quinta-feira, 4 de março de 2021

 

Porque hoje é sábado (28 de fevereiro)

Finalmente um sábado sem chuva! Um sábado que amanheceu claro e com o sol a espreitar por entre árvores já em flor e flores que brotam da terra para mais um ciclo de vida.

Desta vez a saída à rua foi breve e tomei um café a sério! (máquina nova na bomba de gasolina)

Depois, hora e meia a ouvir, deliciada, o melodioso tom doce e vincadamente alentejano da professora Ângela Balça, da Universidade de Évora, partilhando as suas reflexões sobre a literatura tradicional. O tema era precisamente: “O que representa a literatura tradicional na formação de leitores” integrado no ciclo de formação LLL (Livros, leitura, leitores) que a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e a Rede de Bibliotecas de Braga têm vindo a promover todos os últimos sábados de cada mês.

Do muito que foi dito deixo aqui algumas conclusões que me pareceram pertinentes e nos podem ajudar a ver a literatura tradicional com mais respeito e a divulgá-la mais amiúde.

Todos sabemos que ouvir e contar histórias às crianças faz:

1-      Expandir o seu conhecimento do mundo

2-      Promover a sua competência literária

3-      Contactar e conhecer textos do repertório de imagens simbólicas que fazem parte do nosso património coletivo

4-      Desenvolver a sua competência estética

5-      Experienciar uma relação afetiva com os textos

Ora, o que tem acontecido, segundo estudos levados a cabo em algumas universidades, é que os contos estão presentes no intertexto leitor, não através da literatura oral, mas da televisão ou do cinema, nomeadamente a Disney.

Tendo por base a noção de cultura oral definida por Steiner, que basicamente é aquela que constantemente reatualiza as memórias, o imaginário cultural e literário de uma mesma coletividade, assistimos a um conhecimento massificado por parte da indústria cinematográfica e livreira, mas a um desconhecimento total de tradição oral.

Quem tem ainda hoje a sorte de ter avós, tios ou mesmo pais que contem, sem recurso ao livro ou à imagem do cinema, a história da carochinha ou do capuchinho vermelho? E que, como o meu avô fazia nos longos serões de inverno e nas tardes de verão, fazendo jus ao ditado “quem conta um conto, acrescenta um ponto”, nos deliciava com versões sempre novas e sempre imprevisíveis das histórias que ele sabia de cor!  Sim, o meu avô era analfabeto.

Felizmente, de alguns anos para cá, temos vindo a assistir nas nossas escolas e, mais recentemente nos programas de televisão, à presença da figura do contador de histórias, com mulheres em maior número.

Dizia Ângela Balsa que a geração de professores mais novos precisa de ser ajudada pelos mais velhos para mobilizar esta tradição oral tão rica que nós temos ( e em geral todas as culturas) e, à falta de modelos presenciais, recorrer às coletâneas que, desde o séc.XIX, estão editadas e disponíveis no mercado editorial e nas bibliotecas. Nomes como Teófilo Braga, Adolfo Coelho, Consiglieri Pedroso e António Thomas Pires (circunscrito ao Alentejo), deixaram-nos obras inesquecíveis e que merecem ser revisitadas e recontadas.

Deixo exemplos dessas recolhas de contos populares de tradição oral e prometo voltar ao assunto com o que há de novo e de qualidade no mercado editorial português.

  


E, claro que não podia terminar esta crónica sem relembrar que temos muitos exemplares   destes contos e de outros mais recentes nas nossas bibliotecas escolares, que as histórias não têm idade, podem ser partilhadas desde o ensino pré-escolar ao ensino secundário, assim como entre adultos pela vida fora.

O que importa mesmo é que sejam boas narrativas orais ou bons livros.

Viória, vitória, …

Rosa Sousa

*Nota da Redação

Ainda que a habitual crónica de sábado tenha chegado com algum atraso, é sempre um gosto lê-la.

segunda-feira, 1 de março de 2021

 

Cada homem é uma ilha1 à procura das suas ilhas afortunadas2

1O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago

2 Mensagem, de Fernando Pessoa


Uma definição das Ilhas Afortunadas

As Ilhas Afortunadas representam um lugar místico onde D. Sebastião aguarda pacientemente o seu momento para regressar a Portugal. Estas ilhas mágicas encerram o destino dos portugueses e todas as suas preces, pois é este rei que os irá salvar das suas vidas infelizes, da sua acomodação a uma vida terrena normal.

Estas Ilhas simbolizam a esperança personificada de um povo que necessita de sonhar com o regresso do seu salvador para ter um sentido na sua vida, porque, de outra forma, apercebe-se que tudo não passa de uma mera ilusão e ninguém o irá salvar da sua existência acostumada com uma simples felicidade aparente.

