segunda-feira, 13 de abril de 2020

aepl.estetempo 13.abril.2020


Querido diário,

Estes dois últimos dias não te escrevi porque foram, no sábado, os preparativos para ontem, o dia de Páscoa, que quis aproveitar ao máximo. Ontem foi o dia da Ressurreição de Cristo que vivi de forma muito diferente dos últimos anos. Eu desde pequena que faço parte do compasso pascal e, assim, ando pelas casas da freguesia com a cruz distribuindo paz, amor e alegria. Já mal me lembro de celebrar este dia em casa junto da família, por isso, também foi bom para relembrar aqueles tempos em que isso acontecia, embora só com a minha mãe e irmão.
Hoje é um dia de transição. Digo adeus às férias e recebo vivamente as aulas (digitais). Já estive a preparar tudo. Registei-me em plataformas que os professores vão utilizar connosco, organizei os livros todos, atualizei todas as informações que nos foram enviadas por email.
Há, contudo, uma informação um pouco perturbante que me deixa ansiosa. Embora com todos os esforços possíveis da direção da escola, ainda não foi colocado nenhum professor de economia. Isto significa que desde o dia 27 do mês de fevereiro inclusive que não tenho aulas de Economia. Daqui a pouco faz dois meses e vai-se tornando mais complicado recuperar a matéria por mais esforços que façamos, tendo também em atenção que as aulas digitais acabam por ser menos eficazes. Porém, a minha maior preocupação é o exame nacional que vamos realizar, se tudo correr bem, daqui a três meses aproximadamente. São tudo questões que espero ver resolvidas o mais rápido possível. No entanto, estou grata pelos esforços que todos estão a fazer para que não sejamos prejudicados.
É ainda muito gratificante tudo o que as pessoas, nomeadamente os professores, fazem por nós, pela nossa educação, pela nossa melhor aprendizagem, a forma como se preocupam todos os dias pelo nosso bem estar e estão disponíveis para nos ajudar o melhor que podem neste tempo que não é, nem vai ser, fácil para todos.
Marina Peixoto (11ºD)

Dia 20 (13 de abril de 2020)
Querido diário,                                                                                            
Já se passou 1 mês desde que te comecei a escrever e hoje é o último dia de férias. Amanhã regressamos à rotina, por mais estranha que nos pareça… Começa um novo período, o último deste ano letivo!
Aproveitamos o dia de hoje, no qual costumávamos passear e visitar locais diferentes, para arrumar e reorganizar o escritório, de forma a começarmos uma nova etapa!
Miguel Almeida. (11ºC)


Segunda-feira, 13 de abril de 2020
Querido diário,

Estamos, hoje, no vigésimo nono dia de quarentena e, ultimamente, tenho pensado na forma como o período de isolamento deve estar a afetar as vítimas de violência doméstica.
Agora mais abafado pelas notícias sobre o coronavírus, o tema da violência doméstica tem estado bastante presente nos últimos anos. Isto porque o número de vítimas tende a aumentar todos os anos, o que não é, de certeza, algo bom de se ouvir.
Mas o problema é que, durante o período de isolamento, as famílias são forçadas a passar muito mais tempo juntas. Por isso, se a violência já ocorria no seio familiar, ao acrescentar-se o facto de a família em questão não poder sair de casa, o stress aumenta, o que poderá aumentar a frequência de atos violentos.
Vi algumas notícias que diziam que, quando alguém estivesse a ser alvo de violência, deve deslocar-se à farmácia e pedir pela “Máscara-19”. Achei uma boa iniciativa pois, mesmo no meio de uma fase em que o foco é a pandemia, não nos podemos esquecer dos restantes problemas que ainda afetam a nossa sociedade, como é o da violência doméstica. É importante que nos lembremos sempre dessas pessoas, para que não se sintam desamparadas e desprotegidas.


Maria João Fontão (11ºC)


13/04/2020
Boa noite Diário,

Segunda feira, o início da semana de trabalho e que a maioria das pessoas intitula como “O pior dia da Semana”. A meu ver, segunda-feira é o dia mais importante de toda a semana, uma vez que já tivemos a oportunidade de descansar e é neste dia que estamos sujeitos a uma escolha muito importante, ou podemos passar todo o tempo a lamentar por causa do começo de uma nova semana de trabalho o que não vai adiantar absolutamente nada, ou podemos começar o dia com pensamentos positivos, e com o maior empenho possível, pois só assim é que obteremos o rendimento e eficácia que pretendemos. Esta segunda-feira foi um pouco diferente de todas as outras uma vez que estamos no período pascoal.
 Hoje foi o último dia das férias escolares e por isso, amanhã começará o terceiro período, e confesso que estou um pouco ansioso. Também é segunda-feira de Páscoa, o que nos anos anteriores seria celebrado na minha pequena aldeia, com vários familiares reunidos na minha casa, com muitas especiarias prontas a comer e com uma visita do padre do concelho. Claro que fizemos uma pequena celebração dentro de casa, mas devido ao cenário atual, foi algo totalmente diferentes dos anos anteriores e muito mais limitado e restrito.
 Espero que amanhã tenha a disponibilidade para te contar como tudo correu…

