quinta-feira, 19 de novembro de 2020

As informações continuam a chegar.

Hoje, publicamos uma carta e uma entrevista inéditas!  


Excelentíssimos leitores, já temos provas concretas do que temos vindo a afirmar, foi descoberta pelo nosso repórter Daniel Ramalho, uma carta escrita pelo próprio Fernando Pessoa ao seu fiel amigo Mário de Sá-carneiro. Tudo está a ser preparado, Além disso, após várias investidas ao lobo solitário que é Fernando Pessoa (Pedro Fernandes 12ºE), a nossa jornalista Fabiana Catarino (12ºE), em exclusividade para o nosso Jornal, conseguiu uma pequena entrevista. Já não há dúvidas possíveis: o Modernismo apodera-se da sociedade.



UMA CARTA INÉDITA A MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

Lisboa, 2 de fevereiro de 1915

Meu querido Sá-Carneiro:

 

Há de ter estranhado o tempo que eu tenho levado para lhe escrever. É possível que se tenha, até, ofendido um pouco comigo. Peço-lhe, por amor de Deus, que o não faça. Eu vou explicar-lhe tudo, e a explicação é bem compreensível.

Eu tenho tido, com efeito, bastante que fazer. Tenho tido, é certo, várias pequenas causas a tomarem-me muitos pequenos bocados de tempo. O restante do meu tempo, tem sido empregue em um poema que tenho estado a escrever, para o qual gostaria de ter a sua imprescindível opinião, mas não só, há uma ideia, um visão, que não quer sair da minha mente, mas essa eu explico mais à frente.

 

Se estou só, quero não estar,

Se não estou, quero estar só,

Enfim, quero sempre estar

Da maneira que não estou.

 

Ser feliz é ser aquele.

E aquele não é feliz,

Porque pensa dentro dele

E não dentro do que eu quis.

 

A gente faz o que quer

Daquilo que não é nada,

Mas falha se o não fizer,

Fica perdido na estrada.

 

O que me diz o meu caro amigo?

A tormenta que tem lutado para não sair da minha mente é uma visão, uma vontade de rutura com os padrões e inovações. Por que razão não mudar tudo? Não podemos ficar presos ao passado. A sociedade precisa de uma nova cultura. Temos que a implantar e não vamos ser desconfiados, acredito que sejamos capazes de conseguir implementar esta nova ideia literária. Seremos precursores como Einstein e Freud e criaremos o nosso berço de nascimento para um Portugal moderno e voltado para um futuro audaz. No meio de tantas mudanças e inovações, não podemos ficar presos às glórias do passado, temos de tornar Portugal grande novamente.

O que me dizes, caro Sá-Carneiro, de instituirmos em conjunto uma revista literária como nunca antes vista em Portugal. Nem que tenhamos de ir e voltar ao mundo dos mortos, não cometendo, porém, o pecado fatal de Orfeu, de olhar para trás, temos de manter firme o nosso olhar para um futuro intrépido, contudo sempre glorioso.

 Orpheu, como denominação para a revista que espalhe esta nossa nova ideologia, parece-lhe bem? Não comente, marcaremos os espíritos…

Aguardando a sua resposta com a maior brevidade possível.

 

Fernando Pessoa 

 Daniel Ramalho (12ºB)



EM EXCLUSIVO

uma entrevista de Fabiana Catarino e Pedro Fernandes (12ºE)



Para ver e ouvir aqui.


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

 

As informações continuam a chegar ao PB online.

Acompanhem-nas!


Cuidado, temos novas informações! Foram descobertos mais panfletos acerca desse movimento para o qual já vos alertamos. Protejam-se, evitem estas personagens, vamos-lhes desvendando os nomes e as caras. 
Estejam atentos, também se descobriram pelos recantos das cidades, de norte a sul de Portugal, umas pseudo bandas desenhadas que pensam poder suplantar a nossa informação. Não se deixem enganar, atirem logo com elas, não as leiam!


MODERNISMO
uma revista sob a direção de Margarida Mendes












Margarida Mendes (12ºB)







Luís Ferreira (12ºB)



domingo, 15 de novembro de 2020

 Durante estes próximos dias, acompanharemos um tempo novo!

O Modernismo invade Portugal.

As turmas 12ºB e 12ºE e a professora Helena Bártolo 

convidam-nos a acompanhar os testemunhos diretos de quem vive este momento.


Caros leitores, caros ouvintes, caros amigos. 
O caos parece ter-se instalado por terras lusitanas. Os folhetos da capital só já anunciam a chegada deste novo movimento, até recebemos queixas de empregadas de mesa.
Que se passará? 
Quem tiver mais informações poderá comunicar, o quanto antes, com a nossa agência. Não deixem que esta loucura ganhe força. Denunciem-na, o Modernismo não pode vingar!!!


