sexta-feira, 20 de maio de 2022

EMRC Spring Fest ‘22

Ainda a saborear as experiências e memórias vividas no passado dia 13 de maio, partilhamos alguns ecos dos alunos dos 8.º e 9.º anos inscritos na disciplina de EMRC, sobre a atividade que decorreu no Parque da Cidade da Póvoa de Varzim.

“Incrível! Foi a melhor atividade que já realizei com a escola!”  

“Foi um dia perfeito!”

“Foi uma atividade fantástica e inesquecível.”

“Gostei muito de conhecer outras pessoas e fazer novos amigos.” 

“Quero voltar!

 “Adorei a música e as atividades foram divertidas. Gostava de repetir.”

 “O dia e o espaço foram maravilhosos.”

 “Descrevo a atividade numa palavra: espantosa.”

 “Foi uma experiência única e maravilhosa!”

 Os alunos do nosso Agrupamento tiveram oportunidade de participar em diversas atividades ao longo do dia: paddle, escalada, slide, concertos, aulas de teatro, ioga e krav maga, workshops dinamizados pelos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim, Cruz Vermelha Portuguesa, Lipor e Centro de Investigação em Biodiversidade da Universidade do Porto. A animação musical e o convívio com alunos de outras escolas foram, sem dúvida, alguns dos momentos mais apreciados.

 O EMRC Spring Fest foi a 1.ª edição do encontro dos alunos de EMRC do 3.º ciclo do ensino básico das escolas da Arquidiocese de Braga, organizado pelo Departamento para a Presença da Igreja no Ensino, em parceria com a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim. “Cuidar da Casa Comum” foi o tema da atividade, que pretendeu, acima de tudo, “valorizar comportamentos de responsabilidade social em relação ao ser humano e à natureza” e “fortalecer o espírito de união e relação com os outros num ambiente de reciprocidade e empatia”.

 Isabel Cunha

EMRC


 

quinta-feira, 19 de maio de 2022

«NEVER APOLOGIZE FOR WHO YOU ARE»

     No passado dia 2 de maio, os alunos do 10º C, no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, a cargo da professora Isabel Friande, realizaram uma intervenção no principal lanço de escadas da Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso. Essa intervenção constou da pintura dos espelhos das referidas escadas com seis das cores do arco-íris, numa alusão à bandeira da comunidade LGBTQIA+, num esforço coletivo com vista a, além de embelezar o recinto da escola, sensibilizar a comunidade escolar para a aceitação da diferença e, assim, promover a inclusão e a pluralidade de escolhas. A mensagem que este projeto ambiciona transmitir é clara. "Todos são bem-vindos à nossa Escola, não importa o tom de pele, o género, a etnicidade, entre outros aspetos. Somos todos iguais, apesar das diferenças que nos tornam únicos."

                   Em nome da turma: Diogo Fernandes, 10º C 

Oficina de escrita realizada no final do 2.º período com os alunos do 5.ºB e 6.B

 

Deixamos o registo de dois desses trabalhos ( outros serão posteriormente publicados)

 

Estranhas conversas

No domingo passado, estava eu com a minha mãe no centro comercial quando, de repente, ouvi uma voz meiga e baixa. Parecia sussurrar, mas, quando tudo observei à minha volta, não vi ninguém. Até pensei que fosse a minha mãe.

- Disseste alguma coisa, mãe? Falaste tão baixo que não te consegui perceber.

- Não disse nada! Olha, vou ali ver as roupas de criança. Quero comprar um casaco para o teu irmão.

Continuei a mexer aqui e ali para ver se algo me interessava. Repentinamente, ouvi outra vez:

- Ó camisola, ninguém te quer comprar? 

- Queria tanto ter alguém que me levasse e cuidasse bem de mim! – respondeu uma camisola com ar triste por ainda estar na loja.

As calças azuis continuaram a conversa:

- Gosto muito de estar aqui. Temos sempre muitas visitas.

- Eu não! Quero sair num corpo jovem, esbelto e giro. Quero viajar! – respondeu a camisola, já com voz zangada e impaciente por estar ali há muito tempo.