Fábio Rodrigues (11ºC)


13 abril 2020
Querido diário,

Já não escrevo há um tempo porque os dias têm sido muito parecidos. Desde então já passaram as férias, as quais foram sossegadas e reparadoras. O domingo de Páscoa foi um pouco diferente, uma vez que a minha irmã fez anos. Foi um dia agradável, apesar da situação em que nos encontramos.
Amanhã começa o 3º período e como já sabemos, as aulas vão continuar a ser em formato digital. No entanto, está a ser ponderada a hipótese de voltarmos a ter aulas presenciais para as disciplinas de exame. A meu ver, esta medida terá de ser muito bem planeada para minimizar os riscos de contacto entre as pessoas. Estamos constantemente a ser informados das novas alterações relativas ao ano letivo, como por exemplo as datas dos exames. Todas essas mudanças estão a obrigar-nos a uma adaptação a esta nova realidade.
Bem, por hoje é tudo…
Matilde Carvalho (11ºC)


[páginas recuperadas de 12.abril.2020]

domingo, 12 de abril de 2020
Bem, Domingo de Páscoa, o dia que durante toda a minha vida não tem nunca passado em branco, e, hoje, apesar de todas as circunstâncias, não foi esquecido… O único adjetivo que me vem à cabeça é estranho. Sim, estranho. Aquele dia que nunca estava em casa, andava de casa em casa a celebrar. Estranho porque não pude sentir a felicidade de toda a gente lá da aldeia… quando nos contavam as suas extensas histórias pois não tinham com quem falar, e, apesar de a festa ser um só dia, estávamos lá para os ouvir, sem pressas, com lágrimas nos olhos ora a relembrar as famílias ora a tê-la presente em comunhão.
Os foguetes logo de manhã, ao almoço e ao recolher; as sinetas ao longe e as mães, tias e avós a certificar-se que a mesa está perfeita, a família toda em roda dela, as comidas e as bebidas para dar e vender. Pode parecer bastante banal para alguns, mas para mim, é das festas que mais anseio durante o ano… A hospitalidade de todos, não nos deixam sair sem comer!
E cá estou hoje, ao fim do dia, a sentir toda a alegria destas memórias e a ver um pouco turvas já as palavras… A dor de ir à janela e não ouvir a melodia das campainhas que noutro dia qualquer era irritante, mas neste dia era como música. São momentos como estes que nos fazem agradecer pelos momentos outrora vividos, e com esperanças de que brevemente possamos voltar, não ao normal porque nada vai voltar ao mesmo, mas um normal onde sejamos mais atentos e sensíveis a tudo o que nos rodeia.

Marta Ribeiro (12.ºA)


Domingo, 12 de abril de 2020
Querido diário,

Hoje é dia de Páscoa. A azáfama, logo pela manhã, é grande. Preparar a mesa para receber Jesus, composta de tudo o que é doce, é uma tarefa muito agradável. A casa enche-se de flores e de alegria pela vinda dos avós maternos e paternos, dos tios e dos primos. Já se ouve a campainha e a chegada do compasso aproxima-se. Tão bom! O coração bate mais depressa por receber Aquele que por nós deu a vida no mais belo ato de amor de que há memória. Dar a vida por alguém. À chegada, a Cruz de Cristo é entregue ao meu pai que a dá a beijar respeitosamente a toda a família. É um momento único e de reflexão. É um renascer sempre novo. Rezamos e, logo depois, petiscamos as doçuras da mesa, preparadas cuidadosamente no dia anterior. Não pode faltar também o café acabadinho de fazer ou o vinho do Porto para quem apreciar. Mas o tempo urge e a visita pascal deve continuar. Há muitas casas ainda para visitar. Saem apressados para cumprir a missão a que se propuseram, levando Jesus ao coração de cada um de nós. O dia corre animado. O almoço aproxima-se. O cabrito assado perfuma a casa e os sorrisos e as conversas entusiasmadas caracterizam este momento. A tarde é dedicada à brincadeira. Estar com os primos é sempre maravilhoso e o tempo passa tão rapidamente. A noite chega e, depois do jantar, lá vamos nós até aos paços do concelho para, animados, vermos o espetáculo da Queima do Judas. O dia termina da melhor forma, sempre em família. Não há nada mais valioso! Que bom que é estarmos juntos, rirmos juntos, partilharmos estes momentos juntos.
Acordo. Hoje é dia de Páscoa. Levantamo-nos mais tarde do que é habitual. Não há mesa pascal para preparar. Apenas o almoço e esse também não tem horas marcadas. Estamos os cinco. Não se sente a azáfama própria do dia, não se ouve a campainha, não há fogo de artifício. Apenas silêncio e ruas despidas. O cabrito e os doces perfumam a casa, mas a mesa tem lugares vazios. Faltam os avós, os tios, os primos. Faltam esses sorrisos e a alegria da visita de Jesus que a Cruz florida simboliza. Para quebrar esse vazio, construímos nós uma cruz e enfeitamo-la com algumas flores que já brotam nos vasos do nosso terraço. À tarde, falamos com todos. As novas tecnologias permitem-nos estar mais perto. Rimos como se estivéssemos juntos, partilhamos alegrias, choramos, pois tantas são as saudades. Renascemos… o amanhã será sempre melhor e mais nos aproxima dos abraços.