Desabafos de uma empregada


                                                                                                                 Fernando Pessoa por Almada Negreiros
                                     

Faz precisamente hoje um ano que Fernando Pessoa aparenta ter-se mudado de malas e bagagens para aqui. Todos os dias, bem cedo, decide instalar-se na mesma mesa e pedir a previsível bica, que beberica enquanto me rabisca os guardanapos todos, não sei com que tinta, ... certamente que, de vez em quando, usa as borras do café. Já quase nem posso limpar as migalhas que faz, de tanto tempo que aqui passa.

Não consigo compreender, escreve, escreve, .... passa os dias a escrever, e o que publica, aqueles poemas, que raramente aparecem para apanhar a luz do dia, parece que nem sentido têm, são completamente indecifráveis. Que é feito dos escritores românticos que lia quando ainda era catraia? Que é feito dos livros onde o amor proibido estava constantemente presente? Onde estão os livros onde vários homens disputavam pela mesma mulher? Isso sim, eram coisas que valiam a pena ler, cativavam-me.

Pelo que dizem, este maluquinho guarda todos os pedacinhos de papel onde gatafunha aquela caligrafia horrorosa. Decerto que passando tanto tempo aqui, não deve haver espaço em sua casa para viver, no meio de tanta papelada.

Mas não é só ele, ele é um dos inconscientes que decidiram introduzir, no nosso país, esta nova corrente artística, a que chamam Modernismo.

Até os pintores, escultores e arquitetos aderiram, feitos macaquinhos de imitação, não bastavam os escritores, tiveram todos de ir atrás, em filinha indiana.

Os pintores, abandonaram o naturalismo e realismo, a que estava tão habituada. Trocaram as belas pinturas que retratavam a natureza (e que me transmitiam felicidade), os incríveis detalhes e a fidelidade ao real (tanto nos retratos, paisagens e cenas do quotidiano, ... tudo o que escolhiam transmitir nas suas telas) por críticas e denúncias sociais, políticas e do clero, que são representadas através de formas demasiado geométricas, não livres, que por vezes até me parecem forçadas, mas que aos entendidos transmitem movimento. No que toca ao seu preenchimento predominam as cores vibrantes, berrantes, ... cores que nem pensava que os pintores se atreveriam a utilizar. Mas, segundo eles, mudar é bom, e quando o decidem fazer viram tudo de patas para o ar e não querem saber do que as pessoas pensam.

Isto é vergonhoso, escandaloso até. Talvez começar este movimento tenha sido o maior erro que alguém já cometeu. Como é que há pessoas que apreciam este novo tipo de rabiscos retos, que se parecem com os gatafunhos de Pessoa? A continuar assim, nem quero imaginar como será a pintura, literatura e todas as formas de arte no tempo dos meus bisnetos, trinetos e por aí fora...

É um despautério, absurdo, saber que estes tipos de obras andam por aí a circular, mas ainda pior, é ter de vir trabalhar todos os dias ver estes quadros a preencher todos os recantos do café.

 Lisboa,

Rosângela Benevides

(e não sou nenhum heterónimo da Diana Amarante do 12ºB
mas sim uma simples empregada de mesa!)




A LUSITANIA , publicação de 12 de novembro de 1922
edição de Miguel Almeida 








Miguel Almeida (12ºB)





quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Fernando Pessoa tem estado presente nas aulas de Português do 12ºC. 

E tem sido bem recebido.

Aqui ficam algumas provas...



As pessoas de Fernando Pessoa

Neste cartoon estão apresentadas cinco figuras masculinas, de chapéu. No centro, está ilustrado um homem de fato, maior que os outros, a segurar uma mala por onde estão a sair as outras quatro figuras por fios. No lado esquerdo, está desenhado um homem de fato, sentado a escrever um livro de título “Livro do Desassossego” e um homem de jardineiras, com algo na boca e a segurar um báculo. No lado direito, observo o único homem sem bigode e outro sem óculos, mas com um monóculo e a escrever “Ode triunfal”.

