terça-feira, 24 de março de 2020

aepl.estetempo 24.março.2020

24 de março de 2020
Querido diário,
Tenho dormido mal. As preocupações não me deixam dormir e fico quase toda a noite a pensar.
O futuro é algo que me assusta. Este vírus fez-me questionar tudo o que me rodeia. As minhas “certezas” voltaram a tornar-se incertezas. Tenho receio que as coisas não corram como tenho planeado. Estas reviravoltas também me assustam, mas considero que tudo tem um motivo, portanto isso “acalma-me”.
Aprendemos algo com tudo que nos acontece, tudo nos traz uma lição. Este vírus não será exceção à regra. Aliás, até acho que posso adivinhar a lição que nos trará: abrandar. Abrandar o nosso ritmo de vida, abrandar a produção industrial, abrandar o capitalismo, abrandar tudo o que é excessivo.
Espero que isto se resolva o mais rápido possível.

Jacinta Cruz (12ºF)

COVID 19
Isto é tão estranho. Olho para a televisão, vejo um filme. Reparo como nunca antes o fizera no toque entre as personagens. Estão próximas e abraçam-se.    
Tudo me parece bizarro nestes dias… Querer abraçar e não poder.
Pedem-nos que fiquemos em casa e estamos a cumprir o que nos pedem. Sem sabermos como, estamos agarrados a este vírus em forma de bola que, a todo o custo e com todas as nossas forças, desejamos chutar para bem longe daqui. Sim, este é, agora, o gigantesco desafio da Humanidade.
Este é o momento em que paramos e descobrimos, finalmente, que somos todos iguais. O momento em que percebemos que não precisamos de dar as mãos para estarmos unidos. Agora jogamos todos em casa e lutamos nesta guerra, não de armas, nem de bombas, mas profundamente silenciosa. Se gostamos do jogo da vida, é hora de saber jogá-lo. O outro, o jogo maldito, ainda agora começou! Desistir não é, nem nunca será palavra no dicionário da esperança.
Um dia, os cafés voltarão a encher-se de conversa, de gente, de vida, As estradas voltarão a pertencer a quem vai e a quem volta. Aqueles que amamos voltarão a ter o nosso abraço. No fim, perceberemos, tenho a certeza, que o melhor da vida, afinal, está nas pequenas coisas e que o nosso olhar se deslumbrará com a pequena flor que desperta no meio da calçada.

Carolina Dias (8ºB)



Terça-feira, 24 de março de 2020

Querido diário,

Estamos hoje no nono dia de quarentena e, cada vez mais, a solidariedade é necessária para ultrapassar esta fase negra a nível mundial. E é precisamente este o tema de hoje – a solidariedade e a sua importância.
Ontem falei-te do quão importante é ajudarmo-nos uns aos outros para nos sentirmos felizes. A solidariedade é, portanto, uma atitude crucial para a convivência em sociedade, pois desperta a união e harmonia entre os humanos.
Ser solidário não é só doar quantidades enormes de dinheiro para associações de caridade – ser solidário é ser bondoso e compreensivo em relação ao próximo e, portanto, também se exprime em pequenas ações que, por muito que possam, por vezes, parecer insignificantes, podem fazer toda a diferença na vida de quem ajudamos. E, para que não o penses, não estou a desprezar as doações às instituições, contudo, nem todos têm economias suficientes para que possam realizar doações – isso não deve ser uma preocupação para essas pessoas, visto que podem sempre tentar ser solidários de outra forma, por exemplo, aconselhando amigos ou auxiliando pessoas debilitadas a realizar as suas tarefas diárias.
Despeço-me realçando a ideia de que, para podermos ultrapassar a pandemia do Covid-19, devemos ter um espírito solidário.

Maria João Fontão (11ºC)



O meu diário
Durante estes dias, eu acordo, tomo o pequeno almoço e, depois, vou fazer os deveres que tenho. Depois janto e vou para o terreno jogar e ajudar o meu pai a pôr a lenha no sítio. De seguida, entro em casa e vejo vídeos, jogo um bocado Fifa e depois vou dormir.
Raphaël costa



Póvoa de Lanhoso,24 de março,2020

Querido diário,

Sentada aqui no meu sofá, hoje escrevo sobre mais um dia fechada em casa.
Estes dias que parecem todos iguais, cinzentos e obscuros, são dias passados à espera de boas notícias que, infelizmente, não têm hora de chegar.
Como distração, tenho praticado desporto, feito trabalhos para a escola, assistido séries e filmes que tinha pendentes, tentando sempre não lembrar da situação pela qual todo o mundo está a passar.
Hoje fiz uma coisa que já não fazia há bastante tempo, caminhar com a minha mãe – tomando todas as devidas precauções. Fomos caminhar pela nossa freguesia acabando por subir o Monte de Santa Iria, daí podemos ver as freguesias à volta, Louredo, Santo Emilião, Donim e Briteiros. São cerca de 15/20 minutos a subir, mas estes minutos valem a pena, pois a vista de lá de cima é simplesmente incrível e arrebatadora.
É sempre bom caminhar pelo campo e montes, ouvir a natureza, sair um bocado dos ares de casa para sentir o ar puro das árvores… e hoje teve um sabor diferente, porque foi um caminhar “com medo” para não lembrar o “medo” que nos invade …
Assim passei mais um dia, veremos o que se segue amanhã…

Isabel Vieira (12ºC)