 

 

Ilhas Afortunadas da Atualidade

Nos dias que correm, as Ilhas Afortunadas seriam um local onde estivessem presentes, por exemplo, todos os líderes mundiais. Desta forma, poderiam ver o mundo de uma outra perspetiva e iriam, finalmente, compreender o que está de errado na nossa sociedade. Assim, seriam capazes de tomar decisões pelo bem da humanidade e não apenas tendo em conta uma parte específica da mesma. Estes líderes não teriam pressões externas que influenciariam as suas escolhas.

Mas, obviamente, estas Ilhas, tal como as do poema de Fernando Pessoa, não passam de uma mera ilusão para o “povo” se sentir melhor com ele próprio.

É verdade que estes líderes possuem muito poder que pode influenciar o mundo, mas se as pessoas deixarem de lado a sua acomodação e passividade, conseguem trazer grandes mudanças ao planeta.

Não precisamos de um novo rei D. Sebastião que nos salve, pois cada um de nós tem um D. Sebastião dentro de si que pode fazer a diferença na nossa sociedade.

 Matilde Carvalho 12.ºC

 

 

As “Ilhas Afortunadas”... em 2021

 

Em Mensagem, Fernando Pessoa transmitiu-nos a sua ideia das ilhas ‘ideais’, no poema “As Ilhas Afortunadas”. Embora, entretanto, já tenhamos mudado de século, acredito que esta noção de “Ilhas Afortunadas” não esteja totalmente descontextualizada.

Ora, segundo Pessoa, estas misteriosas ilhas, sem existência física, constituem a esperança no regresso de D. Sebastião. E não, não se trata daquele velho mito sebastianista que nos diz que D. Sebastião aparecerá, num dia de nevoeiro, e salvará a Pátria – é uma versão um pouco mais atualizada. Com o passar dos anos, começava a tornar-se impossível que este Rei ainda estivesse vivo, portanto, o mito sebastianista deixou de ter o mesmo significado que o original – continuou de facto, a representar a esperança no regresso de D. Sebastião, mas não enquanto figura física. Assim, os defensores desta versão 2.0 do mito acreditavam que ‘O Desejado’ voltaria, enquanto figura mítica, para reerguer a glória da Pátria anteriormente conquistada através dos Descobrimentos. Edificar-se-ia, deste modo, o Quinto Império, ou seja, o império da verdade e dos bons valores, personificados pela personagem de D. Sebastião.

Tantos anos depois, não considero que esse Quinto Império tenha sido criado – continuamos a viver numa sociedade decadente, formada por pessoas (no geral, é claro) egoístas e materialistas. Assim sendo, a primeira ilha que juntaria ao meu arquipélago das Ilhas Afortunadas seria, precisamente, ‘Quinto Império’. Não seria, também, má ideia incluir neste arquipélago a ilha ‘Anti epidemia’ – acho que esta dispensa explicações. Por último, juntaria a ilha ‘Felicidade’; Pessoa ficaria, certamente, incomodado com esta ilha (porque, segundo o autor, a felicidade humana é passageira e superficial), mas, opiniões pessoanas à parte, a felicidade é um bem essencial – como haveríamos nós de edificar todo um (Quinto) Império se nos sentíssemos tristes e desmotivados?

Mirabolantes ou não, cada um possui desejos e ambições, na base dos quais se constrói um percurso de vida. As Ilhas Afortunadas não são, pois, uma criação da mente de Pessoa. Cada um tem os seus sonhos, o seu… arquipélago privado.

Maria João Fontão, 12.ºC

 

 

...e agora as ilhas numa perspetiva mais intimista…

 

As ilhas Afortunadas para cada um de nós…

 

Segundo o poema “As Ilhas Afortunadas” de Fernando Pessoa, as ilhas representam ao longo de todo o poema um lugar espiritual onde D. Sebastião se encontra e de onde o povo português retira todas as forças necessárias, na esperança de um futuro melhor.

                Tal como no poema, D. Sebastião é um herói para Portugal, assim é o meu avô, o herói para a família. É surpreendente a semelhança entre dois homens de épocas tão distintas, ambos são imortais, pois jamais deixaremos que sejam esquecidos, é sabido que nenhum dos dois vai regressar, no entanto, existe sempre aquele bocadinho de esperança lá no fundo que..., enfim, provavelmente são os homens mais desejados à face da Terra.

                Assim sendo, gostava, se um dia tivesse a oportunidade de visitar as ilhas afortunadas, trazer o meu avô de volta para junto de mim, junto do local a que pertence, para reinar junto à minha avó, uma grande líder, deveras, mas que nunca mais foi a mesma depois da sua ida.

                Um dia nas ilhas afortunadas seria o meu desejo tornado realidade, para poder juntar novamente toda a minha família no mesmo espaço. Parece tão real quando sou uma “criança dormente” e vou a caminho dessa ilha, ... mas perco-me sempre no caminho e acabo por acordar.

