domingo, 5 de abril de 2020

aepl.estetempo 5.abril.2020



Domingo, 5 de abril de 2020
Querido diário,
Estamos, hoje, no vigésimo primeiro dia de quarentena e tem-me intrigado a forma como determinados governos lidam com esta epidemia. E falo especificamente da forma como Bolsonaro, presidente do Brasil, encara esta situação como de reduzida importância.
Desde que Bolsonaro se candidatou a presidente do Brasil, tem causado grande revolta e nem nesta situação deixou de o fazer. O presidente defende que problemas como a fome (que, há algum tempo, afirmou não existir no Brasil) são muito mais graves e merecem maior atenção; como tal, opõe-se ao isolamento social, que é defendido pelo Ministro da Saúde do país.
Acho que é óbvio que Bolsonaro está completamente errado e assume uma atitude de absoluta irresponsabilidade, porque, se já é difícil “prender” a população em casa quando o governo avisa constantemente para tal, quando não o faz, o risco a que o país está sujeito é bastante maior.
Mas, desta vez, o país opôs-se às regras de Bolsonaro e li que as suas ordens estão a ser desprezadas pelas autoridades, portanto, quem dará as ordens no que toca à Covid-19, será o general Braga Netto. O presidente da república tem perdido bastante popularidade mas, mesmo assim, mantém a sua posição de que é fácil ultrapassar este problema, mesmo tendo exemplos de vários países que enfrentam dificuldades severas.

Maria João Fontão (11ºC)



05/04/2020
Olá Diário,

Começo por te pedir desculpa, uma vez que já faz algum tempo que não te escrevo. Isto resultou do facto da repetição de todos os dias desta semana, não havendo nada incrível ou até mesmo inovador para te contar. Sendo assim, como podes imaginar, o dia de hoje foi um pouco diferente dos anteriores.
Pela primeira vez, nestas últimas três semanas, decidi sair de casa, com o objetivo de ajudar a minha mãe nas compras, uma vez que seria impossível carregar todas as mercadorias caso fosse sozinha. Como é óbvio, seguimos todas as medidas de prevenção, respeitando a distância social recomendável. Deste modo, não seria necessário sair com mais frequência de casa, e como estamos todos em contacto em casa, seria ilógico e inútil apenas uma pessoa sair, uma vez que o risco de contaminação seria exatamente o mesmo. Sendo assim, decidimos sair na hora de almoço, pois o tráfego de pessoas seria menor. De facto, esta saída de casa, melhorou consideravelmente o meu estado psicológico, uma vez que, como já referi, estive durante vários dias “preso” no mesmo local.
Desde o início de tudo isto, sempre pensei que tudo iria passar rapidamente, uma vez que vivemos num período marcado pelos grandes avanços tecnológicos e científicos. Porém, tudo parece estar a piorar e, agora, os principais países que sustentam todo o comércio mundial, estão a começar a desmoronar-se e progressos não têm sido alcançados. Será esta a grande extinção humana que um dia teria de acontecer?
 Até amanhã velho amigo, espero eu...

Fábio Rodrigues (11ºC)


Dia 16 (5 de abril de 2020)
Querido diário,                                                                                                                                                             
Hoje é domingo de ramos, o dia em que começa a Semana Santa.
A Semana Santa de Braga, que conta com um programa cultural diversificado e único e que visa celebrar o tempo da Quaresma, é um evento ao qual costumo aderir todos os anos. As procissões e os espetáculos que assisto com a minha família são momentos que geralmente marcam as minhas férias da Páscoa. Desta vez, o marco será outro…
Na semana passada, eu e a minha família iríamos fazer pizzas mas devido à situação que temos vindo a viver não foi possível nos juntarmos e, por isso, nós os quatro decidimos fazê-las hoje.
Desde a semana passada, os casos aumentaram quase para o dobro e o número de mortes quase triplicou. No entanto, o número de recuperados também aumentou e, assim, vai continuar…
Miguel Almeida. (11ºC)


Querido diário,

Hoje esteve a chover o dia inteiro o que tornou esta quarentena um pouco mais aborrecida. Passei o dia todo dentro de casa, mas não deixei de me divertir.
Acordei por volta das 9 horas e tomei o pequeno-almoço com a minha mãe enquanto o meu irmão ainda dormia. Depois todos juntos assistimos à missa do Domingo de Ramos.
Não sei se te cheguei a contar, no entanto, ontem fizemos uma cruz de videira decorada com ramos de oliveira e penduramos na porta. Depois iremos acrescentar acessórios característicos de cada dia importante da semana santa.
De tarde, dediquei-me um pouco à minha beleza pessoal; arranjei e pintei as minhas unhas. Também sou a little bit vaidosa de vez em quando.
Para nos alegrarmos e aproveitarmos este tempo juntos, jogamos à Bisca do 9 e às “orelhas”. Há um tempo disse-te que o domingo era o dia da família e então faz todo o sentido aprofundar os nossos laços e matar as saudades. Ainda por cima, é quando todos falamos com o meu pai que está na Suíça, já que durante a semana ele continua a trabalhar.
 Amanhã voltarei à rotina habitual.

Marina Peixoto (11ºD)





Este tempo… dia 23
5.abril.2020

E começou esta Grande Semana. Que ela seja tempo de encontro. Rumo à Vida!