Nuno Cunha (10º A)

Dia 19 (12 de abril de 2020)
Querido diário,                                                                                            
Depois de um sábado dedicado às limpezas e à culinária, chegou o grande dia! O dia em que andaríamos pela aldeia de porta em porta, sentiríamos o aroma das amêndoas e do cabrito e admiraríamos os belos tapetes à entrada das casas.
O som da campainha que acompanhava a cruz, que me transmitia felicidade, foi substituído pelo toque do telemóvel que, neste dia, me permitiu saber se a minha família estava bem e feliz.
Hoje o meu tio fez 50 anos e, por isso, fizemos uma videochamada para lhe cantarmos os parabéns. Durante o dia, joguei jogos de tabuleiro com os meus pais e a minha irmã e, mais tarde, com os meus primos via online, tentando aproximar esta Páscoa a uma livre da pandemia.
No final do dia de Páscoa, costumo participar na Queima do Judas. Um bom evento para terminar este belo dia, com o qual, infelizmente, hoje não pude contar.
Páscoa é dia de renovação dos nossos corações e, mesmo não tendo sido celebrada da forma tradicional, fui capaz de refletir sobre aquilo que quero manter/alterar na minha vida.
Tentámos ao máximo fazer de tudo para sentirmos presente o espírito pascal mas houve uma coisa que não pudemos deixar de sentir falta: a presença de toda a família.
Miguel Almeida. (11ºC)

domingo, 12 de abril de 2020


12 de abril de 2020

Hoje não é um dia qualquer. Não é um dia como todos os outros. Para os cristãos o dia de hoje representa a vitória da vida sobre a morte. Apesar de não o podermos viver como o normal, saibamos vivê-lo com o mesmo espírito de amor, de paz e alegria que sempre o vivemos. Agradeçamos e aceitemos tudo a que somos submetidos no nosso dia a dia, assim como Jesus aceitou a sua cruz e a levou-a até ao fim e, no fim, venceu. Temos de acreditar que também nós depois de todo este sofrimento iremos vencer e viver num mundo melhor.
É difícil estar longe da nossa família, não poder dar aquele abraço caloroso e aconchegante a quem mais amamos, estarmos fechados em casa, mas mais difícil ainda é para quem luta todos os dias por todos nós e que arrisca a sua própria vida… Que o espírito de força e coragem recaia sobre eles e nós saibamos viver um dia de cada vez, sempre com paciência e otimismo. Não desanimemos, e aproveitemos antes para agradecer tudo o que temos. Lembrem-se “Nós amamos mais, tudo o que conquistamos com sofrimento” (Aristóteles). Feliz Páscoa!

Renata Tinoco ( 12.ºB)



Domingo, 12 de abril de 2020
Querido diário,

Estamos, hoje, no vigésimo oitavo dia de quarentena, Domingo de Páscoa. Apesar de esta Páscoa estar a ser bastante diferente, vi várias notícias que falavam sobre manifestações de solidariedade.
Acho importante a forma como a solidariedade tem prevalecido nos últimos tempos, já que, como já te disse, o coronavírus não trouxe consequências apenas ao nível da saúde, mas também a nível económico e, segundo especialistas em Economia, a crise pode durar vários anos. Como tal, muitas pessoas têm-se focado em ajudar outras que têm sofrido com a crise causada pela pandemia, quer oferecendo dinheiro, quer oferecendo alimentos.
Para mim, a solidariedade é a chave para ultrapassarmos tudo isto, com o mínimo de consequências possível: juntos, colocaremos um fim a esta fase que nos tem restringido de tanta coisa.