                Miss you....

Beatriz Afonso, 12.ºC


 

Vivemos na grande incerteza. Não como aquela que Fernando Pessoa retrata em “Nevoeiro”, mas a incerteza de quando estaremos finalmente livres, livres deste maldito bicho que nos tem enfiado dentro de nossas casas, agarrados a meras tecnologias ao invés de abraçados àqueles que mais amamos. Ah! Quanta saudade tenho do toque dos meus amigos, dos convívios com eles, das saídas, dos jantares de aniversário, de tudo…

Por vezes dou por mim a imaginar o quão diferente seria a minha vida se esta pandemia não tivesse acontecido. Vejo as minhas ilhas afortunadas. Imagino-me em sítios idílicos, rodeada dos meus amigos, de volta de uma grande mesa, às gargalhadas, a viver a melhor fase das nossas vidas. À noite, regresso a casa, cheia de família, todos no jardim a contar histórias já vividas por todos…. Bons sonhos!

Toda esta imaginação devia deixar-me mais contente, pelo menos consigo imaginar momentos onde a pandemia não é a protagonista. Mas não! Foi em 2020 que conheci uma das melhores pessoas que está comigo. Apesar de longe fisicamente, fomo-nos aproximando cada vez mais e mais, e hoje não consigo imaginar a minha vida sem ele. Contudo, se este vírus não tivesse existido, provavelmente não teríamos falado tanto, nem nos teríamos tornado tão próximos. Não quero agradecer à pandemia (não me parece que mereça muito por nos ter feito “reféns”), mas que me trouxe algo de bom, isso trouxe.

Com tudo isto e pensando bem, penso que a minha vida seja a minha verdadeira “Ilha Afortunada”. Sou tão feliz e tão grata pela vida que tenho, pelas pessoas que caminham comigo, por aqueles que estão sempre lá… não tenho nada que me queixar, sou FELIZ! E nesta ilha, ao contrário das de Mensagem, sou livre de tudo, até mesmo de pensar.

Bárbara Silva, 12.ºA

 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

 

Porque hoje é sábado (20 fevereiro)

Chuva, novamente muita chuva neste penúltimo sábado de fevereiro, o mês dos afetos, das mimosas que ainda não floriram, das camélias que vão caindo com o peso de tanta água, e das magnólias, essas sim, sempre lindas, de pétalas brancas, rosa ou amarelas.

E continuamos confinados. Confinamento que, com chuva e frio, convida a ler ou a jogar. Escolhi ler e escrever precisamente para partilhar o que li sobre o lado bom dos jogos, sobretudo dos videojogos e uma pequena reflexão.

Todos sabemos que passar demasiado tempo em frente ao ecrã não é bom, que os jogos podem desencadear dependência e até propiciar distúrbios que podem ser considerados doença.

Segundo a OMS, a partir de 2022, os distúrbios com videojogos passam a ser classificados como doença mental, rara até ao momento, pois para entrar na categoria de doença terá de comportar uma falta de controlo crescente ao longo de um período superior a 12 meses, com falta de sono e irritabilidade. Ou seja, quando os videojogos deixam de ajudar a fugir ao stresse e passam a ser a sua causa.

Vários especialistas afirmam, a partir de estudos com base em inquéritos a milhares de jogadores, que  sentimentos de competência e conexão social propiciados pelos jogos, ajudam a relaxar. Outros mostram que as pessoas que mais se divertem, reportam níveis superiores de bem-estar.

Parece também poder concluir-se que jogos online que juntam milhares de pessoas em simultâneo, como é o caso do conhecido Fortnite, permitem aliviar sintomas de ansiedade.

Estudos mais antigos já relatavam benefícios ao nível da memória e alívio da dor. Os videojogos têm sido, desde 2010, usados em programas de neuropsicologia para reduzir a ansiedade face à dor crónica, para melhorar o défice de atenção dos jovens e de pacientes com alzheimer.

Claro que, sobretudo quando falamos de jovens, é preciso saber usá-los com MODERAÇÃO e, da parte dos pais, estarem atentos a sinais de dependência.

Mas em plena pandemia, os videojogos são, muitas vezes, um escape aos desafios ou ao tédio do dia a dia.

  


E agora as minhas reflexões.

 Foi com videojogos que os meus filhos aprenderam inglês, geografia, matemática, artes, mitologia, cultura geral, no fundo, com famosos CD-ROM como: Magic School Bus, SimCity, Hugo, Civilization, Age of Empires, Myst, Lara Croft, entre tantos outros!

            


Agora, já adultos, é um gosto ouvi-los a rir às gargalhadas ou a discutir calorosamente opções/soluções, um em Paris, outro em Amesterdão ou na Ilha do Homem e, como não pode deixar de ser, um ou outro “shit” à mistura!!