Querido diário,

“Lar, doce lar” costumamos nós dizer com enorme satisfação. Não é verdade que, quando chegamos de uma longa viagem, esta frase é, inconscientemente, pensada por nós, culminando, carinhosamente, sempre na sua verbalização “Lar, doce lar”? No entanto, apesar de adorar o meu rico espaço, o meu cantinho, adoro, igualmente, sair, respirar ar puro.
Agora, com este novo vírus, encerraram todas as escolas e, por isso, estamos todos em quarentena. Temos, neste momento, aulas online de matemática e estamos a receber instruções de trabalhos das outras disciplinas.
Fechada em casa, estou a tentar gerir o tempo da melhor maneira, já que é muito fácil deixar-me aliciar com as inúmeras distrações que tenho em casa à minha disposição. É muito cativante ficar o dia todo sentada no sofá a ver Netflix. Quem não gosta? Porém, eu prefiro ter uma rotina, ter uma razão para me levantar de manhã, pois só assim é que conseguiremos, ainda que confinados aos nossos lares, manter uma vida, impedindo a contagem obsessiva dos dias.
Em relação às consequências desta pandemia, como a têm denominado recentemente, apoio a cem por cento o isolamento social. Considero que, distanciando as relações entre as pessoas, podemos combater estes dias escuros e tristonhos. Penso que, se estivermos informados e conscientes das nossas ações, conseguiremos enfrentar esta nuvem negra que paira agora por todo o mundo e, finalmente, avistar, lá ao longe, um arco-íris luminoso, repleto de prosperidade e felicidade. Como já dizia Camões: “Quem quer passar além do Bojador/ Tem que passar além da dor”. Por isso, acredito que este caminho longo e penoso que encaramos hoje nos levará a um mundo muito melhor.

Boa noite!
Inês Lopes (12.ºB)



Póvoa de Lanhoso, 24 de março de 2020

Querido diário,

Já onze dias se passaram… onze dias em que a nossa tarefa é ficar em casa e assim já estamos a ajudar os outros.
Quem diria que algo conseguiria travar o ser humano, não é verdade? Logo agora que a nossa vida é uma correria e temos muito para fazer. Se não levássemos a vida com tanta pressa, tão atarefados, se estivéssemos acostumados a passar mais tempo em casa com os nossos, parar por um tempo não seria tão estranho.
Eu sei que não estou de férias, no entanto, tudo muda. Não há a correria para conseguir apanhar o autocarro, para chegar a tempo à sala. Agora a correria é enviar os emails a horas, sem sair de casa.
Nem de propósito, trabalhei este ano, em Português, Ricardo Reis que em muitos dos seus poemas fala da calma com que devemos encarar a vida. Bem vou parar por aqui, ou ainda começo a dar-te uma aula de Português!
Despeço-me com um beijinho esperançoso de que tudo vai ficar bem!

Mónica Silva (12.ºB)



Dia 9 da quarentena, 24/03/2003 

É incrível como apenas algumas palavras podem mudar o nosso dia... 
Pouco tinha passado da meia noite, eram 00:06 quando recebi algo que me fez estupidamente feliz. E foi assim o dia todo, sorridente e alegre.   
Mas, como é óbvio, não é graças apenas a uma pessoa que dedico a minha felicidade, é a todos os que me orgulho de chamar de amigos, e que, embora longe, me fizeram sentir abafado por sentimentos calorosos. 
Só tenho que dar graças por ter pessoas como estas à minha volta, e espero que não seja um mero vírus a separar-nos por muito mais tempo. 
Por hoje é tudo, vemo-nos amanhã com mais 24 horas para contar. 

Pedro Carvalho (11ºC)



Olá, amigo diário

Os dias sucedem-se, cada vez mais uns iguais aos outros. Não te vou maçar com as rotinas do meu dia, tu até já as conheces. Vou, no entanto, partilhar alguns pensamentos contigo. Tenho ouvido muitas vezes dizer que isto, e tu bem sabes o que é isto!, é uma guerra.  Não concordo nada, pois embora nunca tenha vivido em tempo de guerra, parece-me que é bem pior do que este isolamento forçado. Não banalizemos o mal, nem essa tragédia maior. Apesar disso, tem-me ocorrido que a NATUREZA está zangada. O AMBIENTE, de que tanto se falava e pouco ou nada se fazia, teve agora uma trégua. Afinal conseguimos viver sem consumir tanto, sem viajar tanto, sem maltratar tanto aquela que é a nossa casa comum. E porque estamos a falar de natureza e  como também já te disse que tenho um gato e adoro o PESSOA, tem-me lembrado por estes tempos o seu belo poema, que tantas vezes li aos meus filhos, ainda bem pequeninos e que talvez ajude a explicar o carinho que todos temos pelo bicho cá em casa. 
Amanhã volto. Espero que gostes!
“Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais,
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim
Todo o nada que és é teu,
Eu vejo-me e estou sem mim
Conheço-me e não sou eu.”

Isabel Friande


Dia 9 (24 de março de 2020)
Querido diário,

Neste dia, iríamos realizar uma saída de campo. Visitaríamos e exploraríamos o GeoPark, em Macedo de Cavaleiros, de forma a aprofundarmos os nossos conhecimentos de Geologia… mas, mais uma vez, fiquei em casa e dediquei algum tempo à escola, aos amigos e à família.
Hoje, o Pedro, um amigo meu, celebra o seu aniversário. Um rapaz que merece tudo do melhor e que, felizmente, se cruzou na minha vida. O Pedro é incrivelmente genuíno e os momentos que passei com ele já me deram muita alegria!
Foi também dia de fazer a minha autoavaliação a várias disciplinas. Autoavaliarmo-nos permite-nos evoluir… Se tivermos consciência daquilo que somos capazes de fazer e refletirmos naquilo que precisamos de melhorar será muito mais fácil adaptarmo-nos e progredir nesta que é a caminhada da vida.
E, a propósito disso, espero que a minha caminhada de vida se faça ao lado de amigos como o Pedro.

Miguel Almeida. (11ºC)



24 março 2020

Querido diário,

Hoje o dia não foi muito diferente dos anteriores a nível de estudo. Acordei cedo e completei as tarefas da escola.
De tarde, ajudei a minha irmã nos seus estudos e estivemos algum tempo juntas.
De uma forma geral, o meu dia passou a correr. No meio de todo o trabalho perdi completamente a noção das horas e quando dei por isso já era de noite.
Como é habitual não pude deixar de fazer o meu treino para me manter em forma.
A minha mãe chegou tarde a casa completamente revoltada, pois algumas pessoas do concelho não estão a cumprir o seu dever cívico, continuando a realizar as suas rotinas sem se preocuparem com a sua própria saúde nem com a dos outros.
Está na hora de pensarmos em todos nós e não só com o nosso próprio umbigo.
Bem, por hoje é tudo…

Matilde Carvalho (11ºC)



Querido diário,

Mais calma? Sim, estou mais calma.