Na minha opinião, este cartoon relaciona-se perfeitamente com Fernando Pessoa, na medida em que apresenta quatro dos seus heterónimos. A meu ver, o homem no centro deve representar o próprio Fernando Pessoa, uma vez que num documentário visto em aula aprendi que o autor ia para todos os lugares com uma arca cheia de folhas escritas por ele; logo, faz sentido que os seus heterónimos saiam de lá. O primeiro homem poderá simbolizar Bernardo Soares, um semi-heterónimo que escreveu o “Livro do Desassossego”. A segunda personagem poderá representar o poeta bucólico Alberto Caeiro, que terá nascido em 1889 e falecido em 1915, que viveu quase toda a sua vida no campo e redigiu os livros “O Guardador de Rebanhos”, “O Pastor Amoroso” e “Os Poemas Inconjuntos” e que foi considerado pelo próprio Pessoa como sendo o seu mestre. O primeiro homem do lado direito deverá retratar o poeta clássico Ricardo Reis, que nasceu em 1887, faleceu em 1936, foi discípulo de Alberto Caeiro, aparecia quando Fernando Pessoa estava cansado ou sonolento e que foi caracterizado por ele como “um pouco mais baixo, mais forte e seco que Caeiro e usando a cara rapada”. Por fim, a última figura poderá retratar Álvaro de Campos, que nasceu em 15 de outubro de 1890 às 13:30h, usava um monóculo, escreveu “Opiário” e “Ode triunfal” (como está representado no desenho) e foi o heterónimo que mostrou mais evolução nas correntes literárias, visto que passou por três fases: a decadência, a luz e a tristeza.

Portanto, todos eles podem ser identificados e reconhecidos no cartoon através de objetos e/ou elementos caracterizadores das suas personagens: Bernardo Soares pelo livro “Livro do desassossego”; Alberto Caeiro pela vestimenta de pastor e o báculo; Fernando Pessoa pela sua arca (ou mala); Ricardo Reis pela ausência de bigode e Álvaro de Campos pelo seu monóculo e o livro “Ode triunfal”.

Fernando Pessoa, nascido em 1888 e falecido em 1935, foi um poeta português de temperamento instável e depressivo, que não suportava ficar sozinho por imposição e que dedicou toda a sua vida a criar outras vidas.

cartoon e texto de Lara Araújo (12ºC)




Telma Oliveira (12ºC)




A Vida De Pessoa

Fernando Pessoa, poeta muito conhecido na literatura portuguesa, mas, tal como Cesário Verde, também não foi devidamente reconhecido no seu tempo.

No dia 13 de junho de 1888, dia de S. António, por volta das 15 horas, Fernando Pessoa nasce na cidade de Lisboa. Por ter nascido neste dia, teve como segundo nome António, sendo registado como, Fernando António de Nogueira Pessoa.

Durante anos, a vida do poeta foi uma constante mudança, mas o que não mudava era a sua obsessão pelas letras e a compulsividade de escrever. Podemos dizer que Fernando Pessoa tinha várias personalidades e para cada uma elas criava uma identidade dando-lhes vida. Porém, como a sua poesia não era admirada pelo público, Pessoa  teve vários empregos:  tradutor - a língua inglesa era praticamente a sua língua materna -, publicitário -criando, inclusive, o 1.º slogan publicitário para a venda da Coca-cola em Portugal: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

Fernando Pessoa morre a 30 de novembro de 1935, no hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, com o diagnóstico de Cirrose Hepática, mas, após a sua morte, o povo português apercebeu-se do tesouro que os seus poemas eram e, hoje, damos o devido valor e o devido respeito à sua obra literária.

 cartoon e texto de Mariana Gonçalves Oliveira (12ºC)



Fernando Pessoa – a minha autobiografia

Foi no dia 13 de junho de 1888 que eu, Fernando António Nogueira Pessoa, nasci. E não houve melhor dia do que esse, o de Santo António, padroeiro de Lisboa, o meu lar, a cidade que amei mais do que tudo. Modéstia à parte, acho que todos vós sabeis quem sou: Fernando Pessoa, sim, aquele escritor, aquele que inventou muitos escritores. Chega a ser irónico o meu apelido ser “Pessoa”: eu não sou só eu, eu sou muitos eus, muitas pessoas diferentes, bem diferentes, mas igualmente importantes. Afinal, quem seria eu sem os meus eus?

A “minha querida mamã”, Maria Madalena, nasceu nos Açores. Como foi ela quem me ensinou a escrever, nada mais justo do que lhe ter dedicado os meus primeiros versos, que redigi aos sete anos. O meu pai, Joaquim Pessoa, nasceu em Lisboa, mas não o conheci bem – a tuberculose levou-o quando eu tinha apenas cinco anos. Em 1896, a minha mãe e eu fomos para Durban, para o pé do meu padrasto, João Rosa, mas, nove anos depois, regressei a Lisboa, para não mais de lá sair. Era Lisboa que me inspirava, era Lisboa que me acolhia, no seu seio materno e caloroso. Aí, tentei abrir a empresa Íbis, que não durou mais de um ano, com a herança da minha falecida avó Dionísia (que sempre me assustou, com a sua mente conturbada).

O emprego com que fiquei foi o de correspondente estrangeiro em casas comerciais, vulgo, tradutor. E que rico emprego, que me dava tempo para escrever, escrever muito, escrever sobre a tragédia da existência, sobre a ilusão, sobre a vida, sobre a morte, enfim, escrever sobre o que me ia na alma. Escusado será dizer que escrever sempre foi a minha paixão. Por falar em paixões, namoradas só tive uma, Ofélia Queiroz. Era boa menina a Ofélinha, mas eu vim ao mundo para “ser sozinho”, como já dizia Álvaro de Campos num dos seus (ou dos meus) poemas.