Margarida Corsino da Silva


sábado, 4 de abril de 2020

aepl.estetempo 4.abril.2020


Dia 15 (4 de abril de 2020)
Querido diário,
Estes dias têm sido muito repetitivos: ver séries, passear a Cuca, ler, fazer exercício físico, arrumações… Hoje, para além do habitual, fiz bolachas para quebrar um pouco a rotina.
Quinta-feira foi renovado o estado de emergência por mais quinze dias e dia 9 de abril serão divulgadas as medidas relativamente ao funcionamento do 3º período letivo. Até ao 9º ano o ensino será assegurado pela telescola e será uma oportunidade de reviver os tempos do século passado. A nós, alunos do secundário, resta-nos esperar…
Esta semana, deixamos o mês de março para trás, o mês em que foi detetado o primeiro caso infetado pelo novo coronavírus em Portugal, um mês em que nos divertimos muito, trabalhamos, nos abraçamos pela última vez e nem sabíamos, e vimos, pela primeira vez em tempos de democracia, decretado o estado de emergência. Entramos, assim, no mês de abril, o mês da revolução. Desta vez, não vamos derrubar a ditadura mas sim a pandemia do COVID-19, por isso, este mês é mesmo crucial para alterarmos o rumo dos acontecimentos que se têm vivido.
Miguel Almeida. (11ºC)


Sábado, 4 de abril de 2020

Esta é a terceira semana em casa e hoje, ainda mais que nos outros dias, sinto-me em baixo. Era suposto estar a caminho das férias pelas quais esperei o ano inteiro. Se a nossa vida ainda fosse normal, estaria, com as malas feitas, a caminho da Póvoa de Varzim para passar o fim de semana com os meus avós e ver todos os meus amigos que tenho lá.
A palavra que se encaixa melhor neste momento é saudade. Tenho saudades de quando podia ver quem amo quando me apetecia, tenho saudades dos abraços, dos carinhos e dos beijinhos. Queria poder acordar e dar um beijo de bom dia aos avós, queria dar um passeio matinal pela praia e acabar o dia no café do costume, na mesa do costume, rodeada pelos amigos do costume que me fazem tão bem… Tenho saudades de quem me amacia o coração e me acalma a alma, tenho até saudades dos momentos que não pude viver.
Viver enclausurada num T4 não é fácil para ninguém, os dias são passados entre estudo e séries na Netflix… O medo que a incerteza do futuro nos oferece rouba o sono a qualquer um.
Mas vamos vivendo todos, um dia de cada vez (que por acaso são todos iguais).
Anseio por sentir uma carícia ou poder abraçar quem tanto amo. Nunca fui de grandes afetos, mas aprendi a valorizá-los.

Ana Rita Oliveira (12.ºB)



Querido diário,

Hoje é dia quatro de abril e estamos há três semanas em isolamento. Três semanas sem sair de casa, sem ir à escola, sem conviver com a nossa família e amigos.
Estes dias estão a permitir-me refletir. O mundo parou, estando a sobreviver com o estritamente necessário. Se pensarmos bem, apercebemo-nos que, rapidamente, todos os nossos objetivos e prioridades são obrigados a ficar para segundo plano, pois algo maior aparece. “Um bicho da terra tão pequeno” torna-se uma marioneta de um “Mostrengo” invisível e omnipotente, incapaz de se render. Por isso, pergunto: seremos assim tão poderosos como nos achamos ou não passaremos de um ser vivo subjugado à soberana Natureza?
Deste modo, é nosso dever, em prol da nossa saúde, regermo-nos ao seu comando para que, todos juntos, no final, consigamos erguer-nos mais fortes, mais conscientes e mais atentos ao outro.

Uma boa noite!
Inês Vieira Lopes (12.ºB)



Sábado, 4 de abril de 2020
Querido diário,

Estamos, hoje, no vigésimo dia de quarentena e decidi falar-te de uma coisa sobre a qual sempre pensei muito – a importância da palavra.
Este tema pode soar-te um pouco cliché mas a verdade é que sempre me intrigou. Do meu ponto de vista, as palavras são muito mais do que uma forma de nos compreendermos uns aos outros – são a forma como expressamos o que sentimos. E, apesar de esta ser uma limitação, uma vez que há bastantes sensações que não conseguimos traduzir em palavras, não deixa de ter muita importância.
Mas o que realmente acho curioso é o facto de, com um simples conjunto de letras, conseguirmos fazer uma grande diferença na vida de alguém. Uma palavra (ou um grupo delas) pode deixar marcas na mente de uma pessoa por toda a sua vida, tanto pela positiva, como pela negativa. Por isso, por muito banais que as palavras possam soar, é necessário saber usá-las.

Maria João Fontão (11ºC)



Querido diário,
Estes dias têm sido uma constante repetição de ações. Acordar, tomar o pequeno-almoço, ler, almoçar, ver séries, fazer exercícios físico, lanchar, ler ou estudar, jantar, escrever-te e ver mais séries.
Uma rotina normal para quem está de quarentena. Mas sobra sempre tempo para refletir sobre toda esta situação e a minha vida em geral.
No início, quando o vírus ainda estava em território chinês, ninguém se importou com a gravidade desta moléstia, ou quase ninguém, porque eu conheço apenas uma pessoa que demonstrou estar preocupada. Pois, é verdade, uma pessoa. A minha professora de matemática foi a pessoa que nos disse que tinha passado imenso tempo a tentar encontrar informação sobre se o vírus já tinha saído da China ou não.
Para ser sincera naquela altura eu própria desvalorizei em parte este vírus e, como muitos, estava focada na minha vida e rotina. Mas como já sabes, ele espalhou-se como uma mancha de sangue pelo mundo inteiro e agora estamos nesta situação caótica.
Contudo, apesar do mundo estar em suspenso, a Humanidade está mais unida do que nunca por uma grande causa. Estou confiante que juntos vamos vencer este combate doloroso e cansativo e algumas armas importantes são a solidariedade, o respeito pelo próximo, a benevolência, a paciência e a calma.