Hoje o dia correu normalmente sem nenhum sobressalto. Acordei um pouco mais cedo do que o habitual e para pôr o cérebro a trabalhar fiz exercícios de matemática. Depois, dediquei-me à escrita e comecei a elaborar o plano de um texto sobre a minha perspetiva e a de alguém com idade mais avançada. Antes de almoçar, continuei a ver a minha série Riverdale.
De tarde, soube a nota do teste de português. Para ser sincera não me espantei, pois ficou dentro dos limites habituais, mas fiquei desiludida, porque eu dou sempre mais e mais e estava realmente com bastante esperança que fosse mais um pouco.
Por volta das 16h30min decidi praticar um pouco de desporto para manter o corpo sempre ativo e depois, quanto tudo voltar à normalidade, estarei mais preparada para os treinos de badminton e atletismo.
Já no final deste dia redigi então o meu belo texto. Sabes qual foi o tema que escolhi? Família. Achei que era o que fazia mais sentido visto que tínhamos que falar com os nossos avós, tios-avós ou alguém mais idoso.
Por fim, planeei aquilo que vou realizar amanhã.

Resumidamente, este foi o meu dia. E por hoje é tudo.

Marina Peixoto (11ºD)



(recuperado do dia 19)

Póvoa de Lanhoso, 19 de março de 2020

Querido diário,

Faz hoje precisamente uma semana e um dia que estou em casa. Oito dias sem ver os meus avós e o resto da família, sem ver os meus amigos, sem andar de carro (confesso que já tenho saudades)… Bem, acho que, se não fosse considerada uma quarentena, estaria normal, ainda só estamos na primeira semana. No entanto, como já é algo mais sério, a qualquer momento começo a delirar e, por mais estranho que pareça, só penso “quem me dera estar na escola”.
Ontem foi feriado aqui no concelho, mas, ainda mais importante, foi o Dia do Pai. Eu já sou esquecida habitualmente, imagina estando em casa há oito dias, quase sem saber que dia da semana é… Como é que era suposto lembrar-me que era um dia especial para o meu pai? Pois, não me lembrei… Foi preciso o meu pai chegar a casa, para almoçar, e comentar sobre as festividades do dia de S. José, para me acender uma luzinha. Notei que ficou um bocadinho triste mas, ele nem costuma ligar muito a isso, óbvio que percebeu, dadas as circunstâncias.
Esta noite, depois do jantar, a minha mãe lembrou-se de nos juntar a todos para jogar um jogo. Um jogo que apenas ela sabia jogar e nós disponibilizamo-nos a aprender sob as suas ordens e o seu feitio impaciente…nada que não estejamos habituados. O jogo chamava-se Yahtzee. Cinco dados, uma folha de papel quadriculado e uma caneta para cada um. O objetivo era preencher uma coluna, de acordo com o valor do somatório das pintas dos dados lançados. No final, quem tivesse maior pontuação, ganhava. Está claro que, eu, como ótima jogadora que sou, fiquei em último. No entanto, enquanto perdia um jogo, ganhava memórias para sempre. Sentamo-nos para jogar por volta das 21h. O meu irmão, sem grande apetite para jogos, disse logo que às 21h30 tinha um jogo online marcado. A verdade é que, às 23h30 ainda estávamos todos juntos a jogar. Achei incrível como uma pandemia que, ao olhar da sociedade tem tudo para dar errado, pode também trazer coisas tão boas.
Para além de tudo, de hoje a uma semana exata, estaria a embarcar num autocarro, tal como milhares de estudantes, com destino a Marina D’or. Digamos que esperamos por esta viagem o secundário todo e agora, em vésperas de partida, este contratempo coloca-nos as “trancas à porta”. Estou consciente que adiar a viagem foi o melhor a fazer, não veria outra opção possível. No entanto, há sempre aquela pequenina raiva, bem lá no fundo, que não nos tira da cabeça o pensamento “Porque é que tinha de ser este ano? Porque é que o vírus não veio só depois da viagem? Esperei tanto por isto e agora fica fechada em casa… Que raiva!. Mas pronto, é o que tem de ser, para o nosso melhor e de toda a sociedade. Só espero que tudo passe rápido e que as consequências, a todos os níveis, não sejam muito drásticas.
Estamos no segundo dia de Estado de Emergência devido a este surto do Coronavírus. Há mais de 250 mill casos de infeção em todo o mundo, 10 mil mortos e pelo menos 87 mil pessoas recuperadas do Covid-19. No nosso país já morreram seis pessoas, há mais de 1000 casos confirmados e 5 pessoas recuperadas da infeção. No mundo inteiro, 860 milhões de crianças estão sem aulas e dessas, quase 300 milhões não tem possibilidade de se alimentar uma vez que os refeitórios escolares estão fechados.
Estamos a viver uma situação muito complicada e acho que nunca ninguém imaginou passar por isto. Pelo menos, na minha cabeça, isto só acontecia nos livros de história. Não podemos deixar de ter esperança de que tudo vai passar e tudo vai correr bem. Isso vai-nos manter vivos! Tomar as precauções recomendadas é o mínimo que podemos fazer e já é muito.
Adormecemos num mundo e acordamos noutro. De repente a Disney já não tem magia e Paris já não é romântica. Quem tem boca já não pode ir a Roma. Em Nova Iorque, todos dormem. E a muralha da China já não é uma fortaleza. De repente abraços e beijos tornam-se armas, e não visitar pais, avós e amigos torna-se um ato de amor. Então descobrimos que poder não tem tanto valor e que o dinheiro não tem tanto poder.”
(autor desconhecido)
Já é tarde, amanhã continuo! Fica bem J
Leonor (12.ºA)