Sozinho é como quem diz, só o era quando queria. Mudava muitas vezes de casa, sem esquecer a minha arca com os papéis onde escrevia, e tanto vivia sozinho como acompanhado. Amigos tinha muitos, gostava de trocar correspondência com eles, de ir aos cafés, ou, cá para nós, de lhes pedir algum dinheiro, quando o que tinha não chegava para as minhas coleções de roupa e de livros. Por muito que eu gostasse da minha própria companhia, custava-me vê-los partir, como foi o caso de Mário de Sá-Carneiro, que me deixou cedo demais.

Enfim, fui um homem pacato, modesto e sereno, mas bom humor não me faltava, nem mesmo durante as minhas crises depressivas. Morri em 1935, da forma como me sentia bem: sozinho, em Lisboa, vítima do álcool, que me acompanhou durante toda a minha vida. Deixei--vos muitas recordações, muitas folhas, muitas obras, muitas pessoas, que, em vida, não me deram o reconhecimento com o qual sempre sonhei. De mim, resta apenas a minha alma, que vos fala agora. A finitude humana não nos deixa ser nada se não isso mesmo: nada. O que importa é viver cada momento e não perder tempo com questões existenciais, que apenas nos trazem angústia, revolta e nada mais. Celebrai a vida: a felicidade está onde não a vemos.

Fontes: Casa Fernando Pessoa; reportagem Grandes Portugueses – Fernando Pessoa

Maria Fontão (12ºC)



Autobiografia de Fernando Pessoa

Nasci a 13 de junho de 1888, no dia de Santo António, padroeiro de Lisboa, do qual advém o meu nome, Fernando António Nogueira Pessoa.

Passei a minha infância com minha mãe, Maria Madalena Pinheiro Nogueira, que sabia falar francês, inglês e tocar vários instrumentos musicais. Meu pai, Joaquim de Seabra Pessoa, que escrevia críticas musicais, morreu numa madrugada de 1893, quando eu tinha apenas 5 anos, devido à fatal doença dos pulmões, também conhecida como tuberculose.

Pouco tempo depois, minha mãe volta a casar com o comandante João Miguel Rosa que posteriormente foi destacado na África do Sul como cônsul português em Durban. Foi por essa altura que nasceu o meu primeiro “eu”, Chevalier de Pas, que viria a fazer parte de “uma múltipla rede de muitos eus”.

Em 1896, a minha família e eu partimos para a nossa nova vida desconhecida em África.

Acredito que suplantei as expectativas que as pessoas tinham em relação à minha presença na escola, tendo atingido um alto nível de prestígio no meu percurso enquanto aluno. Sempre me inspirei nos mestres da literatura inglesa como Shakespeare, Edgar Allan Poe e John Milton. Durante a minha adolescência, estes grandes nomes proporcionaram-me um refúgio muito apreciado e estimado.

Quando chegou a altura de entrar para uma faculdade, decidi candidatar-me a Oxford ou Cambridge. Embora tivesse a nota de admissão mais alta, não obtive uma bolsa académica, porque não cumpria o mísero requisito de ter frequentado uma escola inglesa.

Depois deste acontecimento, decidi regressar definitivamente a Portugal com apenas 17 anos.

Ingressei no Curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa, mas rapidamente desisti devido à falta de interesse que despertava em mim. Não era algo que me desafiava e, por essa mesma razão, não encontrei motivos para continuar.

Para mim, ser escritor não é uma profissão, é a minha forma de estar na vida. Enquanto dedicava parte do meu tempo a escrever poemas, decidi, também, começar a trabalhar como tradutor de correspondência comercial, ou como muitos chamam, "correspondente estrangeiro". Esta é uma ocupação magnífica uma vez que considero o inglês uma das minhas línguas principais.

Agora, que reflito sobre o meu passado, verifico que o meu lar é, na verdade, a cidade de Lisboa. Durante toda a minha vida, vivi em quartos e casas alugadas, sem assentar em lado algum. Para ser franco, apenas necessitava do meu baú e dos meus escritos.

O isolamento era imprescindível para a minha escrita, contudo não suportava quando este isolamento era imposto por outros - cabia à minha pessoa decidir quando seriam os meus momentos de solidão.

Enamorei-me por Ofélia Queiroz, mas, devido à minha personalidade tumultuosa e temperamental, não nos mantivemos juntos por muito tempo.