Marina Peixoto (11ºD)



Este tempo… dia 22
4.abril.2020

Comecei a preparar o cantinho onde celebrarei esta Semana Maior. Ficou bonito. Enquanto o preparava, tantas imagens e tantos sons passaram pela minha memória. Canto e linhos. Mãos e pés. Gestos e palavras. Velas e trevas. Cruz. Fogo e Luz. A Semana Santa e o Tríduo Pascal são dos momentos que mais marcam o meu ano. Por todo o sentido que têm. Por todo o sentido que dão.
Enquanto isso, pensava em quem serão aqueles que primeiro quero abraçar quando terminar este tempo. Pensava, afinal, naqueles com quem me relaciono e como essas relações que se entrelaçam são vitais. Agradeci-os. Um a um. Desejando não esquecer como os desejo abraçar.
  
Margarida Corsino da Silva

sexta-feira, 3 de abril de 2020

aepl.estetempo 3.abril.2020



Querido diário,
Hoje uma amiga minha jogou uma cartada muito forte e pertinente sobre o meu futuro próximo. Pois… eu sou uma excelente aluna, estou com uma média extraordinária e pretendo sem hesitar entrar na universidade.
Ela disse-me então: “Tu com as tuas notas de génio vais poder escolher o que tu quiseres. Já sabes o que vais fazer?”. Sem pensar muito respondi logo que quero entrar no curso de economia, para já é esse o foco.
Mas isto não é o mais importante, sabes porquê? Porque eu tenho um sonho muito grande que é ir para a Nova School of Business and Economics em Carcavelos, Lisboa. É a escola de topo de Portugal, eu teria um ensino espetacular e uma grande abertura para o mercado de trabalho, não só aqui, mas também fora do país. Além disso, gostava muito de estudar um período numa escola no estrangeiro, provavelmente no Reino Unido.
Contudo, isto não vai passar provavelmente de um sonho porque os meus pais não querem isso. Por um lado, sei que vai ser muito dispendioso e, por outro, eles sabem que a Universidade do Minho também tem um bom ensino e como é perto de casa, não há propósito de ir para tão longe.
Ela deixou-me a pensar e um pouco triste por saber que existem muitos jovens que dariam tudo para conseguir entrar lá e não conseguem uma vez que não têm média; e eu, com média superior a 19, não o poderei fazer.
Atualização da CIVID-19: 9886 infetados e 246 mortos a lamentar.

Marina Peixoto (11ºD)




Dia 19 da quarentena, 03/04/2020 

É em dias como este que não sei o que posso escrever... 
Já escrevi e apaguei a mesma frase no mínimo 3 vezes até agora. 
Bem... como o meu dia não foi nada de interessante vou-te falar de como anda o mundo. 
São já mais de 1.000.000 os infetados. Morrem milhares de pessoas todos os dias e, no entanto, temos presidentes, como o do Brasil, a dizer que isto é apenas uma “gripezinha”. 
Nos EUA o número de infetados passou de 5000 para 250.000 em apenas 15 dias. Seria este o nosso destino se não tivéssemos entrado em quarentena no momento em que entramos? 
Surpreendentemente, a China mantem-se nos 80.000 infetados desde o início de março sendo o quinto país com mais infetados. 
Quanto a nós, temos cerca de 10.000 infetados e 246 mortes a lamentar. Penso que a população está já inteirada do problema que vivemos. Temos pessoas a sacrificar o tempo e a proximidade com a família para que estes números não subam de forma incontrolável, a estas, devo a minha gratidão e respeito. 

Pedro Carvalho (11ºC)


Sexta-feira, 3 de abril de 2020
Querido diário,
Estamos, hoje, no décimo nono dia de quarentena e não vou dar-te a minha opinião sobre nenhum tema, mas falar-te de algo de que me apercebi.
E que “algo” foi esse? Bem, não sei se isto se verifica em todo o lado mas, pelo menos por aqui, tenho reparado que há mais movimentação do que havia há uns dias. Escusado será dizer que essa atitude não tem sentido absolutamente nenhum, pois a pandemia tem vindo a piorar, e não o contrário.
Talvez, agora, te estejas a perguntar o porquê deste súbito aumento de movimento nas ruas (que não foi significativo mas, de facto, aconteceu). A meu ver, algumas pessoas “habituaram-se” a este problema. Como assim “habituaram-se”? Quando nos deparamos com uma situação diferente e/ou grave, tendemos a ficar em choque, e este vírus não foi exceção: no início, a maioria de nós entrou em pânico (uns mais do que outros) mas, conforme nos fomos habituando a lidar com esta situação, o nosso foco distanciou-se um pouco dela. E, apesar de as medidas de segurança serem cada vez mais restritas (pois a doença tem piorado), parece que as pessoas encaram o problema com a mesma preocupação ou de forma mais leve.
Como já referi várias vezes desde o início da quarentena, este é um problema grave e, mais uma vez, todos nós devemos seguir as regras que nos são dadas, para que o possamos ultrapassar.