(recuperado do dia 19…)
 

 

Querido Diário,
Hoje é um dia muito especial, porque é o dia do Pai!
Eu e a minha irmã começamos o dia a correr para a cama do meu Pai, para lhe entregarmos os presentes que tínhamos feito.
O papá ficou super emocionado com o meu poema e adorou o tapete para o rato que a minha irmã lhe deu!
Eu, a mana e a mamã preparamos um super pequeno almoço, com panquecas e tudo!!
Depois fomos passear o nosso cão e dar uma volta de bicicleta, pois como moramos na aldeia, podemos sair à rua e passear na natureza sem encontrar pessoas, por causa do Coronavírus…
Nesta altura em que temos de ficar em casa, o tempo custa mais a passar…
Eu e a minha família passamos um dia bem divertido! 😊

Até amanhã, querido Diário…
José Guilherme (6ºB)

segunda-feira, 23 de março de 2020

aepl.estetempo 23.março.2020


Querido, diário

Começou a 2ª semana de isolamento. Tenho a dizer-te, porém, que logo de manhã tive de sair. Ainda não eram 8 da manhã e já estava a sair de casa para abastecer a despensa. Os filhos e o marido não perguntam o que faz falta comprar! A questão frequente é " O que vai ser o almoço/ jantar?" O trânsito, que num dia normal, à hora que te disse, seria intenso, hoje era mais calmo do que num vulgar domingo, bem de manhã. Como são tristes estes dias que estamos a viver.
Feito o almoço, à tarde dediquei-me a ler e a enviar alguns emails. Segui  para a correção dos testes. Tarefa difícil, sobretudo quando há outros mil e um trabalhos que esperam por ti. Já te tinha dito que a senhora que trabalha e me ajuda com as lides domésticos também está em isolamento social. Acho que vou ter que fazer uma escala de serviço para realização de tarefas domésticas. Mas isto de mandar não é fácil!
Amigo, diário não te vou maçar mais com as mundanices do meu dia de hoje. Ainda não vi ou ouvi as notícias do dia, por isso vou pôr as panelas ao lume e preparar-me para as resmunguices dos meus filhos que vão ter de comer sopa. Espero, sinceramente, que comece a haver alguma luz neste túnel negro que estamos todos a atravessar. Quem sabe se nos jornais da noite  não há notícias mais animadoras! Espero bem que sim.

Fica bem, até amanhã
Isabel Friande



Segunda-feira, 23 de março de 2020

Querido diário,
Estamos hoje no oitavo dia de quarentena e, a cada dia que passa, a pandemia agrava, agrava, e agrava; acho que estes últimos dias não nos têm trazido felicidade. E é mesmo sobre isso que te vou escrever hoje – será que sabemos mesmo o que é ser feliz?
Acho que todos procuram, ao longo da sua vida, atingir a felicidade; uns de uma maneira, outros de outra – todos queremos ser felizes. O que é certo é que ninguém sabe qual é a receita para a felicidade – todos temos origens diferentes, objetivos diferentes, responsabilidades diferentes; enfim, todos somos diferentes. Por isso, cada um deve fazer o que acha que contribuirá para a sua felicidade.
É na procura da felicidade que está o grande obstáculo. Como é óbvio, todos temos problemas, e nem tudo corre sempre bem, mas isso não deve ser razão para nos tornarmos pessoas desmotivadas e infelizes – muito pelo contrário! A verdade é que os problemas constituem ensinamentos e permitem-nos estruturar a nossa vida, tendo em conta os erros / objeções do passado e, por muito que esta seja uma frase cliché, ainda há quem não a entenda totalmente. Os problemas têm uma grande carga emocional e, certamente, não podemos controlar totalmente as nossas emoções de um momento para o outro; como tal, devemos tentar desenvolver uma mentalidade aberta e mais otimista, pois o contrário traz-nos diversos problemas psicológicos, que claramente nos afastam bastante da tão desejada felicidade.
Também não sei como posso realmente ser feliz mas, a meu ver, a base para a felicidade é a força de vontade, que nos permite ultrapassar mais facilmente os nossos problemas. E não esquecer: a felicidade também provém das nossas ações – ao contribuirmos para a felicidade dos outros, sentimo-nos melhor connosco mesmos.

Maria João Fontão (11ºC)



Dia 8 da quarentena, 23/03/2020

Começa uma nova semana e já temos novas tarefas. Pelo menos trabalho não falta. 
É a primeira vez que te escrevo duas vezes seguidas, acho que devíamos celebrar. 
Amanhã seria dia de visita de estudo e hoje seria então dia de preparar o farnel. Com certeza a minha mãe ir-me-ia obrigar a levar umas 3 mochilas, com rissóis, bolinhos de bacalhau, sandes, e tudo o que fosse necessário para sobreviver a um Apocalipse. 
Hoje demos banho à gata. Podes estar a pensar (sim, porque os diários pensam) “dar banho a gatos? Que estupidez”, e eu digo-te, meu amigo, que concordo totalmente contigo. Mas não há nada para fazer, e, tendo eu conhecimento do provérbio, “vai dar banho ao cão”, fui dar banho ao gato, porque “quem não tem cão, caça com gato”. 

Pedro Carvalho (11ºC)



23 março 2020
Querido diário,

Faz hoje 10 dias desde que foi declarado o encerramento das escolas.
O tempo vai passando e nós continuamos à espera de boas notícias que venham alterar os acontecimentos!
Para me distrair do meu dia cansativo passei parte da tarde com a minha família a divertir-me com jogos de sociedade. Foi bastante engraçado! Toda a gente se riu e deu para criar novas memórias.
Devido a esta fase complicada que estamos a viver temos de fazer coisas diferentes para não cairmos numa rotina aborrecida. Cabe a cada um de nós encontrar um entretenimento para aliviar o stress do dia-a-dia.