Maria João Fontão (11ºC)



Este tempo… dia 30
12.Abril.2020 – Domingo da Ressurreição

“Olha! O Inverno já passou e com ele foram-se as chuvas. Já há flores no campo, chegou o tempo das canções; e ouve-se cantar a rola nos nossos campos. Na figueira começam a brotar os figos e as vinhas em flor espalham o seu perfume”. É Domingo de Páscoa! Deus faz novas todas as coisas. E a esperança renasce, desejando correr o risco da consolação (i.e., o risco de me deixar transformar). Brindemos: à Vida!

Margarida Corsino da Silva



[recuperado de 11.abril.2020]
Olá, diário.

Véspera do dia de Páscoa. Ecoam em mim vozes de tempos felizes. A azáfama da minha mãe, nos seus preparativos para o dia, aquele dia em que havia visitas a casa da avó, depois da tia e, finalmente, da visita dos tios e dos primos a nossa casa. Era um verdadeiro rodopio e a mãe agitava-se sempre, impelida pelo compasso da Cruz, na casa dos familiares e por fim na nossa.
Como mudam os tempos! Daí passei para a vivência deste dia já com a minha própria família constituída. Aos tios e primos somei os sogros, os cunhados, os sobrinhos. A minha mãe continuava a controlar a hora, para não nos atrasarmos nas visitas… Havia sempre tanta gente no dia de Páscoa de outros dias.
Amanhã será, de novo, o dia. A mãe já cá não está. Alguns dos tios também não. O dia foi ficando diferente, fazia sempre lembrar ausências e outros tempos. Mas tinha sempre tanta gente reunida e outra tanta na saudade.
Amanhã não será assim. Cada um no seu canto, enclausurado num tempo cinzento e mais solitário. Mais triste? Não!
Continuamos juntos, agora guardados em memórias do coração.
Continuamos juntos e a celebrar o milagre da Ressurreição.
Guardamos todas as memórias e os ensinamentos do sacrifício, do amor e do renascer, sempre que há AMOR, nos nossos dias.

Rosa Martins

sábado, 11 de abril de 2020

aepl.estetempo 11.abril.2020



11 de abril de 2020

Querido diário,

Poderia dizer que o dia de hoje foi diferente de todos os outros, poderia dizer que foi inovador e que fiz tudo o que gostaria de fazer... Poderia, mas não é esse o caso.
A vida impingiu-nos uma rotina de aborrecimento, stress e ansiedade. Os dias em que vivemos são dias de incerteza... Incerteza da situação do presente e incerteza do que estará por vir.
Não vejo a hora de tudo isto passar... Sinto que não nos dedicamos o suficiente, deixamos os nossos olhos egoístas verem algo que não era a realidade e, por isso, não houve uma perceção rigorosa do que se estava a passar.
Vi portugueses a ir às praias e aos bares, a agirem como se nada estivesse a acontecer e isso foi-me corroendo de dentro para fora. Como é possível tanto descuido? Como é possível pôr a vida de outros em risco? Milhares de seres humanos estão a morrer por dia, corpos são empilhados como se fossem lixo, pessoas estão a sofrer realmente com esta situação e pergunto-me: como é possível?
Todos os dias os profissionais de saúde lutam para nos ajudar com a esperança de, no fim do dia, receberem notícias daqueles que amam. Médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde e outros não são robôs. Para além de serem igualmente vulneráveis, eles possuem sentimentos, sentimentos esses que, por vezes, são postos de parte para nos ajudar a todos nós.
Termino com poesia, um pequeno excerto do poema “A Vida”, de Nuno Júdice
[…]
a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; […]
Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"

Vou à procura das emoções…
Até amanhã.

Bárbara Fernandes (12.ºB)




Sábado, 11 de abril de 2020
Querido diário,

Estamos, hoje, no vigésimo sétimo dia de quarentena e vi, há alguns dias, uma notícia de uma senhora de 90 anos, chamada Suzanne Hoylaerts, que faleceu, vítima do coronavírus. Mas esta senhora faleceu de forma heróica: abdicou do seu ventilador, pedindo para que esse fosse utilizado nos mais jovens.
Suzanne Hoylaerts começou a manifestar sintomas de Covid-19 e foi hospitalizada. Os testes deram positivo e a sua situação começou a piorar bastante. A senhora precisava de um ventilador para que pudesse sobreviver, porém, pediu aos médicos que o guardassem para os mais jovens, afirmando que a sua vida já tinha sido bela. Suzanne acabou por falecer, dois dias depois de ter sido internada.
Mesmo no meio de uma pandemia devastadora, atitudes destas são uma fonte de esperança. E não me refiro exclusivamente à esperança de que tudo vai passar: há, ainda, esperança de que a nossa sociedade não está condenada a atitudes fúteis e egoístas.