Maria João Fontão (11ºC)

3 de abril de 2020
Aceitei o desafio com grande interesse e entusiasmo de escrever um texto da minha autoria, para participar no Concurso Literário Escolar António Celestino. Mas, infelizmente, o concurso foi cancelado, devido às circunstâncias em que todos estamos a viver. Fiquei triste, é óbvio! Dediquei algum tempo a escrever o texto e gostava muito de o poder partilhar …
O título é “Um Planeta muito Estranho…” e retrata de uma forma simples o nosso modo de vida e como a nossa Sociedade se comportava, antes de tudo isto… Estranha coincidência!?! Pois… Nunca imaginaria que isto pudesse acontecer…
De repente, ficamos privados de tantas coisas que faziam parte do nosso dia a dia, tivemos de mudar o nosso modo de vida e dar mais valor ao que realmente é importante! A nossa vida, a nossa família, os nossos amigos, a nossa segurança…
O que, curiosamente, é a mensagem do meu texto! Por isso, espero que o leiam, que reflitam e pensem no que realmente é importante…


Um planeta muito estranho…
Bem-Disposto era um extraterrestre que vivia no planeta Felicidade, numa galáxia não muito distante da tão famosa Via Láctea. No seu planeta eram todos muito felizes e Bem-Disposto não era exceção. Andava sempre muito alegre e adorava o local onde vivia.
Mas, da mesma forma que era muito alegre, também era excessivamente curioso e aventureiro.
Certo dia, e há não muito tempo, a curiosidade de conhecer outros planetas tomou conta dele. Tirou a licença de piloto de naves espaciais com distinção e aventurou-se nas suas descobertas…
Viajou muito, conheceu muitos lugares distantes, mas nenhum o cativou… A conclusão a que sempre chegava é que a nossa casa é sempre a nossa casa… E a dele era realmente fantástica!
Mas, nem tudo lhe correu bem… Numa das suas viagens a sua nave avariou e teve de aterrar num planeta, não muito distante do seu, chamado planeta Terra. Passou por lá uma grande temporada e não gostou nada do que viu… Era um planeta muito estranho!
Ao contrário do seu, esse planeta era habitado por criaturas que se diziam civilizadas, mas que se comportavam de forma muito esquisita…
Andavam sempre cabisbaixos, tristes e stressados. Eram completamente obcecados pelos seus empregos e trabalhavam praticamente todos os dias! E mais esquisito de tudo, é que dependiam de um aparelhinho que carregavam nas mãos o tempo todo. Às vezes utilizavam-no para falar uns com os outros, outras para registar tudo o que faziam fotograficamente e a maior parte para dedilhar freneticamente na sua tela luminosa. Bem-Disposto não entendeu exatamente para que serviam aqueles aparelhos. Mas, pareceu-lhe fazerem parte de uma espécie de ritual, pois enquanto os utilizavam ficam como que hipnotizados, não dando atenção a nada, nem a ninguém. 
Depois, viviam em constante disputa para serem melhores uns que os outros. Para isso, utilizavam qualquer meio, cujo objetivo principal, quase sempre, era juntar uma coisa a que chamavam dinheiro. Alguns possuíam em demasia, enquanto outros só em quantidade reduzida e até existiam muitos que nem possuíam algum. Esse tal dinheiro servia para ser trocado por outras coisas, inclusive por aquilo que utilizavam como alimento. Por isso, Bem-Disposto viu alguns habitantes desse planeta demasiadamente largos, arredondados e outros que eram tão finos que quase se podia ver a sua estrutura interna.
A governação do planeta era feita por líderes muito caricatos. Um dos principais, e que mais admirou Bem-Disposto, era uma criatura alta e loira, com um ar de alucinado, que é difícil de descrever. Governava um dos maiores países daquele planeta e ditava as principais regras. Tinha ar de quem queria dominar tudo e todos! Provocava guerras e conflitos, onde lutavam e se matavam uns aos outros … Causando muito sofrimento e devastação, tudo isso, quase sempre, motivado por aquela coisa a que chamavam dinheiro!
E como cuidavam do planeta deles? Era uma coisa indescritível… Provocavam incêndios que destruíam as lindas paisagens que tinham; arruinavam as grandes florestas que existiam, cortando árvores desalmadamente, acabando com a maior parte dos habitats dos outros seres vivos; poluíam os rios, os oceanos e tudo o que os rodeava; gastavam desmesuradamente os escassos recursos naturais que tinham… Enfim, era um verdadeiro atentado que Bem-Disposto jamais imaginaria que pudesse acontecer!
Mas, o pior de tudo, eram aquelas pobres crianças! Bem-Disposto, nem conseguia acreditar… Tinham uma vida muito complicada! Levantavam-se, logo pela manhã, muito cedo, saíam de casa a correr, com os pais stressados para cumprir os seus horários e eram rapidamente “depositadas” num local a que chamavam escola. Local esse, onde deviam gostar de estar, de conviver e de aprender.
Mas não!? A maioria ia contrariada e não gostava de lá estar. E por isso, aquele local era o espelho daquela Sociedade! As crianças, a quem chamavam alunos, andavam sempre em guerras e confusões umas com as outras, e achavam piada em arranjar conflitos. Existiam também os professores, que eram adultos que deveriam ser acarinhados e respeitados, mas ao contrário do que deveria acontecer, não só não eram respeitados, como eram muitas vezes agredidos, verbal e fisicamente. Bem-Disposto viu professores contra alunos, alunos contra professores e alunos contra alunos.
E os professores, desgraçados… Eram seres desanimados e assombrados pelo trabalho burocrático, que mal tinham tempo para si próprios. Tinham muito mais de vinte alunos numa pequena sala, amontoados em pequenas mesas, em grandes algazarras, sem interesse nenhum em escutar o que o professor lhes queria ensinar. Ser professor naquele planeta era considerada uma profissão de risco e em extinção!
A educação daquelas crianças desvanecia a cada dia, o respeito pelos outros perdia-se cada vez mais e a falta de valores era enorme…
No pouco tempo livre que tinham, aquelas crianças não brincavam com os amigos na rua como Bem-Disposto. Tinham amigos virtuais! Sim, amigos que estavam dentro daquele aparelho, que Bem-Disposto achava muito estranho!? Passavam o tempo todo agarrados àquela coisa… Jogavam jogos violentos, com tiros, guerras e lutas e achavam aquilo extraordinário e extremamente divertido!
Bem-Disposto ficou muito triste com tudo o que tinha visto… Mas que criaturas eram aquelas? Não percebiam que se estavam a destruir a elas próprios e ao planeta que era delas!
Aquelas criaturas estavam completamente confusas e desorientadas... Precisavam de acalmar, de descomplicar a vida e de usufruir do direito à felicidade que deveriam ter… 
Precisavam urgentemente de ajuda! E, apesar de parecer tarefa impossível, Bem-Disposto prometeu a si mesmo que os iria ajudar…
 