Bem, por hoje é tudo…

Matilde Carvalho (11ºC)



Dia 8 (23 de março de 2020)
Querido diário,
Já passou uma semana desde que te comecei a escrever.
A realidade é que o número de casos, desde a segunda-feira passada, aumentou mais de 1500. É um número bastante elevado e, para que não aumente mais, devemos ficar em casa e sair só quando for mesmo necessário.
Hoje foi um dia como os outros. Depois de tomar o pequeno-almoço, dediquei-me à escola com a resolução de exercícios. Ao acabar o “turno da manhã” fui preparar o almoço para a minha família e logo a seguir continuei a praticar e praticar.
Chegou o final do dia. É tempo de ver um ou outro episódio das séries que mais tenho gostado de seguir e realizar a atividade física para o dia de hoje.
São tempos de mudança, em que a incerteza prevalece… A esperança de um futuro melhor é aquilo que nos permite viver estes dias com mais alegria!
Miguel Almeida. (11ºC)



Segunda-feira, 23 de março de 2020
Querido diário,

Hoje começou mais uma semana em que não vamos à escola, contando como o oitavo dia desta quarentena. Vê bem, no início da semana passada, em Portugal, havia 331 casos de pessoas contaminadas e nenhuma morte e no momento em que te escrevo já há 2060 casos confirmados e 22 mortes. Contudo, há países onde a situação está muito pior, como a Itália que já conta com 50.418 pessoas infetadas pelo vírus e 6 mil mortos.
Esta quarentena, como os professores dizem, não são férias e, por isso, eles mandam o trabalho que faríamos se estivéssemos em tempo de aula e nós fazemos. Depois de os resolver, fui arrumar a cozinha e por fim, relaxar com a minha mãe enquanto víamos algo na televisão. Enquanto passava pelos canais, deparei-me outra vez com o problema que nos prendeu em casa, porém não eram notícias, era um documentário no canal Odisseia, no qual dava mais informações sobre o vírus e comparava o mesmo com a situação que ocorreu em 2002 com o vírus SARS.
Acabei o dia confiante de que iremos conseguir ultrapassar este momento de crise, porque se há 17 anos os médicos e especialistas conseguiram encontrar uma vacina para o SARS, com a tecnologia avançada que temos nos dias de hoje, não tardará a ser encontrada a cura para este. Porém, este futuro não depende só dos especialistas mas também da população comum que precisa se prevenir e ficar em casa o maior de tempo possível, de modo a pararmos o alastramento.
Agora despeço-me, porque amanhã é outro dia para trabalhar.

Lara Lima (11ºC)



Póvoa de Lanhoso, 23 de Março de 2020
Querido Diário,

O fim de semana passou. É Segunda-feira e são 10h da manhã. Estes dois últimos dias deram para esquecer um pouco, o ambiente arrebatador que estamos a viver diariamente.
Mas sabes querido diário, li uma notícia em que os cientistas preveem uma melhoria significativa para o início do mês de Maio. Nem sabes o quanto fiquei feliz. Tu podes até julgar-me, dizendo: “Então, não é bom estar em casa, dormir até tarde…?”, ao que eu te respondo: “ Claro que sim, mas não desta forma. Não estamos de férias. Muito pelo contrário, parece que estamos a jogar aos polícias e aos ladrões, já que estamos completamente inibidos de sair de casa, e se o fizermos, estaremos a cometer um crime. É assustador”. Para mim, isto não é liberdade. Não é democracia. Não é Portugal. Não é o meu mundo, mas sim um lugar onde caí, literalmente, de paraquedas, sem ninguém me avisar e sem saber o motivo pelo qual vim. Porém, a par de tudo isto, ontem andei pela primeira vez deste ano, de bicicleta. Nem sabes o quanto foi libertador. Parecia um dia “normal”, apesar de aqui, ter visto apenas duas pessoas, quando na realidade, moram cerca de vinte.
Enfim, a solução é mesmo a continuação deste duro caminho. Só assim teremos o nosso país de volta e o convívio com os nossos entes queridos, que tantas saudades tenho de os abraçar.
Um beijinho,
Ana Margarida. (12ºF)



COVID-19?  - Vírus super contagioso e perigoso… Consequências? Mata todos os dias muitas pessoas por todo o mundo e obriga a que fiquemos em casa fechados… Muito cruel, não é verdade? Mas será que todos nós já paramos para pensar no que é que isto ter surgido pode mudar a nossa forma de estar? Porquê ter surgido neste exato momento? Tantas e tantas perguntas… O importante é pegarmos nessas questões e refletirmos… Pois estamos em casa… Temos, pelo menos parece, mais tempo para parar e pensar.
Ah! Ao menos algo de bom este vírus trará… Refletirmos sobre o nosso mundo, a nossa vida, os nossos atos, será que podemos mudar alguma coisa? Sim, podemos. Há no mundo gente malvada, corrupta, desumana, egoísta… Há tanto para mudar… Vale a pena pararmos para refletir…
Este vírus obriga-nos a pensar mais no nosso próximo … O facto de estarmos em casa também nos obriga a esta reflexão.

Renata Tinoco (12.ºB)



Segunda-feira, 23 de março 2020

Querido diário

Hoje é o oitavo dia de quarentena e parece que a população portuguesa não quer ajudar a acabar com esta quarentena… Ontem vi uma notícia que referia que a polícia de Braga foi obrigada a intervir no trânsito para o Bom Jesus.
Eu não percebo também o que vai na cabeça das pessoas que querem adquirir tantos quilos de arroz com medo da pandemia e depois vão passear…


Ernesto Pereira (12.ºC)



