quarta-feira, 10 de julho de 2024

Candidaturas aos Centros Tecnológicos Especializados (CTE)

 

No dia 5 de julho de 2024 foi publicada a decisão final das candidaturas aos Centros Tecnológicos Especializados (CTE).

A candidatura apresentada pelo AEPL, no valor de  1 042 741,00 €, ao CTE na área de Informática será uma realidade na Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso. 

Obrigado a todos os que ajudaram a concretizar este projeto.

O diretor,

Ângelo Miguel Pereira Dias

terça-feira, 9 de julho de 2024

Bolsas Gulbenkian Mérito



A Fundação Calouste Gulbenkian vai atribuir bolsas de estudo para  apoiar jovens dotados de grandes capacidades, que se candidatam ao primeiro ano do ensino superior e apresentam parcos recursos económicos.

Para isso os candidatos terão de ingressar em instituições portuguesas legalmente reconhecidas, em ciclos de estudos devidamente acreditados e registados.

As candidaturas decorrem de dia 2 de setembro até ao dia 31 de outubro.

Para mais informações consulte o regulamento:

https://cdn.gulbenkian.pt/wp-content/uploads/2022/09/Regulamento-Bolsas-Merito-21052014.pdf

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Recordar Madrid

O tempo passa a voar quando aproveitamos bem cada segundo daquilo que fazemos e é exatamente essa a sensação que fica para todos os alunos de 10.º e 11.º anos de EMRC que partiram em direção a Madrid na interrupção letiva da Páscoa, onde realizaram várias atividades e visitas.

            No dia 2 de abril, a chegada a Madrid foi surpreendente para todos, visto que fomos confrontados com uma realidade diferente, devido a fatores como o movimento frenético das ruas, a língua, os monumentos e a própria beleza da cidade. A nossa guia turística para essa tarde apresentou-nos a história do seu país e também monumentos e museus a visitar, tanto de forma panorâmica (de autocarro) como de forma pedestre, e recomendou-nos ainda formas de preenchermos o tempo disponível que tínhamos em Madrid.

Depois de um dia ocupado, divertido e cansativo, seguimos todos para o hotel, onde alunos e professores se puderam acomodar nos respetivos quartos para os dias seguintes.

Estávamos de férias, mas nem por isso ficamos a dormir na manhã seguinte. Pusemo-nos a pé cedo: o pequeno-almoço foi servido às 07h15. Logo pela manhã, preparámo-nos para o que seria, para muitos, o melhor local visitado nesta viagem: o museu e o estádio do Real Madrid. Depois da viagem de autocarro até ao local, foi esplêndido ver a dimensão do estádio de perto. Iniciou-se a visita ao museu, onde conseguimos perceber como funcionam as infraestruturas deste clube e vimos várias salas de troféus conquistados pelo Real Madrid ao longo destes anos. O museu surpreendeu-nos, pois os troféus conquistados pulsavam vida. Finalmente, conhecemos o interior do estádio Santiago Barnabéu e aí conseguimos percecionar ainda melhor a grandiosidade da infraestrutura e as suas dimensões. Fomos confrontados com um misto de sensações: felicidade, comoção, alegria e, lá no fundo, um pequeno desapontamento, pois o estádio não tinha relvado – encontrava-se “guardado”, em manutenção; mas essa pequena adversidade não conseguiu apagar todos os sentimentos positivos e a emoção que cada um de nós viveu.

Após o almoço, tivemos a possibilidade de passear pelo lindo parque de El Retiro, à espera da hora das visitas aos museus da tarde. Primeiro, visitamos o Museu de Cera, onde nos deparámos com figuras muito conhecidas por todos, desde o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, ao Cristiano Ronaldo, passando pelo Papa Francisco e ainda pelo Pocoyo (desenho animado). Neste museu, as figuras de cera eram idênticas às pessoas reais. Seguimos posteriormente de forma pedestre até ao Museu do Prado e, quando entramos, fomos surpreendidos pelas mais diversas obras de arte (de uma esplêndida beleza) dos mais variados autores. Quando saímos deste museu, fomos a pé em direção à Plaza Mayor, de forma a podermos apreciar toda a beleza que a cidade nos oferecia. Lá pudemos conviver, comprar algumas lembranças e ainda aprender mais sobre a cultura e a história do país. Mais tarde voltamos ao hotel, por onde nos instalamos até ao dia seguinte.

No amanhecer do terceiro e último dia, após um período de descanso no hotel, partimos, por volta das 11h15, para visitar o Parque Warner. Este foi para alguns o auge da viagem: um parque de diversões com montanhas-russas (algumas atingem os 100 km/h em questão de segundos), restaurantes e outras diversões, onde as atividades apresentam vários níveis de intensidade e proporcionam momentos muito lúdicos. Passámos umas incríveis oito horas no parque, das 12h00 até às 20h00, onde pudemos usufruir de todas as montanhas-russas e atividades.

Quem não viveu este dia pode até pensar que foram umas longas oito horas, mas, para nós, pareceram passar apenas quatro! O tempo realmente passou a voar e não foram os segundos, mas sim os milésimos de segundos que foram aproveitados ao máximo!

Concluindo, na nossa opinião, estes foram três dias maravilhosos e bem aproveitados, apesar de sentirmos que passaram muito rápido. Consideramos que esta viagem foi uma das melhores viagens das nossas vidas e ficará eternamente nas nossas melhores memórias.

Estamos muito agradecidos aos professores que nos acompanharam, a professora Isabel, o diretor Ângelo e educadora social Catarina, e que fizeram com que este nosso sonho saísse do papel e se tornasse realidade.