 Manuel Feliz / Pedro Pereira (6.ºB)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

aepl.estetempo 2.abril.2020



02/04/2020

Estou há 20 dias em quarentena. Estes dias que tenho passado em casa permitiram-me refletir sobre o quão incerta é a vida e, hoje, especialmente, penso naquilo que mais tenho sentido falta. Tenho saudades daquilo que sempre tomei como garantido. Em primeiro lugar, tenho saudades da minha liberdade, de poder ir à praia, caminhar ou simplesmente poder ir à escola. Em segundo lugar, tenho saudades dos afetos que o corona vírus nos está a impedir de trocar com quem mais amamos.
A vida é assim... Improvável!
Estou certa que vamos todos sair disto muito diferentes e que a nossa vida nunca será igual, mas isto não significa, necessariamente, que seremos pessoas piores. “ Há males que vêm por bem” e, por isso, penso que depois desta tempestade vamos voltar a dar valor aos verdadeiros prazeres que a vida nos pode conceder enquanto passamos por uma metamorfose a nível pessoal e interpessoal no que se refere ao nosso íntimo e aquilo que somos.
Costuma dizer-se que a mudança está em nós e nunca essa frase fez tanto sentido. Cada um de nós tem de fazer a sua parte, temos de ficar em casa pra evitar a propagação do vírus e, especialmente, agradecer e valorizar o esforço dos profissionais de saúde que trabalham todos os dias longe dos seus, para nós e por nós. 
Mais que nunca a humanidade tem de estar unida. Não é uma guerra que se ganhe com armas nem soldados e não há um vencedor. Este inimigo invisível combate-se com compaixão e empatia com o próximo e quando vencermos, venceremos todos. Vamos todos ficar bem.

Joana Marques (12.ºB)



Querido diário,
Embora o coronavírus continue a dominar, ainda não me conseguiu aprisionar de pânico, como está a acontecer com algumas pessoas.
Hoje foi um dia solarengo muito tranquilo e cheio de energias positivas. Sabe tão bem saber que para já os amigos e familiares estão bem, sair ao terraço e receber os quentes e ternurentos raios de sol primaveris, com temperaturas maravilhosas e convidativas.
Soube bastante bem praticar exercício físico para manter a forma e respirar ar puro. Foi ainda mais hilariante porque passei por um recinto que tem meia dúzia de vacas e elas ficaram a olhar para mim, como se me admirassem ou quisessem vir correr comigo.
Além disto tudo, hoje também pulei de alegria porque as avaliações do segundo período foram publicadas e fiquei profunda e orgulhosamente feliz e em êxtase. Tenho-me esforçado muito e valeu a pena, foi uma enorme recompensa. Estou imensamente grata.
P.S. Tenho-me surpreendido comigo mesma por estar a adorar ler um livro. Ainda por cima Os Maias que, volumosamente, parecem uma Bíblia. Acho que a quarentena está a fazer-me apreciar coisas novas, diferentes. 

Marina Peixoto (11ºD)




Quinta-feira, 2 de abril de 2020
Querido diário,

Estamos, hoje, no décimo oitavo dia de quarentena e, nestes últimos dias, a existência de meios de comunicação tem sido uma grande ajuda. Resolvi, portanto, falar-te sobre os meios de comunicação.
Os meios de comunicação à distância têm sido cada vez mais utilizados, principalmente, pelas últimas gerações. Apesar disso, considero que a sua utilização deva ser moderada, pois desprezar a comunicação cara-a-cara não é, de todo, correto. Como tal, a meu ver, o problema dos meios de comunicação não está nos meios de comunicação em si, mas antes na sociedade, que não controla a forma como os utiliza.
Ainda assim, como é óbvio, este não é o melhor momento para evitar a comunicação à distância pois, caso contrário, todos nós entraríamos num enorme distanciamento de quem mais amamos (e, possivelmente, numa depressão). É, apenas, necessário que os meios de comunicação à distância (como as redes sociais) não nos tornem em pessoas sedentárias e incapazes de realizar atividades necessárias para a convivência em sociedade.

Maria João Fontão (11ºC)




Dia 20 da quarentena, 02/04/2020 

Para os alunos de ciências, história deixou de estar disponível no horário escolar. No entanto, existem maneiras de termos acesso a informações do nosso passado. Através de vídeos, documentários ou até mesmo museus online, podemos voltar no tempo e estudar as nossas origens. 
Durante uma visita a alguns museus online, comecei a pensar na importância que a história tem para nós e na maneira como a interpretamos. 
Quando era mais novo, ouvia os meus professores de HGP a dizer que numa certa batalha lutaram muitos soldados, morreram outros milhares e muitas cidades foram destruídas. Mas o que são realmente estes dados? 
Como já te disse antes, estou a ver Vikings, uma série sobre a vida de Ragnar Lothbrok, um grande líder nórdico que se destaca pela sua curiosidade nos costumes de outras culturas e pelas suas ambições. Muitos dos episódios são verdadeiros massacres, morrem guerreiros aos montes num mar de violência que só acaba quando um dos lados se dá por vencido. Neste mar de violência, vejo-me de repente a pensar na maneira como nas aulas de história, simplesmente dizemos e ouvimos quantos morreram e o que se sucedeu seguindo logo para o próximo tema.  
Não te sei dizer se isto está errado, mas também não me parece certo... apesar de não concordar com muitas das coisas que aconteciam no passado, foram essas mesmas que me trouxeram até onde estou hoje. Se hoje posso viver pacificamente e sem medo, é por estas pessoas que fizeram história. Por isso, ouvir apenas um número não é para mim estudar história, se queremos realmente saber sobre o nosso passado, devemos ser todos um pouco como Ragnar e procurar a fundo, não apenas por números, mas por tradições, crenças, o que movia certos povos, e por fim, tentar perceber o quanto isso influenciou no presente.