Maria João Fontão (11ºC)



Este tempo… dia 29
11.Abril.2020 – Sábado Santo

Vivi o dia em silêncio. Num silêncio que é prenúncio de um grito de alegria. E, de repente, ele aí está: um grito, a tantas vozes, rasga a noite. Ele está vivo! E acredito. Porque são palavras e gestos cheios de força e convicção que falam de vidas que enchem as histórias de esperança e devolvem o brilho ao olhar, prometendo Vida. Porque viram que a lógica de Deus vence. Que Deus está (sempre) connosco. Seja qual for a minha circunstância. E, nesta certeza, deixo-me adormecer.

Margarida Corsino da Silva

sexta-feira, 10 de abril de 2020

aepl.estetempo 10.abril.2020




10-04-2020

Querido diário,                                                                                                        

Pandemia mundial. Passaram-se alguns meses desde o seu início e o medo continua a atormentar aqueles que lutam todos os dias para se salvarem e salvarem os outros.
Eu estou em casa há cerca de três semanas, sem ver a minha família, os meus amigos, começo a não ter noção em que dia da semana estou. Todos os dias são iguais. Vejo as notícias e fico desesperada. Há países que não conseguem lidar com a quantidade de mortos que todos os dias crescem mais e mais. Quando acabará este morrer assim tão só? Quando sairemos à rua sem medos? Quando voltaremos à normalidade? Quando teremos “remédio/vacina” para este vírus? Quando…? Quando…?
Não. Não tenho respostas. E, para me apoiar e desabafar, só te tenho a ti. Tu tens estado ao meu lado todos os dias, “ouvindo-me”, e por isso agradeço-te por neste poço de desespero teres sido o meu amparo.
Resta-me esperar que dias melhores aconteçam e tragam de volta o quotidiano a que estávamos habituados.
Oh! mais uma página sem boas notícias, mas com uma esperança enorme que me faz acreditar que será possível concretizar o que todos desejamos.

Tatiana Couto (12.ºB)




Sexta feira santa, 10 de abril de 2020,

Passaram quatro semanas sobre a minha última saída dos portões do meu quintal… Confinada, com os meus filhos, à presença quase constante frente a um computador, a um telemóvel e por vezes à televisão… Porque é através deles que trabalho e que contacto com os meus familiares, amigos, alunos e colegas à distância. A relação com o exterior foi, até aqui, feita pelo meu marido, que como tem de ir trabalhar presencialmente alguns dias por semana acaba por providenciar os bens necessários à nossa sobrevivência.
Considero-me uma privilegiada! Porque tenho dentro dos meus portões, alguns metros de natureza para fazer os meus intervalos e habito numa zona calma, onde posso dar os meus passeios de reflexão…
Passou março, mas as folhas despontaram, as rosas apareceram, os pássaros fazem os seus ninhos! É a inevitabilidade da natureza!
São os ciclos que se renovam numa espiral de harmonia onde se entrecruzam o persistente e o novo! O eterno e o efémero, a morte a e vida, são as dualidades transformadoras!
E a Humanidade? Essa está isolada, apavorada, enclausurada nas teias que ela própria construiu! Numa ânsia de dominar a natureza em seu proveito, distraiu-se e foi ultrapassada…
Uma pandemia! Afinal há muita coisa que nos liga! Somos todos seres humanos, independentemente do lugar ou dos lugares que ocupamos neste planeta! Independentemente da riqueza que conseguimos acumular, independentemente do cargo politico que conseguimos granjear, independentemente da função que desempenhamos no mecanismo social, independentemente do conhecimento que conseguimos construir ou do sistema de crenças que nos faz acreditar, somos todos frágeis...Todos fazemos parte da mesma inevitabilidade transformadora da natureza!
Um vírus! Desta vez real e não virtual… Um ser silencioso! Mas não invisível… Um ser maléfico! Mais para uns que para outros… Um desafio! Sim… e como todos os desafios, com riscos, mas que transporta consigo os elementos do sucesso na sua superação!
Culpas? Sem dúvida que faz parte da essência do Ser Humano, procurar explicar, interpretar para poder compreender! E nessa busca procura as origens, procura os agentes, procura os contextos, mas longe de si… Pois afinal, o conhecimento é considerado mais fiável se conseguirmos garantir as explicações com o maior distanciamento possível! Também aqui, são sempre os outros, porque o eu tem que estar fora da minha opinião…da minha interpretação.
Números… e mais números… enquanto continuar por estes seres abstratos, nós vamos vivendo, as coisas tornam-se bem piores quando cada número assume um rosto de um ente que nos está próximo… ou até o nosso próprio rosto… É nestes casos que passamos a acreditar que fazemos parte da inevitabilidade transformadora da natureza e da própria História!