Segunda-feira, 23 de março de 2020
Querido diário,

Já há alguns dias que não te escrevo. Hoje, decidi deixar a procrastinação de lado e finalmente voltar a dizer-te alguma coisa.
Nos últimos dias tem chovido, o que não tem ajudado muito na minha inspiração. Adoro dias luminosos, cheios de Sol e vida. Como é o caso de hoje. Hoje o Sol decidiu bater novamente à minha janela.
Aproveitei para me dedicar a algumas tarefas da escola e decidi que hoje seria o dia certo para começar a ler um novo livro. Adoro ler, é realmente uma das minhas grandes paixões. Como tal, quando possível, tento fazê-lo diariamente. Na realidade há livros que me consomem. Quando são realmente bons e o conteúdo de alguma maneira me faz ficar refém só descanso quando finalmente acabo o livro. É soberbo entrar numa história que não é minha e sentir o que não me pertence mas ler, ajuda-me a abrir a mente para novos horizontes e possibilidades, a tentar perceber melhor o outro e é por esse motivo que gosto tanto de o fazer.
A situação no país e no mundo está muito complicada e não consigo encontrar palavras para designar aquilo que sinto relativamente a isto. Mas, como sempre, faço questão que a esperança seja a palavra-chave da minha vida, sempre. Estou a fazer aquilo que está ao meu alcance, estar em casa.
Deste modo e ainda com a caneta na mão, querido amigo, digo-te que tenho a certeza que um dia será só uma lembrança e que olharei para trás com o sentimento de batalha vencida.

Cristiana Rodrigues (10ºB)


Querido diário,

Passou uma semana desde que este terror deixou metade do mundo “preso” em casa, falo contigo em modo de desabafo porque com tudo isto, não tenho outra forma de exprimir o que sinto. Não vejo a minha família há 6 dias, não posso pôr em risco os que me são tanto, tenho de me proteger para poder proteger os meus, passo os dias fechada em casa.
De dia para dia o número de mortos aumenta, não se sabe como travar esta realidade, que atinge ricos e pobres, que atinge todas raças e etnias sem escolher favoritos.
Escolas fechadas, ruas vazias, vidas paradas e como será o futuro? O medo torna-se maior a cada dia, um medo impossível de controlar.
No último ano, andei quatro vezes de avião e agora não posso andar mais de 100 metros fora da minha casa, o mundo era para o conhecermos e dele usufruirmos, mas esta chamada normalidade parece ter acabado, não sabemos quando as rotinas voltarão e tudo isso me assusta! E é por isso que te escrevo, para me encontrar, para me distrair e refletir!
Com toda esta situação, querido diário, percebi que nenhum luxo importa se não houver saúde, água potável, comida e amor, que estar em casa, por obrigação, obriga-nos a sair da nossa zona de conforto e para além disso outra coisa, para mim importante, estar com as pessoas é necessário para nos sentirmos acolhidos.

Tatiana Couto (12.ºB)



Diário 2 – 23 de março de 2020

Olá, meu pensamento!
Parece que me tenho esquecido de ir ao teu encontro... A verdade é que estes dias se têm revelado tão monótonos, que parecem carecer de substância e matéria para estar contigo. Assim, agora, penso sobre como estes últimos cinco dias em casa foram, em mim, momentos de novidade.
Para além da rotina e de tudo aquilo que estamos a viver de, infelizmente, extraordinário, ando a contrariar isso: tenho-me deixado fascinar, desde o primeiro vídeo, por uma pianista concertista, Tiffany Poon, cujo canal no Youtube me encantou e prendeu. A sua técnica, graciosidade e perfecionismo, o modo como torna acessível, a qualquer pessoa, os ambientes musicais que frequenta, a descoberta do modo como os pianos de uma das maiores, se não a maior, fabricantes de pianos são produzidos (a gigante Steinway & Sons) e o modo como Tiffany Poon leva os seus espectadores consigo no seu dia a dia, quer seja na compra de um novo piano ou nas viagens ao redor do mundo para participar em diversos concertos e competições, quer dando a conhecer museus de génios da arte musical, como, por exemplo, o Museu de Richard Wagner, na Suíça.
Com isto, tenho-me inundado de inspiração para, no mínimo, praticar duas horas diárias de piano! Quem sabe, no futuro, me aproximo da genialidade de Tiffany!... Aliás, isto tem sido concretizado através da prática de exercícios técnicos, como os do livro The Virtuoso Pianist, elaborado por Hanon. Um livro com sessenta exercícios, como escalas, por exemplo, que tem, como principal objetivo, a obtenção de uma maior uniformidade entre os dedos da mão esquerda e direita ou o melhoramento da precisão e rapidez dos movimentos de ambas as mãos.
Sabes, pensamento, a música também nos liberta desta “prisão” em que nos encontramos!... Leva-te, pensamento, para lugares, paisagens, mundos diversos, onde se pode olhar a tristeza, a melancolia, o amor, a felicidade, a euforia, ... a esperança!

Fernão Veloso (11ºC)



23/03/2020
Bom dia, companheiro.
Uma nova semana, uma nova etapa a vencer.
Começou a primavera. Na minha rua já despontam flores aqui e ali. O sol brilha e conforta. É tudo tão bonito, paradoxalmente parece ainda mais bonito! Será porque as crianças colaram belos desenhos coloridos nas varandas? Será que é por ouvir muito mais os pássaros ou por já ter conseguido saborear novos silêncios? Ou será, tão simplesmente, porque a vida é e foi sempre bonita?!... Esta é a resposta, simples e intuitiva. Todo o resto são etapas que vamos vencendo. Esta é mais uma. Vamos ultrapassá-la, ainda que estes dias nos façam, por vezes, lembrar a inquietante tarefa de Sísifo.   
Sísifo!... O título do belíssimo poema de Miguel Torga de que tanto gosto e que ecoa na minha cabeça. Que a todos ensina que desistir nunca é opção. Hoje e sempre!

Sísifo

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

                                                                        Miguel Torga, in Diário XIII
Rosa Martins


Dear diary,

It's today. It's definite. It's unavoidable. I deeply hate this virus and I hope it doesn't mess with me. I'm very angry about everything it is doing and about what it won't let me do. So I’m nothing satisfied with the devastation it's causing in the world, in countries, in companies, in families and in each of us.
I really hope tomorrow's a better day.