Pedro Carvalho (11ºC)



Este tempo… dia 20
2.abril.2020

Não. Não podes aproximar-te. Não podes dar um beijo. Não podes dar um abraço. Não. Não. Não. Chega de nãos, não? Ou melhor, o que é que este não me permite? Hoje, aproximei-me. Hoje, abracei. Passei o dia a cozinhar. Muitas refeições. E, há pouco, fui entregá-las. Em cada pedacinho do que entreguei, à distância devida, foi o meu toque. Foi o meu abraço. Fui eu. E recebi mil vezes mais abraços e toques do que aqueles que entreguei. Sobre uma rua estreita, há toda uma imensidão de céu azul…

Margarida Corsino da Silva


quarta-feira, 1 de abril de 2020

aepl.estetempo 1.abril.2020


01/04/2020
Querido Diário,
Não queria escrever, mas precisava desabafar, e então cá estou eu… Por que razão é que sempre que penso que o ano vai me correr bem, acontece algo?...
Hoje, estaria noutro país, com os meus amigos a aproveitar um momento que provavelmente não teria como aproveitar uma vez mais na vida, mas cá estou eu em casa, sentada a estudar ou pelo menos a tentar.
Com isto tudo ando ansiosa com os exames, será que vão ser adiados? E para quando? Vou perder as minhas férias por isto? Já pensava que provavelmente seria um dos meus últimos anos a passar o verão com amigos na praia, a passar tempo com eles e que seria um dos meus últimos anos a estudar naquelas salas, a almoçar na cantina, a estudar na biblioteca… ainda nem me tinha caído a ficha sobre isso… e agora provavelmente já não vou sentir isso… já não vou saber como é estar no último dia de escola, como é ter aquele sentimento de que posso finalmente apagar todo que tem a ver com a escola do meu telemóvel e libertar espaço…
A parte boa é que tenho conversado com vários amigos e à noite sempre pela mesma hora, fazemos videochamada e conversamos e jogamos juntos… não é a mesma coisa, mas fazemos de conta que é, porque acreditamos que é só por um tempo.
Hoje, o meu avô faz anos, pensava eu que não iria poder vê-lo por estar noutro país, mas estou a pouca distância e mesmo assim não posso ir ter com ele e fazer a mesma piada que faço, só para o ver sorrir: “O avô faz anos hoje? Oh, não faz nada, está a mentir, olhe que eu sei muito bem que hoje é o dia das mentiras!” Não posso ir ter com ele e brincar com ele a vê-lo a ficar cansado de me ouvir e de me aturar.
Contudo, eu sei que vai ficar tudo bem, e logo vou poder ver os meus avós e o resto da minha família e rirmos desta situação…
Até amanhã.

Juliana Alves (12.ºA)



Querido diário,
Hoje iniciamos um novo mês, abril. E como é dia 1, celebra-se o Dia das Mentiras. Nunca tive grande interesse em brincar com isso, mas, às vezes, também pregava as minhas partidas.
Contudo, o coronavírus não permite que este dia, pelo menos para mim, seja divertido. Parece que nos prende numa bola de espelhos em que apenas é refletido todo este tema; o vírus, as medidas de contenção, as consequências, o número de pessoas infetadas, o número de mortos, o futuro de crise que nos espera… e então não deixa muito espaço para coisas mais alegres, divertidas, excêntricas, “normais”.
O governo falou que está a planear aulas pela televisão, sem esquecer as restantes plataformas digitais, e que, no melhor dos cenários, as escolas poderão abrir no início de maio, mas nada é garantido e eu penso que poderá não acontecer visto que preveem que o pico da pandemia em Portugal seja no fim desse mês. Eu estou um pouco preocupada com todo o sistema, a sua eficácia, as aulas, a matéria, a produtividade que os alunos terão e os exames nacionais, importantes para a nossa aprovação e depois ingresso na universidade.
Todos os dias, em Portugal, o número de pessoas com COVID-19 aumenta e hoje atingimos os 8251 casos e os 187 mortos, infelizmente. Considero que é imprescindível que todos mantenhamos a calma e tentamos cumprir o isolamento para que juntos ultrapassemos isto.
Que sejamos “um por todos e todos por um”!