Ao longo dos anos, fui publicando alguns textos em revistas e jornais portugueses ou estrangeiros e comecei a idealizar os meus outros “eus”. Cuido que os mais emblemáticos tenham sido um trio: Alberto Caeiro, o poeta bucólico, Ricardo Reis, o poeta clássico, e Álvaro de Campos, o poeta da Modernidade.

Sempre que tinha oportunidade escrevia o que me vinha à cabeça, mas verifico que o momento predileto era a noite, enquanto redigia de pé.

Ao examinar a minha vida, constato que tive bons amigos que me acompanharam, tal como, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, com os quais também, em tempos, trabalhei.

Muitos podem não saber, mas desenvolvi um grande interesse pela astrologia, sendo que dediquei algum do meu tempo à criação de horóscopos e cartas astrológicas.

Sei que é um mau hábito, porém desfruto regularmente de um bom tabaco e absinto para me ajudar a escrever e a ultrapassar os dias mais difíceis.

É com grande pesar que me despeço, nestes momentos finais da minha existência, da pátria que me amparou durante toda a minha vida. Hoje, dia 30 de novembro de 1935, parto com uma mensagem final: "I know not what tomorrow will bring".

Matilde Carvalho (12ºC)



terça-feira, 27 de outubro de 2020

 

As palavras - que existem no dicionário ou não - continuam a marcar as nossas vidas.

Aqui ficam alguns belos exemplos disso mesmo.

Boas leituras!



                     Guardiã de palavras e do encontro

Quando a professora de Matemática nos pediu para escolher três palavras que achávamos que poderiam cair em desuso, eu pensei em convívio, grupo e equipa. Entreguei à professora (que entregou aos dois colegas que escolhi) as palavras grupo e convívio e comprometi-me a ficar como guardiã da palavra equipa.

Porquê a palavra equipa? Porque apesar de gostar de trabalhar autonomamente, trabalhar em equipa também me agrada imenso: reunirmo-nos e discutir diferentes opiniões, diferentes perspetivas e, no final, conseguir obter ideias mais completas e interessantes do que se estivéssemos a pensar sozinhos. Nestes lamentáveis tempos de pandemia, onde o contacto físico humano precisa de ser o mínimo, não é possível nem recomendável realizarmos tarefas em conjunto (“equipa”) e eu pretendo guardar essa palavra até que ela deixe de ser só uma palavra e possa tornar-se numa ação.

Lara Araújo (12.ºC)




Literatura 

Nenhuma das outras palavras que escrevi na aula de Matemática possuía a mesma força da palavra “literatura”, esta que é tão pouco usual na vida da maioria dos jovens atualmente.

Na minha é. Aliás, nunca foi tão pertinente neste momento de enclausura, que nos retrai e não nos permite expandir o nosso ser. Confere-nos, a literatura, o poder de acompanhar a vida de uma personagem sem de ela nos distanciarmos, por exemplo. Além de nos aproximarmos de outros, também caímos mais em nós, conhecemos e percebemos o “eu” que, provavelmente, dormia na sombra dominante de nós, ou seja, a ignorância, a falta de sensibilidade, de espírito crítico.

É delicada, porém, necessita de constante estímulo para libertar o que em nós se resguarda ou distancia, como agora. 

 Fernão Veloso (12ºC)


sábado, 17 de outubro de 2020

 

Nestas aulas iniciais de Cidadania e Desenvolvimento, das turmas C e D do 12º ano, temos vindo a refletir sobre a liberdade. Onde me leva? O que me permite? A que me obriga? Obriga???

Ficam três textos numa reação à afirmação: Sou livre!


Sou Livre!

 O “Mundo” a que os seres humanos chamam casa, o planeta Terra, abunda em diversidade cultural, política ou étnica. Consequentemente, até o significado da palavra “Livre”, que nos parece ser tão universal, assume significados distintos.

No mundo ocidental, onde o sistema democrático é usual, ser livre implica poder escolher, poder criar sem restrições, poder falar, mas, também, para com os outros e até nós próprios, ser tolerante, ser sensível, pensar ou evoluir.

Embora na teoria esta ideia do que é ser livre pareça muito positiva, na prática a mesma veste-se de um tom diferente e escuro com maior intensidade em certas partes do mundo. Há liberdade para a descriminação? Liberdade para tirar a liberdade a outra pessoa? Liberdade para enganar? Liberdade para enjaular a mente de um povo?

De repente, a afirmação “Sou Livre!” desaparece. Dilui-se numa realidade tão complexa e medonha que nos faz deixar cair a cabeça, defrontando o chão frio, solitário, ignorante, em que só ele existe.

Fernão Veloso (12ºC)

 

 Sou livre…

“Direito à liberdade…” faz parte de alguns dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este documento, que infelizmente não se tornou lei obrigatória a nível mundial, mas apenas uma referência que se deve seguir, zelando para que TODOS saibam, lutem, desfrutem e pratiquem os seus direitos enquanto seres humanos, não é ainda um modelo seguido por todos os países.

