Dizer Abril, sempre!
Hoje, escrevemos, pintamos, falamos, lemos, ouvimos…
pintamos de azul,
riscamos a vermelho,
sonhamos,
voamos…
Cremos na vontade, na coragem,
defendemos a integridade, a igualdade,
vivemos a liberdade escrita com qualquer lápis
sem a sombra do lápis azul.
Hoje somos tudo assim, porque houve Abril!
As alunas Beatriz Afonseca e Ana Miguel Alves, do 10º. A, também
disseram Abril na comemoração de
mais um aniversário daquele 25 de Abril de 1974.
O cravo vermelho, ícone da Revolução
de Abril, dialoga com elementos de vigilância, silêncio, resistência,
propiciando uma reflexão sobre os caminhos da liberdade.
Múltiplos olhares evocativos da vigilância constante e da repressão do
Estado Novo, simultaneamente inquietantes e omnipresentes, recordam um tempo em
que ver, ouvir e falar poderiam significar censura, medo e silêncio. Em contraste,
uma pomba sai da gaiola, levando consigo o cravo, metáforas de uma libertação
simples mas transformadora, alusivas ao fim do obscurantismo e da nova
possibilidade de voar em liberdade, após essa rutura física e total.
O poema de Paulo Midosi (1846), excerto do Hino da Maria da Fonte, estabelece uma ponte entre duas revoluções,
lembrando que a luta pela liberdade é contínua, reinventada em cada geração. Mais
do que uma evocação do passado, esta imagem é um convite ao presente. Incentiva
a recordar, questionar e exercer, com consciência e responsabilidade, um pensamento
crítico atemporal.