Stay fine. 
Marina Peixoto (11ºD)

domingo, 22 de março de 2020

aepl.estetempo 22.março.2020


Domingo, 22 de março de 2020
Querido diário,
Estamos hoje no sétimo dia de quarentena e resolvi escrever sobre as alterações climáticas.
Cada vez mais, o tema das alterações climáticas tem emergido, dados os seus reflexos negativos na sociedade humana. Como já sabemos, as alterações climáticas são consequência da poluição humana, como a industrialização, utilização de automóveis, sprays, entre outros; todas estas ações são extremamente extenuantes para o planeta, o que fará com que, no futuro, as consequências sejam irreversíveis e o nosso planeta fique completamente destruído.
Mesmo que sejamos constantemente sensibilizados para as consequências da poluição, ainda há quem acredite que os humanos não tenham qualquer tipo de responsabilidade sobre o assunto e que, até mesmo, essa poluição não existe. O facto é que esta é real e a nossa atitude irresponsável será drástica, não só para a espécie humana, como para todas as espécies, que padecerão, por exemplo, sem habitat ou alimento.
Como já referi no primeiro dia de quarentena, o estabelecimento de períodos de isolamento, por todo o mundo, levou à redução da poluição: na China, o teor de dióxido de carbono reduziu significativamente; em Veneza, as águas estão límpidas e cristalinas, novamente repletas de diversidade biológica. Portanto, quem ainda não acredita que os humanos são responsáveis pela poluição terrestre tem, agora, os últimos acontecimentos, que provam o contrário.
O planeta Terra é a base da nossa vida e, não existindo, até ao momento, um “planeta B”, devemos preservá-lo, assim como preservamos as nossas vidas – do que adianta tentarmos escapar desta pandemia, se não teremos onde viver no futuro?
Maria João Fontão (11ºC)


Querido diário,

Hoje, como era de esperar, deixei-me dormir mais um bocado pela manhã. Quando, finalmente, me levantei realizei alguns trabalhos de português e de inglês que tinha por fazer.
Visto que é domingo, almocei mais tarde e, depois, ajudei na cozinha.

Durante a tarde, continuei a estudar e, quando dei por isso, estava a chover torrencialmente. Tempo como este dá vontade de ir para a sala com uma manta super quentinha e ver um filme com a família! No entanto, a tarde foi destinada à escola e só à noite é que vamos aproveitar para estarmos juntos e ter um serão diferente.

Passados estes dias todos de isolamento sinto que isto tudo ainda está apenas a começar e que muito mais está para vir! Estou otimista em relação ao futuro pois, se formos todos cidadãos conscientes e responsáveis, iremos ultrapassar esta fase crítica.

Bem, por hoje é tudo…
Matilde Carvalho (11ºC) 



Dia 7 (21/03/2020)

Querido diário,

Hoje, conto o sétimo dia desde que foi decretado o isolamento profilático devido ao novo coronavírus, Covid-19, que até ao momento, já infetou 1600 pessoas e provocou 14 mortes, em Portugal.
Todos os dias, tenho acordado cedo e estudado um pouco de cada disciplina. Quando acabo os meus estudos, aproveito o tempo que me resta até à chegada dos meus pais, vindos de mais um dia de trabalho, para ver séries e fazer videochamadas com os meus amigos enquanto jogamos alguns jogos e pomos a conversa em dia. Após a chegada dos meus pais, ajudo-os a preparar o jantar, enquanto contamos como correu o nosso dia.

Hoje é domingo e, normalmente, acordo bem contente, após mais uma longa semana de escola, sabendo que me vou reunir com a minha família.
Costumamos encontrar-nos na casa do meu avô paterno, onde, juntamente com os meus tios e primos preparamos um bom almoço, após o qual, jogamos vários jogos, passeamos e passamos horas a conversar à mesa ou, simplesmente, a ouvir os tios a falar sobre política e negócios. Às vezes, também vamos ao “pavilhão”, local onde o meu tio costuma guardar os seus carros de corrida e ficamos horas a falar enquanto contemplamos os seus “filhotes”.
Ocasionalmente, também vou aos meus avós maternos, ultimamente, menos vezes do que gostaria. Lá, também passo bons momentos com eles, com os meus primos e os meus padrinhos.
Resumindo, os meus domingos são preenchidos de grande alegria.
Contudo, este domingo não foi tão especial como os outros. Devido ao facto dos meus pais e tios ainda irem trabalhar e poderem, eventualmente, ter contactado com alguém que estivesse contaminado, acharam melhor ficarmos todos nas nossas casas e, não contactarmos com aqueles que mais amamos, evitando colocá-los em perigo.
Esta foi uma boa decisão, contudo, não altera o facto de que já não estou com eles há cerca de duas semanas e as saudades começam a apertar. Ficar em casa, neste domingo, fez-me pensar que, se calhar, não tenho valorizado, tal como devia, a minha família e os momentos que passo com ela.

Resta-me esperar que esta pandemia se controle para voltar a estar com eles.

Diana Amarante (11º C)


Querido diário, resolvi escrever-te hoje, passados tantos anos de me terem oferecido um na minha adolescência. Decorria o ano de 1975 do mês de dezembro do dia 29. Que contentamento! A oferta da minha irmã mais velha, professora, foi importante porque era lá que eu podia escrever, sonhar e desabafar sobre o mundo, a minha vida, os meus segredos típicos daquela idade… Escrevi durante muitos anos nesse diário, que guardo religiosamente, que tem uma chave e onde escrevi e estão relatados os momentos mais importantes da minha vida. Todavia, já não o fazia há vinte e um anos, desde agosto de 1999. Hoje, voltei a fazê-lo de forma diferente, através de um computador, que não está fechado à chave, sendo que os motivos também são muito diferentes. Hoje o desabafo não é pessoal, é social. É mais um dia a acordar com as notícias de que o mundo se encontra numa constante luta contra este maldito coronavírus, que nos obriga a todos a estar atentos, a sermos solidários e a olharmos para os outros como se fôssemos nós. No entanto, este momento também nos traz algo de positivo! Sinto que as pessoas têm mais tempo, sentem necessidade de refletir, sentem que é tempo de todos nos unirmos e de olharmos para o lado. Aconselhamos livros, músicas, séries, filmes… Não tenho saído de casa. Hoje o dia está convidativo, o sol brilha e apetece - me passear… Não posso, não podemos. Apenas vou levar o Nody à rua por breves instantes. Em casa, faço a minha sesta e leio a biografia de Nelson Mandela. Que exemplo de vida!!!  As rotinas mantêm-se. Amanhã, será um novo dia deste tempo diferente. Começarei de novo a pensar na Escola, nos alunos, aulas e avaliações. Tenho a esperança que vai correr tudo bem.
Até breve,
Maria José Bastos
22/03 /2020