Tinha vindo da China, fizera a viagem dentro de um camião, embalada com outras peças. Umas já ali não estavam, outras continuavam penduradas e imóveis. Por sua vez, as calças, com espírito nacionalista, diziam orgulhosamente que tinham nascido em Portugal e ali gostariam de continuar.

Entretanto, uma jovem aproximou-se e pegou na camisola que esboçou um grande sorriso e lá foi amassada nas mãos daquela estranha que, sem pensar muito, a comprou.

As calças, com ar de enfado, lá continuaram na loja, agora silenciosas.

 Ou teria eu imaginado esta conversa?

 

Mariana Lopes e André Veloso, 5.ºB 

 

 

Roupas Falantes

Certo dia, eu e a minha mãe decidimos ir ao centro comercial para comprar algumas peças de roupa.

Quando chegámos, avistámos lojas com montras repletas de roupas coloridas e modernas. A minha mãe, com um sorriso de orelha a orelha, disse-me de imediato:

- Vamos ver aquela loja, filho!

E eu, não querendo contrariá-la, aceitei.

Dentro da loja, encantado com tudo, a minha mãe reparou em duas camisolas muito bonitas. Afastou-se de mim para as vestir e eu encostei-me a uma prateleira enquanto aguardava pela sua presença com as camisolas novas. Foi então que comecei a ouvir murmúrios:

- Estou farto de estar aqui! Ninguém me escolhe! - disse, com um ar zangado, uma camisola vermelha com bolas pretas.

- Eu também! - disse, com uma voz rouca, uns calções amarelos fluorescentes.

Achando estar maluco, olhei e não vi qualquer ser humano próximo de mim. Quem estaria a falar? Afastei-me e procurei a minha mãe que mexia nalgumas peças de roupa. Aproximei-me e ouvi mais uma vez:

 

- Tenho a certeza que ela me vai escolher, pois sou muito mais bonita do que tu. Sou fresca e jovem e tu tens um ar cansado e aborrecido! – disse, muito vaidosa, uma camisola branca com detalhes pretos.

- Eu não teria assim tanta certeza, pois a senhora parece gostar muito de mim. Já reparaste como me afaga? – respondeu-lhe, de forma mais humilde, uma camisola azul.

E foi o que aconteceu. A minha mãe escolheu-a, o que deixou a camisola branca com ar enfurecido. Eu continuava sem perceber o que estava a acontecer. Tentei contar à minha mãe, mas ela disse que foi tudo resultado da minha imaginação e do meu gosto por histórias bizarras. Era tudo tão estranho. Será que realmente aconteceu?

 

Diogo Fernandes e Simão Silva, 6.º B

 

domingo, 15 de maio de 2022

Farsa de Inês Pereira



E porque as palavras vivem para lá dos livros, para lá dos muros da escola, os alunos das turmas do 10.º ano da Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso, na tarde do dia 9 de maio, tiveram a oportunidade de ir ao teatro. O Cine Fórum dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso foi o palco da representação de uma das mais emblemáticas peças de Gil Vicente – a “Farsa de Inês Pereira”.

Foi, certamente, uma forma de desenvolver a educação literária, aprofundando a leitura e a apreciação estética de uma das mais representativas obras do teatro vicentino e da literatura portuguesa do séc. XVI. Não terá deixado de ser, igualmente, um momento propício para estimular a sensibilidade estética e artística, bem como o pensamento crítico e criativo, enquanto áreas de competência do perfil dos alunos.

No final, ainda houve tempo para um breve diálogo ou momento de partilha entre os atores, professores e alunos, sobre o espetáculo em si e o Teatro no seu todo, ocasião propícia para relembrar algumas das problemáticas intemporais que são abordadas na obra e que são temas sempre inerentes a uma verdadeira educação para a cidadania: a liberdade de expressão, a liberdade de movimento, a liberdade no casamento, a (in)fidelidade, o papel da mulher na sociedade, a violência doméstica…

Glosando o tema lançado, em jeito de desafio, a Mestre Gil, como mote desta obra, tendo em conta as reações dos alunos durante toda a representação, bem estampadas no regozijo que evidenciaram no final, poderia dizer-se: “Mais quero espetáculo que me eduque, que atividade que me enfade”!

 

 

José Gonçalves Viegas