Eu, cidadã portuguesa, ou seja, habitante de um país desenvolvido, tenho vivido no progresso face a um passado opressor onde não se avistavam estes direitos. Contudo, estou bem ciente que aqui ao meu lado está alguém que não sabe e/ou não usufrui da sua liberdade. É uma violenta realidade muitas vezes ignorada, por, em grande parte, se tratarem de pessoas mais desfavorecidas de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.

Uma parte da sociedade, incluindo certos chefes de estado que implementam regimes ditatoriais ou alheios às necessidades da população, é preconceituosa, racista, egoísta e egocêntrica e quer aproveitar a sua liberdade. Todavia, acaba por limitar a dos que a rodeiam, isolando-os, “prendendo-os”, ou atentando contra a sua integridade física e psicológica.

Serei livre? Viverei eu corretamente a liberdade?

Sim! Considero-me livre em muitos sentidos e direções. Talvez os meus pais “cortem” alguma dessa liberdade, num bom sentido, mas, genericamente, gozo dela.

Sou livre para falar e opinar corretamente, tendo em atenção os sentimentos e respeitando as opiniões dos outros. Sou livre para me informar acerca de tudo, explorar mais e mais, descobrir conteúdos novos, desenvolver as minhas capacidades e, assim, pensar ativa e assertivamente. Sou livre para ser quem eu quiser, reconhecendo as minhas habilidades e aquilo que de melhor posso dar ao mundo, aprender infinitamente, sonhar com os pés bem assentes na terra e fazer as minhas próprias escolhas (profissionais, religiosas, políticas…) de modo a viver com um propósito e não ser apenas mais uma. Sou livre para agir em qualquer circunstância, excetuando aquelas que ultrapassam os meus conhecimentos e competências, aproveitar cada momento como se fosse o último e procurar a felicidade. Sou livre para me relacionar de forma construtiva com qualquer pessoa, independentemente do sexo, raça, cor religião, idade ou profissão, ter amigos com quem crie memórias e laços inesquecíveis e viajar à volta do mundo, partindo à descoberta do desconhecido. Sou livre para experienciar todos os sentimentos existentes, alegria, tristeza, amor, solidão, (com)paixão, angústia, ternura, raiva, afeto, desinteresse, confiança, frustração, esperança, preocupação… I’m free

Isto até parece perfeito e cliché, porém, considero que nós próprios construímos a nossa própria liberdade à medida que vivemos cada dia como mais um degrau nesta escada ascendente até ao último segundo da nossa vida.

Então, a nossa liberdade não só depende do outro, mas também implica um bom relacionamento com o próximo, para que, juntos, desenvolvamos e lutemos pelo bem-estar, progresso e liberdade comuns.

Marina Peixoto (12ºD)

 

Sou livre

Hoje em dia, em vários países do mundo, como acontece em Portugal, somos livres de dar a nossa opinião sobre vários assuntos associados à política, sobre certas atitudes que acontecem à nossa volta e até mesmo sobre determinadas pessoas. A meu ver, esta “ilusão” de liberdade é alimentada pelo grande poder dos meios de comunicação. Mas, será que somos verdadeiramente livres?

Desde a antiguidade, vários filósofos refletiram sobre esta célebre questão, concluindo que a liberdade é relativa. Será que somos livres porque vivemos num regime democrático, ou será que a liberdade está mais relacionada com o nosso pensamento e com o interior? No meu ponto de vista, a liberdade não está de qualquer modo relacionado com o que podemos ou não fazer, uma vez que, como seres humanos, sempre tivemos a oportunidade de fazer tudo o que nos apetecer, compreendendo que, no futuro, teremos de lidar com as consequências das nossas ações.

Certamente que, em determinadas situações, como em casos de pessoas com graves problemas de saúde, tal liberdade é retirada, impossibilitando-as de ter a escolha entre fazer ou não determinada coisa. Apenas nestes casos, onde tal escolha é negada, podemos afirmar que não somos livres.

Em conclusão, respondendo à pergunta inicial, na minha opinião, o ser humano na maioria das situações é verdadeiramente livre, não devido ao nosso contexto histórico-cultural, regime político, nem à nossa educação, mas sim, devido ao facto de sermos livres de escolher, sendo a escolha o alicerce do conceito de liberdade. Ser livre não é poder fazer tudo sem ter qualquer consequência, é ter a oportunidade de escolher fazer algo ou não.

(Fábio Rodrigues 12ºC)


quinta-feira, 8 de outubro de 2020


Comigo, só…

Só, entre sete bilhões de pessoas,   

Eufóricas, sociais, vivas;                             

Que amam calorosamente os seus               

E andam estressadas e alheias.


Só, mesmo cheia de família,                       

Quer de sangue, quer de coração.              