Também foi graças aos videojogos que conseguimos alguma tranquilidade no dia a dia de uma tia com alzheimer.

Ainda no mês passado, recordo um grupo de alunos que, depois de uma manhã de aulas e antes de regressar a casa, se juntavam na biblioteca para se distraírem e relaxarem com uma espécie de Trivial nos seus smartphones.

E, mais recentemente, soube de uma família em que pais, filhos e avó, se tornaram quase viciados em jogos como o Cluedo e o Monopólio virtual!

Critica-se frequentemente o facto de os jovens passarem muito tempo nos jogos, criarem dependência e gostarem de jogos violentos, mas eu recordo que antigamente, na minha aldeia, quantas vezes os homens não passavam horas e horas, noite dentro, às vezes, nas tabernas e na “Casa Social” a bater a bisca na mesa, a beber, gritar, insultar e oferecer porrada (o que não raro  acontecia mesmo!).

O jogo sempre fez parte da vida: na rua, no café, nas salas de jogos, na escola ou em casa, usando as mãos, os pés, bolas, cartas, dados, tabuleiro, tablet, consola, computador ou smartphone…

A procura do gozo, do prazer, do desafio, é, como diz o poeta, “uma constante da vida”.

Vai um joguinho?

Rosa Sousa

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

 

O sol dá vida, mas seca a terra.

O outono traz consigo a chuva 

que, por vezes nos incomoda, mas é benéfica para o solo. 

E permite-nos a beleza do arco-íris.

Não serão estas cores e estes ciclos da natureza

uma leitura da nossa realidade humana?


Cores da vida

 Alta, única e ingénua

Brilha incessantemente!

Contemplam-na e ela dá-lhes vida,

Mas a pobre terra fragmenta-se.

Cada pequena fenda

É uma grande ferida.

E ela, bondosa, lá no céu

Permanece só e cintilante.

Miram aquele azul

Eterno e inquietam-se…

De longe, suave e quente, a brisa

Beija o solo rendido em pó.

Mas o equinócio veio

E colhe-se a castanha.

Cada rasgo anseia por uma lágrima

Do acinzentado algodão denso.

Eis que chora por fim!

Ela bebe incansável,

Fitando a estrela semioculta,

Resplandecente e feiticeira;

Os raios brotam magia

E as cores fazem festa.

A luz trespassa alegre as gotas

E o mundo renova a energia.

                                   

                           Marina Peixoto 12.º D


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

 

Porque hoje é sábado (13 de fevereiro 2021)

 

Sábado menos triste depois de a chuva ter dado tréguas e um tímido sol ter espreitado pela tarde…

Na última meia hora antes do fecho das lojas, como habitualmente, passo pela peixaria, frutaria e talho. Na 1ª, ninguém a fazer compras e a encomenda de lampreia adiada. Na 2ª, em que não chego a entrar, vejo as pessoas à porta, ora apoiando-se num pé, ora noutro e olhando para todos os lados, na esperança, creio, de fintar o tempo de espera.

Eu, que faço o mesmo à porta do talho, acabo por descobrir sempre novos pormenores nas fachadas das casas, nas varandas, nos telhados, nos fios elétricos, na enorme grua mesmo ao lado; analiso o design e as cores dos anúncios publicitários; pergunto-me para onde terão ido as dezenas de pardais que se abrigavam e chilreavam na grande árvore agora despida de folhas… e, com um pé dentro e outro fora, reparo num pormenor que, não sendo propriamente insólito hoje, sê-lo-ia há alguns anos atrás. Com idades entre os 40 e 60 e muitos anos (tirados pela pinta e por algumas “deixas” da conversa), são 3 os homens que fazem as compras e é uma mulher que os atende, que de cutelo em riste, corta as costeletas do cachaço, o entrecosto, o nispo, os bifes do vazio.

Era sobre videojogos que tencionava escrever, pois acabei de ler um artigo interessantíssimo em que os estudiosos afirmam serem estes uma ferramenta valiosa para se manterem os laços sociais e a saúde mental durante o confinamento.

Diabolizados durante tanto tempo, são agora valorizados e aconselhados. Assunto para sábado próximo.

Entretanto, porque não jogar em família os velhinhos e universais jogos das damas, da glória, dominó, cartas, xadrez, mikado, monopólio ou trivial pursuit?

Rosa Sousa




domingo, 14 de fevereiro de 2021

 

Porque hoje é o Dia de S. Valentim...


... a turma P44 e a Associação de Estudantes fizeram um pequeno filme que pode ser visualizado aqui


e a turma P48 faz também uma proposta que pode ser vista aqui.



domingo, 7 de fevereiro de 2021

 

Porque hoje é sábado (6 de fevereiro 2021)


Sábado frio, chuvoso e triste como tem sido habitual.

