas vítimas. Este contacto com a realidade pode aumentar a empatia e desencorajar comportamentos discriminantes ou exploratórios.

No que diz respeito ao trabalho digno, seria útil reforçar o tempo dedicado à cidadania ou criar uma disciplina específica focada em competências essenciais, como literacia financeira, pensamento crítico e direitos humanos. Estas aprendizagens aumentam a capacidade dos jovens reconhecerem e resistirem a aliciamentos, especialmente online. Além disso, a presença de um profissional especializado em orientação laboral poderia ajudar os alunos, e até pessoas fora da escola a identificar propostas de trabalho seguras e com condições dignas.

Para combater o racismo e a xenofobia, a escola poderia promover eventos que celebrassem a multiculturalidade, como feiras culturais para partilha de elementos/bens das suas origens. Paralelamente, as aulas de cidadania podem combater a desinformação, os estereótipos e o discurso de ódio.

Relativamente ao tráfico humano, é fundamental ensinar segurança digital, já que muitas situações de aliciamento começam nas redes sociais. Também neste assunto as aulas de cidadania poderiam marcar pontos Pois temas como migração segura, exploração laboral e direitos humanos deveriam aí ser conversados/explorados. A educação para a igualdade de género também desempenha um papel essencial, reduzindo vulnerabilidades específicas e diminuindo o risco de exploração sexual ou casamento forçado.

Assim, a escola devia adotar programas preventivos adaptados à idade dos alunos, formar professores na identificação de sinais de risco e estabelecer parcerias com entidades de proteção. A formação profissional deve ser regulada e ligada a empregadores responsáveis, e as políticas escolares precisam de estar em articulação com apoios sociais que reduzam vulnerabilidades familiares. Avaliar regularmente os programas implementados é fundamental para garantir que têm impacto real.

Em suma, a escola desempenha um papel crucial no combate a muitos problemas sociais, pois grande parte deles tem origem numa educação insuficiente ou distorcida. Cabe, por isso, à escola promover uma educação inclusiva e consciente, contribuindo para uma sociedade mais justa, segura e acolhedora para todos, embora ela não seja autossuficiente, porque uma educação pautada por valores éticos e morais em casa, isto é, no seio da família de cada um de nós, também é determinante no combate às desigualdades.

 Jesus Tinoco

 

Fontes utilizadas:

https://files.eric.ed.gov/fulltext/ED673870.pdf

https://poverty-action.org/evaluating-effects-anti-trafficking-school-curricula-tackling-commercial-child-sexual-exploitation

https://www.unesco.org/en/articles/key-data-girls-and-womens-right-education

https://www.nea.org/nea-today/all-news-articles/how-schools-and-educators-can-combat-human-trafficking