Ela é próxima, atenta, solidária,                    

É o alicerce e é o chão.


Só, entre uma sociedade                           

Vasta, um mundo barulhento                        

E andante, do qual eu,                                 

Ser sentimental, estou afastado.


Só, desintegrado, isolado,                               

Quase esquecido… mas…                       

Lembrado interesseiramente.                   

Quem me dera ter asas…!


Só, quero existir, viver…                              

(Será pedir muito ser alguém?)                        

…e participar reconhecidamente.               

Deixar de ser um simples ninguém.                                 


Comigo, só, cheio de gente;                    

Silêncio, só, imenso fragor;                     

Desintegrado, só, numa estrutura;                       

Desgostoso, só, apenas brota amor.

                                        Marina Peixoto (12ºD)



Porque a pintura pode ser vista à lupa da literatura...

                 “O Castelo nos Pirenéus” 

                                 René Magritte


Esta pintura, que podemos observar na parte superior do texto, foi elaborada por René Magritte e é apelidada como “O Castelo nos Pirenéus”

A parte intrigante nesta obra de arte, é o facto de poder ser interpretada de diversas maneiras dependendo da visão e perceção da realidade de cada individuo. Para exemplificar, esta pintura pode ser facilmente conectada a Antero de Quental e a certos temas dos seus poemas, sendo eles a angústia existencial e a configuração do ideal, onde a última surge como uma atenuante e um refúgio da primeira.

Teixeira Pascoaes afirma que “O ideal da nuvem é o rochedo”. Com esta firmação e tentando estabelecer uma conexão com Antero de Quental, podemos assumir que, a uma determinada angústia existencial, neste caso da nuvem, corresponderá uma configuração do ideal, ou por outras palavras, um desejo inalcançável.

O Castelo referido encontra-se num rochedo, suspenso por cima de um mar revolto/agitado. Rochedo este que pode ser interpretado como a dura, concreta e pesada adversidade da realidade que surge como um dos opostos do castelo, entendido como o imaginário/sonho, no qual se verifica um conjunto de características plenas e ideais, moldadas por uma determinada angústia existencial. A adversidade na vida pode ou não ser ultrapassada, logo, a meu ver, este rochedo (a adversidade na realidade) pode ser macerado (ultrapassado) até se atingir o sonho (o castelo), isto é, o ideal ou a plenitude.

Para além deste rochedo, o mar agitado também pode ser tido como uma oposição ao castelo (Imaginário/sonho/desejo). Revertendo esta linha de pensamento para uma linguagem Anteriana, o castelo simboliza uma configuração do ideal, criada para suprimir a luta, a angústia e a agonia do mar revolto, ou seja, a triste e frustrante realidade.

Luis Ferreira (12ºB)


“O Castelo nos Pirenéus” (1959), de René Magritte, ilustra um grande rochedo com um castelo no topo, que levita sobre o mar.

No plano de fundo, visualizamos um céu de cor clara coberto de nuvens, calmo e pacífico, que transmite a ideia de paz na altitude, de sonho, leveza e liberdade. Por outro lado, Magritte demonstra-nos, na parte inferior da sua pintura, um mar tenebroso de águas negras, transmissor de negatividade, medo, perigo… Encaminhando-nos, talvez, para um destino fatal!

Entre estas duas realidades contrastantes, não só pela simbologia que transmitem, mas também pelas suas cores e formas, encontra-se o tal rochedo, carregando o castelo para os céus. Possuindo uma estrutura grosseira, baça e angulosa, a rocha de grandes dimensões, é facilmente associada ao mar, a uma realidade pessimista, que se pode contrapor a um otimismo (o céu), à semelhança do dualismo presente em Antero de Quental. Contudo, o pedregulho tenta chegar às nuvens, experienciar a sua realidade, obter aquilo que não tem: ser leve, ser livre, desapegar-se de todos os males da superfície e alcançar o Ideal, assim como o poeta anteriormente referido, o rochedo concebe um Ideal que o libertará do Mal e das angústias terrenas. Pois sim, ser nuvem é o sonho, mas sendo que os sonhos representam sempre algo que não temos, quiçá também as nuvens se queiram transformar em rochedos, ganhar peso e cair à superfície.

Porém, como é tudo isto possível? Tanto a ideia do rochedo se tornar uma nuvem como a da nuvem se tornar rochedo desafiam todas as leis da física, tornando o Ideal uma realidade inalcançável, inconcebível. Resta apenas recorrer às crenças. Será a fé suficiente?

                                                           Rodrigo Gomes (12ºB)

sexta-feira, 2 de outubro de 2020


PORTUGUÊS - 12ºB


Na primeira aula de Português, com a professora Helena Bártolo, os alunos do 12ºB pensaram e escreveram as palavras que desejam nunca perder ou esquecer na sua vida. Aqui ficam algumas delas.