Desta vez confinada em terra beirã e para um dos atos mais dolorosos das nossas vidas…

Morrer faz parte da vida, morrer é a única certeza que temos na vida, é verdade. Mas custa sempre tanto! E tanto mais num tempo como este de restrições e de medos!…

Já não via o meu pai há meses (aqui o Skype e o whatsapp não contam), mas ontem, ainda que num espaço inabitual, pude vê-lo, chorar, conversar um pouco, rezar e deixar-lhe na lapela umas palavras que, entre soluços e lágrimas, me brotaram do coração a agradecer a vida que me deu, e tantos momentos felizes dos difíceis 88 anos que, por aqui e no estrangeiro, viveu.

Sábado frio, chuvoso e mais triste que o habitual…

Rosa Lopes

 

 

  

O exercício dos direitos só existe se cumprirmos os deveres.

Pode parecer um lugar comum, mas se existir um equilíbrio entre ambos   

garantimos uma cidadania plena, o “civismo”.

Hoje, somos muito mais  que "Narciso",

 "apaixonamo-nos" pelo que queremos e, pior que morrer ao contemplar-se,

é "matar" o outro porque só olha para si.

 

 

Manifesto sobre a falta de civismo

Nos dias que correm, seria de esperar que as pessoas já tivessem evoluído e interiorizado conceitos como o respeito pelo outro, a boa educação e o civismo em geral.

Nesta fase marcada pelo covid-19, podemos observar todos os tipos de comportamentos, exceto aqueles que nos tornam pessoas mais cívicas.

Uma grande parte dos portugueses faz o que bem lhe convém, ignorando por completo o seu dever cívico e o respeito pelo outro. Há pouca obediência em relação ao recolher obrigatório, às quarentenas, ao distanciamento social e aos ajuntamentos familiares.

Um exemplo desta situação foi o atenuar das regras na época natalícia. Toda a gente tinha fé que o nosso país iria ter consciência e passar as festividades com o próprio agregado familiar, mas tal não aconteceu. As famílias juntaram-se todas sem qualquer tipo de precaução. O resultado verificou-se no início do mês de janeiro, quando foi anunciado que Portugal era o segundo país do mundo com mais novos casos por milhão de habitantes. Esta notícia foi alarmante!

Devido à falta de civismo dos portugueses, o país teve de enfrentar uma nova vaga, o que implicou várias alterações no quotidiano dos cidadãos.

Muitas das pessoas que cumpriram todos os seus deveres, que passaram a época natalícia com restrições familiares, que evitaram os centros comerciais e outros locais com multidões e que mantiveram todas as recomendações possíveis, tiveram de se sujeitar novamente às regras impostas pelo governo.

Os profissionais de saúde andam há quase um ano na luta contra o vírus. Todos os dias veem a sua carga de trabalho a aumentar e, muitas vezes, colocam-se eles mesmos e os seus agregados familiares em perigo. No final de tanto esforço, não há reconhecimento por parte do país. As pessoas continuam a agir como se nada estivesse a acontecer.

Um outro caso que retrata a falta de civismo dos portugueses é o facto de as pessoas não obedecerem ao isolamento e fazerem as suas vidas normais, como ir aos supermercados e andar na rua como faziam habitualmente. Se não estão preocupados com a sua própria saúde, pelo menos que respeitem o bem-estar dos que estão à sua volta.

Devido à imprudência de algumas pessoas, os alunos vão voltar novamente às aulas online, o que não é a melhor forma de ensino. Os universitários vão perder partes essenciais dos cursos, caso estes sejam mais práticos. Já estamos a perceber as desvantagens evidentes das aulas à distância, por exemplo, de um aluno de medicina ou de química, que são cursos que requerem materiais e recursos próprios que só estão disponíveis nos recintos universitários.

Existem países que estabeleceram medidas drásticas logo no início do ano passado e, neste momento, não têm casos ativos, pois a população respeitou as regras e teve uma moral cívica que lhe permitiu ultrapassar esta fase complicada.

Não podemos ter em conta apenas os nossos desejos e vontades do momento, mas temos de ver que as decisões que tomarmos hoje podem determinar o futuro de muita gente. Está na hora de nos responsabilizarmos pelas nossas ações e de refletirmos sobre a importância fulcral do civismo para uma sociedade desenvolvida e próspera.

Ainda vamos a tempo de alterar as mentalidades do nosso país! Pouco a pouco as pessoas podem fazer a diferença e ajudar os outros a perceber que o civismo é o alicerce de toda a humanidade.

Se ainda não mudamos, está na altura de o fazermos!

 

Matilde Carvalho 12.ºC

sábado, 6 de fevereiro de 2021

A violência faz parte do nosso dia a dia.