Marina Peixoto (11ºD)



Quarta-feira, 1 de abril de 2020
Querido diário,
Estamos, hoje, no décimo sétimo dia de quarentena e, tal como ontem, senti-me um pouco desmotivada para estudar – este é o tema de hoje: a motivação nos nossos ambientes de trabalho.
Apesar de estar, neste momento, de férias (que, considerando a situação, são tudo menos férias), tenho tentado manter o meu ritmo e ir estudando, diariamente, até porque este é um ano de exames, porém, a motivação não tem sido muita.
Acho que, no geral (e generalizo a partir das pessoas que conheço), todos nós temos bastante menos produtividade quando estamos em casa – num ambiente aconchegante como o nosso lar, parece que tudo nos chama a atenção, menos aquilo que deveríamos estar a fazer. Quando temos alguma tarefa importante a realizar, resolvemos sempre ocupar o nosso tempo com coisas que poderíamos perfeitamente fazer nas horas de tédio – e, pior ainda, nas horas de tédio, não fazemos nenhuma dessas tarefas.
Este período de isolamento tem provado precisamente isso – tem sido muito difícil manter exatamente a nossa rotina “normal” nestes últimos dias. E este é um dos principais pontos positivos da quarentena – por muito que te possa parecer contraditório, não o é: esta é a melhor altura para desenvolvermos a nossa motivação e capacidade de estabelecermos uma rotina que não seja “forçada” (por exemplo, pelos horários de trabalho ou da escola). Portanto, podemos retirar algo de útil desta situação menos boa…

Maria João Fontão (11ºC)



Dia 19 da quarentena, 01/04/2020 

Hoje seria o dia das mentiras. Seria impossível escapar a uma partida de algum dos meus colegas. 
Dediquei o meu dia um pouco ao lazer e um pouco ao estudo. 
No final da tarde, assisti ao filme “Os Maias”. Confesso que me perdi um bocado visto que muitos personagens ainda eram por mim desconhecidos. 
Agora estou a escrever à pressa porque já se faz noite e ainda tenho que te finalizar. 
Até à próxima. 

Pedro Carvalho (11ºC)




Póvoa de Lanhoso, 1 de abril de 2020

Querido diário,

Tenho-me obrigado a acordar cedo porque trabalhar em casa exige esse esforço da nossa parte. Não me quero dispersar nem pensar que os exames poderão ser adiados para setembro pois isso faria com que eu facilitasse e, consequentemente, não estudasse nestas férias. 
Apesar do esforço que faço, parece que as horas de estudo não rendem por estar tão saturada de estar em casa. Tenho tanto para fazer, tanto para estudar, mas aquilo que eu queria mesmo era poder ir dar um passeio, poder ter um dia normal passado na escola, qualquer coisa fora de casa.
Nem quero imaginar se o terceiro período tiver de ser "online". Será mesmo muito difícil e tenho medo de não conseguir acompanhar. 
Nestes dias difíceis o medo é algo constante. Tento manter-me sã, distrair-me com coisas boas, aproveitar o tempo com a minha família. O que me assusta, não é o vírus em si mas sim, aquilo que ele me tem tirado e pode vir a tirar. 
Bem, acho que já chega de pessimismo por hoje! "Tudo vai ficar bem!"


Beijinho,
Mónica Silva (12.°B)




01/04/2020
Um desabafo…
Receava este dia porque sabia que, mais tarde ou mais cedo, ia acabar por acontecer, sonhei vezes sem conta de como seria, de como reagiria e os meus sonhos e a realidade foram por rumos totalmente diferentes. As circunstâncias no meu pesadelo eram muito mais favoráveis à despedida, ninguém se preocupou a que distância tinha que estar de quem quer que fosse, houve sim a preocupação de reconfortar quem cá ficou. Hoje, as circunstâncias foram terríveis... Não houve um reconhecimento em condições por quem trabalhou a vida toda, houve sim o reconhecimento que tínhamos de estar a x distância uns dos outros, não houve uma despedida pessoal em condições como no sonho que tive, há apenas neste momento algo que me entala, que me incomoda e não me deixa continuar. Talvez ainda seja cedo para o fazer, ainda me estava a tentar levantar de uma rasteira pregada pela vida e mal me decido pôr a pé, a vida fez-me tropeçar outra vez.
Talvez toda esta situação do vírus seja um abrir de olhos para a humanidade. Se calhar já estamos tão habituados aos telemóveis touch que nos esquecemos do quão é importante tocar alguém de verdade, do quanto isso nos faz falta. Este vírus proibiu-me do último toque, porque tive medo, medo de contagiar alguém mais frágil que eu, então evitei. Evitei para zelar pela segurança de quem me é querido, porque no fundo, é disso que este vírus se trata, do próximo.
É com as dificuldades da vida que aprendemos, que crescemos. Acho que quando ficar tudo bem, todos nós vamos deixar de estar numa mesa de café agarrados ao telemóvel e vamos rir mais, conviver mais, porque é isso que realmente importa. Geralmente, não damos valor ao que nos acostumamos a ter por perto diariamente e não percebemos a importância das coisas até ficarmos sem elas, é mais um dos defeitos do ser humano. Espero que quando tudo passar, voltemos a um novo normal, a uma sociedade melhor que faça pelo outro e não só por si e que, essencialmente, saiba dar o devido valor a tudo o que o rodeia.

Inês Fernandes (12.ºA)



Este tempo… dia 19
1.Abril.2020

Porquê isto? Porquê a mim? Porquê o que quer que seja? Posso passar este tempo a fazer estas perguntas, enfiada e fechada num canto qualquer de mim mesma. Ou posso viver este tempo em liberdade, não ficando escrava das circunstâncias. Vivendo bem o que me é dado viver. Sabendo que a minha vida não se reduz ao sofrimento – seja ele qual for. Aprendendo que a liberdade não é fazer o que quero, mas aprender a querer aquilo que faço.
Será importante não me esquecer de viver e de aproveitar a vida em tudo isto. Tudo o que acontece, cada segundo que me é dado é único e uma dádiva preciosa. E nada há que o coronavírus possa fazer para mudar isso.