“ As Palavras que nunca perderei…”

Toque – Não que a comunicação verbal e a organização não sejam importantes, mas a meu ver, o significado do toque neste, e em quaisquer outros tempos, transcende outros conceitos.

Desde meados do mês de março que a população portuguesa ficou privada de sentir o toque das pessoas por quem nutre sentimentos. À exceção do contacto das pessoas com quem partilhamos teto, mais nada foi praticável: um aperto de mão, um abraço caloroso, uma simples palmadinha no ombro, um beijo… Tudo impensável, tudo impossível!

No último meio ano, a nossa sociedade tem sido formatada a considerarem estranho duas pessoas darem as mãos; a ter medo de alguém que não usa máscara…

Dou por mim a pensar que, um momento dos mais comuns como ver um filme ou um vídeo qualquer de há bem pouco tempo, preenche-me de um sentimento atípico, traz-me uma certa agonia e um pensamento na linha do: «Como era possível existirem aglomerações tão grandes e com tantos toques inatos e naturais?»

Só de pensar que, em gerações futuras, viver assim será considerado normal…

Mal posso esperar por tocar novamente, normalmente!

                                                                                                                         Rodrigo Gomes 

 

Respeito – Em todos os momentos da nossa vida, o respeito é fundamental, não só para o convívio como para o equilíbrio da sociedade. Nestes tempos de confinamento e pandemia, a necessidade de respeitar os outros não foi exceção. Acrescentaram-se regras, planos a seguir e distanciamentos desejados que temos todos de respeitar.

Para mim, o respeito é o valor que pauta qualquer uma das nossas atuações e, sem ele, a dinâmica da vida é alterada. Quando não respeitamos os que nos rodeiam ou as regras estipuladas, estamos certamente a magoar alguém seja física ou psicologicamente. Por isso, precisamos todos de guardar respeito por nós próprios e nunca esquecer de o aplicar aos restantes.”

Carina Viegas

 

Memórias - Ter memória de tudo o que vivemos, com quem conversamos e do que aprendemos, permite-nos ser pessoas melhores. Melhores a nível mental, social e mesmo físico. As memórias que guardamos connosco farão com que vivamos o presente, baseando-nos no passado e projetando o nosso futuro.

Recordar é uma arma poderosa do Ser Humano: evita que este cometa o mesmo erro pela segunda vez, tendo plena noção das consequências que daí possam advir. A título de exemplo, recordem-se das descriminações raciais, das desigualdades de género, a História não deve ser apagada, mas sim recordada para que possamos evoluir e jamais regredir!

Para ter consciência dos nossos passos e da nossa identidade em prol de uma constante melhoria, temos de preservar a memória.”

Miguel Almeida

 

 

Aprendizagem – Como todos sabemos, estamos todos a passar por uma nova e difícil fase das nossas vidas, momentos estes acerca dos quais não podemos deixar de refletir!

Só não vê quem não quer: famílias destruídas, identidades perdidas, pobreza a todos os níveis e desigualdades flagrantes. O que irá decorrer daqui para a frente, será que irá voltar tudo ao normal?

Penso várias vezes nestes aspetos e chego a uma conclusão evidente. A vida coloca-nos – nós jovens que ainda temos um percurso tão grande pela frente - perante uma enorme aprendizagem. Devemos viver um dia de cada vez, aproveitar todos os momentos para alcançarmos um futuro brilhante junto da nossa família. Mas é essencial tirar lições de cada instante e crescer com essas aprendizagens para que, no futuro, possa passar e aconselhar os meus filhos e netos nos seus passos, através desta experiência e destas aprendizagens.”

                                                                                                                          Leandro Almeida



Empatia – Optei por guardar esta palavra porque sinto que possui imenso poder e, para mim, é capaz de mudar muitos rumos.

Nesta situação de pandemia, enquanto estivemos em casa, o tempo livre sobrava constantemente, portanto tivemos mais oportunidade para observar o que nos rodeia. Dei por mim a pensar que a maldade no mundo sempre existiu, porém talvez nos passasse «ao lado» e não tivéssemos noção de como está o mundo e a gravidade da situação.

Abalaram-nos casos de racismo extremo, acentuaram-se as desvalorizações dos problemas do próximo, … Para mim, em muitos destes aspetos: inexistência de empatia.

Quanto a mim, se o Ser Humano se colocasse mais no lugar do Outro, não existiriam tantos problemas, desastres e mortes trágicas. Temos por obrigação compreender os «porquês» de certas palavras e/ou atuações e reagir em conformidade como seres racionais que somos. Temos de permitir que a empatia exista, melhorando assim a nossa própria vida e aquela dos que nos rodeiam.”

                                                                                                                                                              Íris Castro