Apetece dizer: não, isso não é verdade. Mas será que não é?

Por vezes, intervimos. Noutras, viramos o rosto para não vermos.

Corremos o risco de achar que ela é inevitável.

Mas não é! Tentamos mudar alguma coisa ou já nos habituámos a viver com ela? 


Não à violência

És guilhotina para os fracos

Quando a ignorância invade

 Num grito de desespero

 Vês o ato de um covarde

 

Silêncio dos inocentes

Que esse chicote sentiu

 Hematoma de um rosto

 De quem nunca desistiu

 

És a forma mais injusta

 De se impor alguma norma

Quando a ação se torna bruta

 A reação não se conforma

 

És a causa do sofrimento

Para quem presta clemência

 És usada por ignorantes

O teu nome é violência

 

Pedro Fernandes – 12ºE

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

 

Porque hoje é sábado (30 de janeiro 2021)

Pandemia, covid-19, mortos, infectados, hospitais em ruptura, ambulâncias em espera, cuidados intensivos, confinamento, use a máscara, fique em casa, são as palavras/frases que mais temos ouvido neste 1º mês do ano que prometia ser de alguma esperança com a vacinação…

Último sábado de um mês frio, chuvoso, cinzento e mortífero. Com a excepção da ida diária e rápida ao jornal, e aos bens essenciais uma vez por semana, tenho estado em casa. Assustada e um pouco amorfa, como me dizem estar familiares e amigos a quem ligo, mantenho a lucidez e energia possíveis seguindo os cuidados sanitários e socorrendo-me da leitura: a informativa, através do jornal ( mais fiável e menos alarmista) e  da internet, com sites e plataformas escolhidos para ajudar na preparação de atividades escolares, ou tão só para me descontrair; a recreativa, como não podia deixar de ser, através dos livros, a melhor companhia que se pode ter a seguir a alguns seres humanos e alguns animais de estimação!

Após um sono maior em número de horas e um pequeno-almoço retemperador, assisti a um webinar promovido pela Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (conhecida pela sigla BLCS) intitulado “Livros, leituras e leitores”, em que foi orador o professor Fernando Azevedo. Quase sem se dar por ela, passou hora e meia  e, embora muito daquilo que o professor apresentou, não tenha sido novidade para mim, gostei de relembrar assuntos/ questões já esquecidos, ou nem sempre postos em prática nesta tão difícil empreitada de formar leitores e promover o gosto pela leitura.

Sinto obrigação de partilhar algumas ideias que retive como deveras importantes para que nós, enquanto pais, professores, bibliotecários, animadores, preocupados com os baixos índices de leitura dos jovens (e não só!), os possamos ajudar a aumentar e melhorar esta competência.

E a 1ª ideia é a de que nós não nascemos leitores, nós fazemo-nos leitores.

2ª ideia: a leitura tem de ser fonte de satisfação, de gratificação, tem de ser eufórica.

3ª ideia: a leitura é um direito, não uma obrigação.

 E chegados aqui, lembraram-se Os direitos inalienáveis do leitor, dados a conhecer pelo  professor francês Daniel Pennac, no livro " Como um romance”.

4ª ideia: o papel importantíssimo do mediador de leitura, um leitor que deverá ser habitual, comprometido, criativo, conhecedor de um vasto, adequado e actualizado conjunto de textos, acessíveis numa pluralidade de formatos e com capacidade para promover a participação.
A leitura como direito implica partilha, amor, responsabilidade, paixão.

5ª ideia: evitar a todo o custo a instrumentalização da leitura (o famoso discurso do conta para a nota!)

6ª ideia: libertarmo-nos do espartilho do manual escolar e da ficha de leitura.

Por fim, a disponibilização de 3 espaços online muito interessantes sobre livros, leituras e leitores:

https://www.bookcrossing.com

https://bibliotronicaportuguesa.pt

https://www.goodreads.com

 Concluir que, no século XXI com o digital, só não é leitor quem não quer. Todos sabemos que com a leitura, com leituras temos a capacidade de ser mais autónomos, de interagir melhor com os outros  e, sobretudo, de interpretar o mundo.

Queiramos ser leitores!



 Rosa Sousa

(usando o antigo Acordo Ortográfico)


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

 

Lá, atrás ou à frente

Lá, o ódio e a raiva

Destruiram e venceram;

A vida foi brutalmente

Ameaçada e muitos morreram.

Lá, o egoísmo e o racismo

Fomentaram o atentado

E o extermínio racial

Ideológico e de tudo!

Lá, Homens como tu

Plantaram campos de dor,

Nenhuma estrela listada

Conseguia fugir ao predador.

Aqui, a liberdade luta,

O amor une e prolifera,

A dignidade vigora...

Parece uma longínqua era!