Margarida Corsino da Silva


terça-feira, 31 de março de 2020

aepl.estetempo 31.março.2020



Terça-feira, 31 de março de 2020

Querido diário,
Estamos, hoje, no décimo sexto dia de quarentena e resolvi escrever-te sobre o que se tem vivido nestes últimos dias do mês, que terminou da pior forma possível.
O tempo tem estado chuvoso e muito frio e o dia de hoje não escapou à regra. O vento assobia violentamente e, em alguns locais, até nevou. Parece que tudo se combina para que os dias fiquem cada vez mais melancólicos e as ruas cada vez mais vazias. Pessoalmente, não sinto essa melancolia como muitas pessoas dizem sentir – não gosto da ideia de estar constantemente fechada em casa, sem poder contactar fisicamente com ninguém, mas já encaro esta rotina como normal e tento adaptar-me ao máximo a ela.
As ruas estão, de facto, muito silenciosas - já não se ouvem os gritos e risos das crianças lá fora, nem as conversas das pessoas que passam pela minha rua. Ouvem-se apenas os automóveis a passar e, ocasionalmente, um carro com altifalantes, que “pedem” às pessoas para se manterem em casa, protegidas. E não são só os altifalantes desse carro que o fazem: em todas as redes sociais, há anúncios que nos pedem para que fiquemos em casa, havendo, ainda, os avisos da comunicação social ou da Direção Geral de Saúde, por exemplo. Nas últimas 24 horas, registaram-se mais 1 015 infetados e 20 mortos, por isso, estes números justificam os alertas que nos são constantemente feitos.
Todos nós queremos voltar aos hábitos da nossa rotina que, até aqui, desvalorizávamos. Eu mantenho-me na esperança de que tudo voltará a ser como antes.

Maria João Fontão (11ºC)




Dia 18 da quarentena, 31/03/2020 

No início, ter um diário pareceu-me uma boa ideia por estarmos numa situação que não tínhamos nunca antes vivido. 
Hoje, continuo a achar que é uma atividade interessante, mas não só pela singularidade dos eventos, mas também porque me faz refletir e ajuda-me a exprimir o que estou a sentir. 
Por vezes, sinto dificuldade em pôr por palavras aquilo que estou a pensar embora os pensamentos sejam eles próprios palavras. 
Vejo-me, muitas vezes, a pensar em algo que gostaria de simplesmente esquecer ou ultrapassar, mas, infelizmente, parece que me persegue. Não importa o quão rápido eu tente correr, nunca chego à meta antes de ser parado por esta ideia que tanto me faz sentir feliz como destroçado. Desculpa teres de me ouvir a deprimir, mas por vezes é mesmo o que tenho para te dar. 
Espero que amanhã tenha menos nuvens a pairar pela minha cabeça. 
Até lá. 

Pedro Carvalho (11ºC)



31 março 2020

Querido diário,

É a primeira semana de férias da Páscoa. Se não fosse pela quarentena, por esta altura, já estaria a passear por Lisboa com a minha irmã a aproveitar este tempo de interrupção letiva. Infelizmente, a epidemia veio atrapalhar os planos de toda a gente e nós só temos de esperar que as coisas melhorem.
Tenho aproveitado as minhas férias a descansar bastante e a fazer atividades em família. Cá por casa, temos estado um pouco preocupados com a minha madrinha, pois um elemento da sua equipa no hospital de Braga foi diagnosticado com COVID-19. Por este motivo, tem de ficar em isolamento profilático até chegar o resultado do seu teste. Estamos diariamente em contacto com ela através de vídeo chamadas para lhe dar apoio. Sinto uma grande revolta com esta situação uma vez que algumas profissões lutam para que tudo corra bem enquanto outras pessoas continuam com a sua vida normal, como temos assistido nos noticiários.
Bem, por hoje é tudo…

Matilde Carvalho (11ºC)




31/03/2020

Querido diário,

É a minha primeira vez a escrever-te assim publicamente embora já faça tempo que escrevo num. Já se passam muitos dias de quarentena (perdi-me na conta de dias), mas há sempre algo de diferente/novo a cada dia que passa. Acabei por descobrir paixões e certas coisas que me vi a gostar mais do que pensei, como observar as estrelas no meu jardim enquanto ouço música, ou até mesmo ler sob a “luz” lunar. Hoje comecei por acordar tarde e não tinha muita vontade de fazer nada, mas, mesmo assim, fui comer e ler um pouco. Vi que o dia ia ser frio e nublado o que não ajuda muito para melhorar o ânimo. Dei um jeito à casa e fui-me entreter no telemóvel vendo algumas notícias sobre o coronavírus, navegar na internet e ouvir algumas músicas, pois descobri que são a minha fonte de relaxamento. À tarde não fiz grande coisa, fui para o computador assistir alguns vídeos e preparei-me para o meu treino diário. É neste tempo onde eu penso, reflito sobre o que se passa no mundo, comigo e com os meus pensamentos e problemas, deparo-me a fazer a mesma pergunta de todos os dias, “Porquê?”, e nunca consigo obter a minha resposta. Penso, penso e penso e nunca chego a uma sólida conclusão. A minha pergunta é bastante abrangente, para mim, não sendo só um problema e sim vários. Cada acontecimento acontece por uma razão e é esse o meu enigma todos os dias (Porquê?) de algumas coisas acontecerem. Agora à noite, enquanto te escrevo, estou a ouvir e a ver um dos filmes da minha saga favorita. É tudo por hoje....

Carolina Nogueira (10ºA)



Este tempo… dia 18
31.março.2020

Hoje, começaram a chegar vários pedidos. Fazer o almoço para uma família na qual todos estão doentes. Um apoio monetário para aquele Lar. Alguns bens alimentares para outro lado. Distribuir algumas refeições.
Com o avançar do tempo, as coisas tornar-se-ão ainda mais difíceis para muita gente. A cada pedido respondi, com alegria: estou aqui. Vamos lá!

Margarida Corsino da Silva