Paula Dias



Querido diário,

É Sexta-feira Santa e isso quer dizer que se recorda a morte de Jesus. Tenho pena que não se possa celebrar este dia muito especial posterior à caminhada da quaresma, onde pudemos refletir sobre quem somos e compreender como podemos ser melhores (é uma limpeza do coração). Todos os anos, à noite, eu ia à celebração da Via Sacra que se realizava pelas ruas da minha freguesia, com 14 cruzes representativas de cada estação, e assim meditávamos sobre a Paixão de Cristo. 
Hoje foi dia de limpezas e arrumações aqui em casa, todos ajudamos um pouco, e no meio disto voltei a ver o meu velhinho Magalhães. Pois é… ainda tenho o meu primeiro computador oferecido pelo Ministério da Educação. E não é que vai dar jeito. Ele está um pouco lento, mas ainda funciona, e o computador do meu irmão ficou com vírus poucos dias antes de entrarmos em isolamento social e não o pode arranjar. Então hoje ao vê-lo ali arrumado num canto, inutilizado, lembrei-me que ele podia usá-lo enquanto o dele não dá. Quem diria que ainda ia ser necessário.
“Na vida há coisas simples e importantes... Simples como eu e importantes como você...!”

Marina Peixoto (11ºD)



Sexta-feira, 10 de abril de 2020

Querido diário,
Estamos, hoje, no vigésimo sexto dia de quarentena, Sexta-feira Santa.
Estes dias têm mudado várias coisas nas nossas rotinas, até mesmo aquelas às quais mais damos valor e priorizamos e, como tal, a Páscoa não foi exceção.
Em dias “normais”, todos nós estaríamos preocupados com os preparativos para as celebrações Pascais, contudo, estes dias não estão a receber a importância que recebiam nos restantes anos. Agora, todas as atenções caem sobre o avanço da pandemia e, para além disso, passar a Páscoa em família (e, com “família”, quero dizer juntar pessoas de várias casas, digamos assim) não deve, de todo, ser uma opção a considerar.
O importante é que tentemos fazer as coisas à nossa maneira e, mesmo que de uma forma bastante diferente, não estamos impedidos de celebrar a Páscoa. O que realmente importa é a vontade que temos de fazer as coisas, e não as condições a que estamos sujeitos.

Maria João Fontão (11ºC)



Este tempo… dia 28
10.Abril.2020 – 6ª Feira Santa

Hoje é dia de fazer silêncio. Por isso, as palavras custam mais a sair. Será um silêncio fecundo que (pres)sente que a resposta para as dores do mundo, para a morte, para as perguntas desesperadas e para a sede insaciável de vida não pode ser dada por “este mundo”, pois não se pode encontrar nenhuma resposta satisfatória dentro dos seus limites.

Margarida Corsino da Silva



quinta-feira, 9 de abril de 2020

aepl.estetempo 9.abril.2020




09/04/2020

Mais um dia de quarentena se passa, para nós, para todos os portugueses e para praticamente o resto de todo o mundo. O mundo não imaginara há uns séculos que a solução para um dos seus maiores problemas futuros viria a ser: não fazer nada, simplesmente ficar em casa. Aparentemente seria uma solução fácil, pensariam eles, porém, o ser humano é um ser que necessita de respirar, de ter interação social e de caminhar pelo mundo. Deste modo, esta pandemia afeta-nos a todos os níveis, quer a níveis físicos quer a níveis psicológicos – estes são mesmo os piores.
O mundo vive tão obcecado com o ter mais e melhor que acaba por não aproveitar o que realmente tem, a sua vida acaba por ser vivida numa corrida em que o prémio nunca realmente chega. Agora, tivemos uma paragem forçada, infelizmente. No entanto, espero que para muita gente sirva como um período de reflexão, um período para perceber o que realmente fazemos, o que nós queremos e o que devíamos realmente fazer. Mas como sabemos: a humanidade não se move de individualismos mas sim de comunidades. Algumas pessoas pensam, umas agem, mas nada muda.
O esforço das pessoas em regressar à normalidade, de forma generalizada, é bastante visível e, felizmente, temos tido boas notícias, sendo que com isto quero dizer que temos tido uma realidade mais positiva do que a prevista e do que a que é possível observar noutros países. O pensar no final desta pandemia e na normalização das nossas vidas traz-nos a todos esperança e motivação. Acredito que, para nós, os dias mais negros já tenham passado, mas não podemos ficar relaxados quanto a isso, temos que continuar atentos, pois uma pequena distração pode implicar sérios riscos.
A humanidade tem no seu livro mais um registo marcante (ainda não terminado) que espero que sirva como um alerta mundial para nos prepararmos o melhor possível para este tipo de problemas que podem surgir novamente. Mas por agora, mais um dia de quarentena se passa.