Aqui, tu que vives

Sem medo e atarefado,

Nunca esqueças e sempre

Recorda este sofrido passado.

Aqui, tão longe, tão perto,

Escreve-se amargamente

Este episódio bárbaro.

Que não se repita, lá, à frente!

                                                       Marina Peixoto, 12ºD


Hoje…

Lembro-me, desde que tenho memória, de acordar neste dia de forma diferente. Os meus pais acordavam-nos com um poema, um excerto de um livro ou com uma música que nos fizesse recordar este dia. Porquê? – perguntávamos nós. Porque não se pode esquecer o que aconteceu – respondiam os pais - para que não volte a acontecer. Durante muito tempo, enquanto pequenita, não percebia bem. Mas também não tinha de perceber. Só tinha de saber que algo horrível tinha acontecido. A tradição continuou na geração seguinte da família e os pequenitos e jovens de hoje têm também direito a um acordar diferente. Curiosamente, desde há alguns anos, neste dia, por proposta da ONU, faz-se esta memória. Como professora, costumo começar cada aula de cada turma, neste dia, com um poema ou um excerto de um livro (porque os pais não me deixaram esquecer…). Hoje, estamos em casa. Deixo, por aqui, aquilo que leria na sala de aula.

 

Se isto é um homemde Primo Levi

Vós que viveis tranquilos

Nas vossas casas aquecidas,

Vós que encontrais regressando à noite

Comida quente e rostos amigos:

              Considerai se isto é um homem

              Quem trabalha na lama

              Quem não conhece paz

              Quem luta por meio pão

              Quem morre por um sim ou por um não.

              Considerai se isto é uma mulher,

              Sem cabelos e sem nome

              Sem mais força para recordar

              Vazios os olhos e frio o regaço

              Como uma rã no Inverno.

Meditai que isto aconteceu:

Recomendo-vos estas palavras.

Esculpi-as no vosso coração

Estando em casa andando pela rua,

Ao deitar-vos e ao levantar-vos;

Repeti-as aos vossos filhos.

              Ou então que desmorone a vossa casa,

              Que a doença vos entreve,

              Que os vossos filhos vos virem a cara.

 

                                            Não esqueçamos! Margarida Corsino

ps. como sugestão: amanhã, dia 28, na rtp2, às 22:48h, Debaixo do Céu. 


O HOLOCAUSTO OU MEMOSHOÁ

Neste ano, passaram 76 anos desde que a Humanidade ficou chocada com a revelação do que foi o Holocausto Nazi. Por isso, lembramos mais uma vez esta realidade histórica, para que não se repita!

Foi a 27 de janeiro de 1945, nos finais da 2ª Guerra Mundial, que as tropas russas, pertencentes aos Aliados, libertaram Auschwitz-Birkenau (Polónia), o maior e um dos mais conhecidos campos de concentração nazis. Nele ainda encontraram vestígios do que foi o horror do Holocausto! Um dos maiores atentados aos mais básicos Direitos Humanos!

              Este atentado aos mais básicos Direitos Humanos começou a ter mais impacto na década de 1930, uma década de crise para a Europa. Quando, quem aparecesse com discursos populistas, atraentes, de salvador da pátria e de limpeza dos parasitas, conseguia mobilizar massas de apoiantes!

Ontem, como hoje, líderes que dizem o que as pessoas gostam de ouvir são levados ao poder através de processos democráticos ou por apatia e indiferença da maioria. Propagam, em nome do bem de um pequeno número, a exclusão de muitos outros, através de discursos de ódio, estrategicamente pensados, elaborados, encenados e propagados… Discursos que enfatizam a ameaça ao conforto egoísta de uns poucos, pela disponibilidade do mínimo de dignidade humana a muitos outros.

Um deles foi Adolf Hitler. Este chegou ao poder em 1933 como chanceler da Alemanha e, ressentido pela humilhação do Tratado de Versalhes, prometeu “rasgar” o tratado internacional, elevar a Alemanha à categoria de grande nação - “A grande Alemanha” e limpar a raça ariana. Esta, considerada por ele e pelos seus apoiantes, uma raça superior, criadora de toda a cultura da Humanidade e que tinha sido vítima da influência de grupos degenerados. Ele e todo o aparelho nazi comprometem-se em “limpar” a pureza da raça ariana, levando à prática a vocação da Grande Alemanha como dominadora do mundo na conquista do seu “Espaço Vital”. Lançaram assim o Mundo numa segunda guerra mundial.

  A negação dos Direitos Humanos foi levada ao extremo na Alemanha com o racismo, apoiado no “Espírito Volkisch” e na teoria de ciência genética que defendia a criação de uma raça superior através da reprodução seletiva e da eliminação dos mais fracos.

