A Jornada dos Séculos pela Liberdade: Refletir sobre a história para
construir o futuro.
A
história é muito mais do que um simples registo do passado. É uma herança viva
que nos ajuda a compreender o presente e a construir o futuro. A liberdade e a
democracia, que devido ao costume, damos hoje como garantidas, resultaram de
lutas do passado e conquistas que não podem ser esquecidas. No âmbito do Dia do
Agrupamento, o grupo de História promoveu uma iniciativa que convidou
toda a comunidade escolar a refletir sobre momentos marcantes da nossa
identidade comum.
Esta
atividade teve lugar na Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso, onde se
destacou a glamorosa exposição de painéis ilustrativos baseados em caricaturas
de Abel Manta, representados por diversos alunos e alunas do sétimo ano de
escolaridade no ano letivo anterior. A abordagem de questões como a
desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres, que após o 25 de abril foi reduzindo de forma
contínua e significativa, a educação como instrumento de ascensão social e as
consequências do regime Salazarista no quotidiano da população, também foram
recordadas.
Durante o Estado Novo, a alta
taxa de analfabetismo era vista com preocupação até por Salazar, que dividia a
sociedade portuguesa em cinco categorias principais: “os ineducáveis ”, “os normais estúpidos”, “os de inteligência média”,
“os de inteligência superior” e os “notáveis”. A falta de acesso à
educação contribuía para um ciclo de desigualdade, em que 23% da população era
retirada da escola precocemente. O isolamento internacional a que Portugal
estava sujeito, traduzido no lema "orgulhosamente sós" e a
necessidade de muitos portugueses em emigrar "a salto" em busca de
melhores condições de vida, também foram temas explorados.
A atividade
decorreu ao longo do dia e envolveu diversas turmas que participaram em momentos
distintos. Um dos momentos mais especiais foi quando os participantes se uniram
para cantar a icónica canção "Somos Livres" de Ermelinda Duarte, em que eu priorizo o verso "Somos livres,
somos livres, não voltaremos atrás”, pois é um poderoso lembrete do significado
de uma conquista tão importante mas
que para muitos passa despercebido. Depois deste momento simbólico, os alunos
foram convidados a responder à pergunta: "O que significa para ti o 25 de Abril?". As respostas foram
reunidas num painel coletivo e expostas.
O
25 de Abril foi mais do que um dia de
revolta, foi a abertura de um caminho para a liberdade e para um Portugal mais
justo. No entanto, a história ensina-nos que direitos conquistados podem ser
perdidos se não forem defendidos. Cabe a cada geração refletir sobre o
significado da democracia e assumir a responsabilidade de garantir que nunca,
de facto, “voltemos atrás”. Afinal, ser livre é um direito, mas também um
compromisso. E tal como o filósofo Inglês
Herbert Spencer dizia e bem, “A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”.
Simone Marques,12.ºD