   Henrique Cunha (12.ºB)



Quinta-feira, 9 de abril de 2020
Querido diário,

Estamos, hoje, no vigésimo quinto dia de quarentena e vou falar-te sobre a importância de conhecer o nosso passado.
Durante o ensino básico, História foi uma das minhas disciplinas preferidas, porém, já não faz parte das disciplinas que tenho no ensino secundário. Inicialmente, não entendia qual era a necessidade de estudarmos o que aconteceu no passado, afinal, passado é passado, e não há nada que se possa mudar nele. Com o tempo, fui entendendo que, conhecendo o nosso passado, podemos entender as nossas origens (o que nos dá cultura) e identificar erros nas sociedades anteriores à nossa, que possam ser tomados como exemplo.
Por exemplo, crises que ocorreram no passado podem ser estudadas e, depois de se entender as suas causas, pode tentar evitar-se que se repitam. Também as epidemias do passado nos podem dar alguma ajuda no combate às epidemias do presente – o que falhou no combate a outras epidemias pode evitar-se, por exemplo, no combate ao coronavírus.
Todos devemos entender que o passado também já foi o presente e não deve, nunca, ser desvalorizado.

Maria João Fontão (11ºC)




Dia 18 (9 de abril de 2020)
Querido diário,
Hoje foi um dia de decisões, decisões acerca daquilo com que contaremos nos próximos dias…
Os nossos exames mantêm-se, embora em dias diferentes. As aulas continuarão a ser à distância e a possibilidade de voltarmos às presenciais vai depender da evolução da pandemia.
Bem, têm sido, de facto, dias diferentes. Continuarão a ser, mas iremos ultrapassar esta situação para que em setembro os portões das escolas se abram para um novo ano, dentro da normalidade.

Miguel Almeida. (11ºC)


Querido diário,

O governo tomou a decisão. As escolas vão, para já, manter-se fechadas e não haverá aulas presenciais. Enquanto que do 1º ao 9º anos, o 3º período prosseguirá com o ensino à distância, para mim e todos os alunos do 11º e 12º ano não vai ser bem assim.
Estes dois anos são mais complicados para recuperar e para depois aceder à universidade. Deste modo, assim que tudo estiver mais calmo e a evolução da pandemia o permitir, retomaremos as aulas presenciais para as disciplinas a que vamos ter exame, em maio previsivelmente. Quanto aos exames nacionais para o 11º e 12º anos foram adiados.
É óbvio que estou com algum receio, mas pelas informações que li, todos os agrupamentos irão tomar medidas adequadas de distanciamento e higienização e todos iremos utilizar máscara de proteção no interior. Tenho toda a noção que cada um, conscientemente, deve sempre respeitar os restantes e tomar as devidas providências.   

Marina Peixoto (11ºD)



Este tempo… dia 27
9.Abril.2020 – 5ª Feira Santa

Gosto de números. É verdade. Mas as pessoas não são um número. E estatísticas e mais estatísticas reduzem a pessoa a um número. É mais uma. Há pouco, pensava que seria bom se, em vez de dizerem quantas pessoas faleceram, dissessem os seus nomes – talvez até o nome lá de casa. Assim, devagarinho como que a entregar cada uma.

Hoje é 5ª Feira Santa. Seria dia de lavar os pés a outros e, principalmente, de deixar que me lavassem os meus. Com tudo o que esse gesto implica e tem de humildade. Só assim perceberei como se faz este gesto. Como se faz este serviço. É sempre mais fácil chegar-me à frente e lavar os pés. Já deixar que me lavem os meus… Hoje é dia de me sentar à mesa e tentar aprender o que implica verdadeiramente o amor.