  O racismo alemão foi particularmente violento em relação aos judeus, configurando um dos maiores e melhor organizados genocídios da História da Humanidade, que infelizmente não foi o único, nem o último... Os judeus, excluídos da cidadania, impedidos da prática de qualquer profissão, isolados socialmente, proibidos de casarem com arianos e de frequentarem locais públicos, foram obrigados a usar a estrela de David na roupa, para serem facilmente identificados. Numa fase posterior acabaram por ser levados para guetos e daí para campos de concentração - os campos da morte ou alguns, de extermínio.

  No período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o aparelho nazi deportou primeiro da Alemanha e depois dos territórios ocupados, milhões de pessoas que usou como mão-de-obra grátis até à exaustão, ao serviço do Estado Nazi.

 Quando não serviam para trabalhar, eram enviados para campos de extermínio, onde eram eliminados: judeus, opositores políticos, Romi (vulgarmente chamados de ciganos), deficientes, homossexuais e todos aqueles que, de algum modo, se opunham ao regime nazi, ou simplesmente, procuravam prestar ajuda humanitária aos perseguidos.

  Auschwitz (Polónia) foi o campo de concentração mais conhecido da era nazi. Para este e para outros campos, foram transportados milhões de pessoas em vagões de comboio, sem quaisquer condições e sem saberem que destino as esperava.

  Quando os vagões chegavam aos campos, as pessoas eram separadas por filas: umas de mulheres, outras de homens e, ainda, outras de crianças. As que ainda serviam para trabalhar, eram exploradas e torturadas pelo trabalho árduo em minas, pedreiras (exemplo de Mauthausen – Áustria), construção ou até nas grandes fábricas, consideradas os apoios do regime nazi. As outras eram mortas de imediato nas câmaras de gás.

  De seguida, os seus corpos eram reduzidos a cinzas em fornos crematórios.

 Inúmeros foram, também, os fuzilados e os enforcados. De destacar os que pereceram pela ação dos Einsatzgruppen (tropas especiais das SS treinadas para fuzilamentos em massa e que acompanhavam o exército alemão nos territórios ocupados durante a 2ª Guerra Mundial, principalmente ativos no Leste europeu). Humilhados, eram mortos a sangue frio, em condições degradantes e, atirados de imediato para valas inundadas de morte e de horror.

Nos campos de concentração nazis, graças a estranhas engenharias, foram inventadas formas diversificadas para matar seres humanos e, principalmente a partir da Conferência de Wannsee em 20 de janeiro de 1942, foram criados os campos de extermínio para aquilo a que os nazis chamaram “A solução final do problema judaico”.

Nos campos, alguns prisioneiros eram submetidos a experiências horrendas, como as do doutor Mengel, conhecido como o “Anjo da morte” pelo sofrimento que infligia às suas vítimas. Eram também os prisioneiros que eram obrigados a executar as mais horríveis tarefas, na seleção, marcação com um número, gaseamento, cremação das pessoas mortas.

Aos prisioneiros era retirado tudo… liberdade, nome, roupa, dentes, cabelo, dignidade e por fim… a vida…

Os prisioneiros eram identificados com números tatuados na pele ou nos uniformes - os tristemente conhecidos “pijamas às riscas” e eram amontoados em dormitórios apinhados e sem condições mínimas de qualquer tipo ou então, eram deixados a morrer ao frio, à fome e de doenças.

A 27 de janeiro de 1945, as tropas russas pertencentes aos Aliados, libertaram Auschwitz-Birkenau, abrindo aos portas para o Mundo poder ver os vestígios da atrocidade do que foi apelidado de “Solução final” pela máquina nazi. Um cenário de horror até perder de vista…

De Sobibor, Majdanek, Belzec, Treblinka, Chelmo, Mauthausen, Teresin, Auschwitz…. Temos as evidências que nos levam a questionar, como foi possível, tal barbaridade?

 Do passado vêm cerca de 10 milhões de gritos de esperança!

Para relembrar estes milhões de vítimas, a Assembleia Geral da ONU instituiu em 2005, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e de Outros Genocídios, que se relembra a cada ano a 27 de janeiro.

Podia ser outro dia, mas algum dia tinha de ser… Pois a memória é curta se não for renovada constantemente…Desaparece, é negada ou adulterada!

Pois, não podemos desfazer a História, já aconteceu… Mas devemos conhecê-la, refletir sobre ela e evitar que voltem a acontecer situações como esta, em nome do nosso egoísmo e comodismo… Ou simples desconhecimento e indiferença!

Conhece, ajuda a conhecer o que aconteceu e evita que tal se repita!

Não alinhes em discursos de ódio, que te prometem o bem-estar em nome do não respeito pelos outros, porque… Ontem foram eles… Hoje são eles… Mas, amanhã podes ser tu…. E/ou os teus entes mais queridos!

 Prof. Paula Dias