Alexandre Fernandes, n.º 3,11.º B e Mariana Gonçalves, n.º 17, 11.º A

 

Testemunho de uma voluntária - Cabo Delgado (Moçambique)

 No âmbito do domínio Segurança, Defesa e Paz da componente de Cidadania e Desenvolvimento, os alunos da turma B do 11.º ano tiveram a oportunidade de ouvir o impressionante testemunho de uma voluntária oriunda do concelho da Póvoa de Lanhoso, que se encontra a trabalhar numa missão na região de Cabo Delgado, em Moçambique, desde 2021. O relato de Fátima Castro, que aqui se publica para que outros possam também refletir sobre estas questões tão prementes, foi uma oportunidade para ponderar e discutir no grupo-turma sobre os conflitos armados que ainda hoje constituem uma grave ameaça à segurança humana e à paz mundial.


O meu nome é Fátima Castro e fui enviada em 2021, em nome da Arquidiocese de Braga, para o serviço da Diocese de Pemba, na Paróquia de Santa Cecília de Ocua, província de Cabo Delgado – Moçambique. Integro o projeto Salama! – criado no âmbito de um acordo de cooperação missionária entre as duas dioceses - e que tem como principal objetivo a dinamização de toda a parte pastoral e social de Santa Cecília de Ocua.

A missão onde me encontro fica situada a sul da província de Cabo Delgado, sendo esta a província mais a norte de Moçambique. É conhecida por alguns como "cabo esquecido" ou “cabo desligado”. Está a 1600 km da capital, Maputo. As casas são em matope e canas de bambú, a eletricidade ainda não chegou e só encontramos água nos poços comunitários. É uma das aldeias mais pobres da província. O clima de guerra e violência também não ajuda ao desenvolvimento.

Em 2017, aconteceram os primeiros ataques em Cabo Delgado. A guerra começou com operações violentas e de pequena escala, no distrito de Mocímboa da Praia, e intensificou-se a partir de 2019, com a chegada de dezenas de combatentes jihadistas estrangeiros e a entrada de armamento mais sofisticado, tendo-se estendido os ataques a todos os distritos.

Na missão onde me encontro, os terroristas do Estado Islâmico atacaram, pela primeira vez, várias comunidades, em Outubro de 2022. Durante dias, queimaram capelas, casas e roubaram diversos bens nos mercados. Muitos acabaram por morrer às mãos destes homens. Quase dois anos depois, em Fevereiro deste ano, os insurgentes voltaram a entrar, desta vez na aldeia onde moro e onde fica a casa da missão. Graças à prontidão do exército do Ruanda, a missão foi poupada, mas muitas vidas não.

Nos dias que se seguiram, mais de 100 mil pessoas fugiram das suas casas. Cerca de 60% são crianças.  Muitos partiram numa viagem sem destino, por machambas (campos agrícolas) e estradas, com crianças ao colo e os poucos pertences amarrados numa capulana e levados à cabeça, e num movimento simultâneo de milhares de pessoas.

Há muitos lugares que se tornam refúgios quando há um ataque. Conto-vos duas histórias. O papá Joaquim Girajeque disse-me que albergou na casa dele cerca de 50 pessoas. Alguns eram da família. Outros eram-lhes desconhecidos. Mas todos eram irmãos. A varanda da casa foi porto de abrigo de homens e as mulheres e crianças dormiam no interior. Repartiu com aqueles que chegava o pouco que tinha: aos que vinham com fome e sede, deu-lhes de comer e de beber… aos que não conseguiram trazer roupa nenhuma, partilhou a pouca que tinha… aos que estavam doentes, ele cuidou!

A jovem mamã Arcélida foi uma das que precisou de ser acolhida. Fugiu da casa a meio da tarde quando ouviu os primeiros disparos na nossa aldeia. O sol que ainda se fazia sentir com intensidade e o estado de graça em que se encontrava (estava quase com 9 meses de gestação) não lhe permitiam correr. Mesmo assim percorreu quase 20km, a pé e num passo acelerado, e conseguiu passar o rio Lúrio. Na primeira casa que viu, sentou-se um pouquinho na varanda e pediu para descansar. E o Benjamim, curioso com o mundo, decidiu nascer naquela mesma casa. Naquela mesma e dolorosa noite. De manhã, quando os encontrei, vi a serenidade dele dormindo, sem imaginar o sofrimento da sua mãe e o mundo que o espera!

Aqui, em Cabo Delgado, aprendi a viver com as notícias da guerra. Antes eram longínquas. Agora, que conheço os rostos e os nomes que esta guerra feriu e continua a provocar sofrimento, vivo, de forma diferente. E eu assisto todos os dias, com muita tristeza e angústia, ao sofrimento do “meu” povo! Mas também experimento o verdadeiro sentido da caridade, da presença… do “estamos aqui”! Tanta gente boa que conheci e que nos quis ajudar! Ao longo destes últimos meses fui doando tudo quanto tínha… roupas, comida, cobertores, lonas… E fui-me doando. Ouvi as mamãs Joaquina e Sónia que perderam os seus maridos neste ataque, o papá Joaquim que foi capturado por eles… e os rostos dos filhos pequeninos que continuam sem entender a ausência daqueles que tanto amavam e… e ainda hoje continuam a perguntar quando é que o papá volta do campo.

Infelizmente, em todas as partes do mundo, “quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.” (Jean Paul Satre).

 

Fátima Castro