A
escola desempenha um papel central na sociedade, não apenas como espaço de
transmissão de conteúdos, mas sobretudo como agente educativo. Para mim, esta
dimensão é a mais importante, pois permite que a escola combata problemas
sociais graves como o tráfico humano, a falta de trabalho digno, o racismo, a
xenofobia e muitas outras desigualdades, mas será que a escola sozinha consegue
combater esses problemas todos? Não! A escola, por si só, não consegue resolver
fatores estruturais, como pobreza, desemprego, políticas migratórias inseguras
ou a ação de redes criminosas que tornam as pessoas vulneráveis.
Assim,
a educação deve ser entendida como necessária, mas é insuficiente, logo,
torna-se fundamental que, concomitantemente, exista legislação eficaz e
políticas públicas de proteção.
Para
reduzir estas desigualdades, a escola deve agir ativamente, por exemplo,
promovendo palestras nas quais os alunos possam discutir estes temas e
compreender o impacto que têm nas vítimas. Este contacto com a realidade pode
aumentar a empatia e desencorajar comportamentos discriminantes ou
exploratórios.
No
que diz respeito ao trabalho digno, seria útil reforçar o tempo dedicado à
cidadania ou criar uma disciplina específica focada em competências essenciais,
como literacia financeira, pensamento crítico e direitos humanos. Estas
aprendizagens aumentam a capacidade dos jovens reconhecerem e resistirem a
aliciamentos, especialmente online.
Além disso, a presença de um profissional especializado em orientação laboral
poderia ajudar os alunos, e até pessoas fora da escola a identificar propostas
de trabalho seguras e com condições dignas.
Para
combater o racismo e a xenofobia, a escola poderia promover eventos que
celebrassem a multiculturalidade, como feiras culturais para partilha de elementos/bens
das suas origens. Paralelamente, as aulas de cidadania podem combater a
desinformação, os estereótipos e o discurso de ódio.
Relativamente
ao tráfico humano, é fundamental ensinar segurança digital, já que muitas
situações de aliciamento começam nas redes sociais. Também neste assunto as
aulas de cidadania poderiam marcar pontos Pois temas como migração segura,
exploração laboral e direitos humanos deveriam aí ser conversados/explorados. A
educação para a igualdade de género também desempenha um papel essencial,
reduzindo vulnerabilidades específicas e diminuindo o risco de exploração
sexual ou casamento forçado.
Assim,
a escola devia adotar programas preventivos adaptados à idade dos alunos,
formar professores na identificação de sinais de risco e estabelecer parcerias
com entidades de proteção. A formação profissional deve ser regulada e ligada a
empregadores responsáveis, e as políticas escolares precisam de estar em
articulação com apoios sociais que reduzam vulnerabilidades familiares. Avaliar
regularmente os programas implementados é fundamental para garantir que têm
impacto real.
Em
suma, a escola desempenha um papel crucial no combate a muitos problemas
sociais, pois grande parte deles tem origem numa educação insuficiente ou
distorcida. Cabe, por isso, à escola promover uma educação inclusiva e
consciente, contribuindo para uma sociedade mais justa, segura e acolhedora
para todos, embora ela não seja autossuficiente, porque uma educação pautada
por valores éticos e morais em casa,
isto é, no seio da família de cada um de nós, também é determinante no combate
às desigualdades.
Jesus Tinoco
Fontes
utilizadas:
https://files.eric.ed.gov/fulltext/ED673870.pdf
https://poverty-action.org/evaluating-effects-anti-trafficking-school-curricula-tackling-commercial-child-sexual-exploitation
https://www.unesco.org/en/articles/key-data-girls-and-womens-right-education
https://www.nea.org/nea-today/all-news-articles/how-schools-and-educators-can-combat-human-trafficking