Dia 7 da quarentena, 22/03/2020 

Domingo é provavelmente, de todos, o dia mais entediante. Não se faz nada... Isto se tiveres feito alguma coisa durante a semana, como tal não aconteceu, o domingo foi apenas mais um dia como todos os outros 6. 
São já 1600 infetados em Portugal, e, felizmente, ainda não tenho nenhum familiar ou amigo com a doença do século. 

Estive a ler os Maias nos últimos dias e fui apanhado de surpresa pela qualidade do livro. Se não pensar muito no tamanho das descrições que mais se assemelham a um celeiro cheio de palha, posso dizer que realmente estou a gostar. 

Quanto à guitarra, tenho aprendido alguma coisa, lá pelo meio lá sai uma nota toda tremida, mas a pior parte são mesmo os dedos doridos, fazer o quê? São ossos do ofício. 
Agora vou fazer a mochila para a esc.... ups. 

Pedro Carvalho (11ºC)

Querido diário,
Infelizmente, a resposta de hoje mudou.
Hoje é domingo, é dia de estar com a minha família após uma longa e cansativa semana de escola.
Habitualmente, vou para a casa dos meus avós maternos e acabo por me encontrar com os meus tios e primos. Com eles, divirto-me a jogar Monopoly®, Risk®, ou uma simples sueca, conversamos muito e se o tempo o permitir fazemos uma boa caminhada pelas terras do Gerês.
Ficar em casa, neste dia, depois de saber que um primo meu foi infetado pelo novo coronavírus fez-me ficar com imensas saudades da minha família. Saber se eles estão bem e se estão felizes são preocupações que tenho tido. De facto, os momentos que tenho passado com eles têm contribuído e muito para a minha felicidade e são fundamentais para me motivarem a encarar uma nova semana de estudos.
Bem, agora já não quero que a resposta de hoje se mantenha. Quero sim que o meu primo recupere o mais rápido possível e que mais ninguém, familiar ou amigo meu, fique afetado pela COVID-19.
Miguel Almeida.(11ºC)


Amigo, diário

Acho que já nos podemos tratar assim. No início, tive algum pudor. No entanto, agora que já te confidenciei que me fazes falta, estou mais à vontade para me dirigir a ti desta forma. Hoje foi talvez o dia mais "normal" desta quarentena. Não saí de casa, mas isso em nada difere de quase todos os outros domingos. Bem, tenho que admitir que faço parte dos caminhantes matinais ao Bom Jesus, recolhendo-me o resto do dia em casa. Mas hoje não pensei sequer em tal coisa, tal como as queridas amigas que habitualmente me acompanham. Parece que nem todos pensaram como eu e a Polícia teve que intervir! O bom senso nem sempre nos guia, e, por vezes, todos somos apanhados na nossa rede de imprudências.

O meu dia de hoje? Segui a minha rotina de mãe de família e continuei com as minhas leituras. Ainda não te tinha dito, mas voltei a pegar nos livros que ando a ler há já tanto tempo. Nunca ando a ler só um. Decerto faço mal, mas pouco importa. As revistas semanais e os semanários da atualidade consomem muito do tempo que dedico à leitura, porém já estou cansada da insistência no tema, e tu bem sabes qual é. Não te quero maçar, querido e amigo diário, hoje vou ficar por aqui. O meu gato está a pedir comida, ele acha que é gente e por isso comporta-se como os filhos. Insiste  e é  chato quando não lhe fazem a vontade! Também a família precisa de ir jantar, eu, por mim, fazia-te companhia por mais algum tempo. Não fiques triste, amanhã volto!
Isabel Friande



Querido diário,

É domingo e era costume acordar por volta das 8h e ir à missa. Mas devido ao isolamento social não se pode e, além disso, a preguiça tomou conta de mim e só acordei às 10h. Mas não deixei de ver a missa transmitida na televisão.

Sempre achei o domingo um dia especial. Normalmente eu, o meu irmão, a minha mãe e o meu pai (quando estava cá) íamos visitar algum familiar, almoçar por lá ou convidávamos um tio, uma tia, um primo… íamos a uma festa… Resumindo é o dia da família. E hoje, embora de forma diferente, não deixou de o ser e então passamos a tarde a jogar dominó ao som da trovoada, da chuva, da saraiva. Foi muito divertido, não porque eu ganhei por acaso, mas porque há muito tempo que não estávamos juntos a conviver, sem a interferência da internet, do telemóvel, do computador, da televisão. Só tenho pena de não poder ver a minha única avó que tem alzheimer e está acamada num estado bastante debilitado.

Este dia fez-me perceber o quão importante é investir nas relações pessoais, no convívio, na interação e não só nas redes sociais, nos likes, na popularidade. Por isso, uma coisa que este tempo tem de bom é isso, uma maior aproximação entre as famílias.

E como eu te considero parte da família, obrigada por estares aqui presente.

Amanhã conviveremos mais um pouco. Xau...

Marina Peixoto (11ºD)



Este tempo… dia 9
22.Março.2020

Domingo… e os dias teimam em manter o seu nome mesmo quando não podem ser quem são.

Margarida Corsino da Silva