Margarida Corsino da Silva



quarta-feira, 8 de abril de 2020

aepl.estetempo 8.abril.2020



08 de abril de 2020
Querido diário,
Queria dizer-te que está tudo bem, e que para a semana vou pegar nas minhas melhores roupas de praia e embarcar para as ilhas phi! Oh!, pego nas minhas melhores roupas, mas é para ir ao supermercado, uma vez que o resto dos dias estou de pijama. Então aprumo-me bastante para uma simples ida às compras de carnes e enlatados!
Também te queria dizer que até às férias, às ilhas, tenho vivido com os meus amigos e cozinhado os melhores churrascos enquanto as raparigas ainda estão na piscina e eles arranjam lenha para fazer as brasas! Porém, no máximo, tudo o que se aproxima deste versão, ao verão prende-se com as cenouras que tenho desenhado para os desafios do instagram, e os jogos de cultura geral inglesa que tenho jogado no houseparty que não têm nada a ver com uma festa numa casa, DE TODO!
E por fim, queria dizer-te que estou pelos cabelos com as aulas e todos os trabalhos que tenho para fazer. Ah, mas eu só quero voltar a ver as caras larocas dos meus professores, e voltar a sentir a má disposição matinal dos meus colegas!
Era feliz antes, e acredito que serei ainda mais depois disto, por perceber que antes era feliz e não dava conta.
Cumprimentos porque não se pode dar beijos!

Nuno Silva (12.ºA)



Quarta-feira, 8 de abril de 2020
Querido diário,
Estamos, hoje, no vigésimo quarto dia de quarentena e vi, ontem, uma notícia que dizia que dois médicos franceses sugeriram a realização de testes das vacinas do coronavírus em África.
Os médicos, ao discutirem num canal francês, afirmavam que seria uma boa ideia testar a vacina BCG no continente africano, uma vez que neste há carência de equipamentos de proteção individual e, como tal, seria mais fácil verificar-se a eficiência da vacina.
Tal como o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, achei esta proposta extremamente racista: porquê testar a vacina especificamente em África e não em qualquer outro continente? A meu ver, a vacina deve ser testada em quem se voluntaria para tal, e não em quem não o escolhe fazer. É imoral a forma como algumas pessoas ainda vêem os países africanos como colónias, bem como os seus habitantes como cobaias para experiências.
Este assunto gerou, como é óbvio, uma grande polémica, e ambos os médicos acabaram por se desculpar. É importante relembrar que, nesta altura, é necessário que haja um maior espírito solidário, evitando-se ao máximo atitudes que se oponham ao mesmo.

Maria João Fontão (11ºC)




Este tempo… dia 26
8.Abril.2020

Como vai ser o 3º período? Esta questão, hoje, foi uma constante. São várias as ideias. E, a mim, parecem-me boas e exequíveis. Enquanto as pensava, percebei que, neste momento, mais que nunca, será cada aluno a ter a maior responsabilidade na forma como quer e vai estar. Será mesmo bom que cada um perceba que é o actor principal do filme que é a sua vida. E que será ele a escrever, a cada dia, o guião...

ps. Recebi o resultado do teste e estava negativo. Fiquei contente, por perceber que, ainda que tivesse sido sem consciência disso, não coloquei os outros em perigo.


Margarida Corsino da Silva




terça-feira, 7 de abril de 2020

aepl.estetempo 7.abril.2020



Terça-feira, 7 de abril de 2020
Querido diário,

Hoje, o dia foi dedicado à organização do escritório. Os três, eu e os meus dois irmãos, arrumamos livros, arquivamos documentos, reorganizamos gavetas… tanto papel! Tanto trabalho! O dia esteve chuvoso e frio, por isso a nossa saída ao terraço foi adiada por mais um dia. Gostamos de jogar futebol, praticar algum exercício físico e jogar ping pong, mas hoje não foi possível. Os pássaros, esses, felizes e alheios à covid-19, cá nos continuam a visitar. Adoram beber a água que verte nos pratos dos vasos, depois da rega que a minha mãe realiza cuidadosamente quando não chove, saltar e penicar pequenas migalhas de bolacha maria que propositadamente lhes deixo ficar sobre o tapete que se encontra à entrada da cozinha. Que felizes parecem estar, em liberdade de corpo e alma.
Ao final da tarde, vesti o meu avental de cozinheiro e fiz panquecas. Adoramos esta sobremesa com mel, geleia de marmelada, compota de morango ou de tomate, gelado e fruta… estavam deliciosas! O dia terminou mais doce...

Nuno Cunha (10º A)


Terça-feira, 7 de abril de 2020
Querido diário,
Estamos, hoje, no vigésimo terceiro dia de quarentena e vou falar-te sobre os profissionais de saúde.
Nos últimos dias, os profissionais de saúde têm sido, e bem, admirados e homenageados, por estarem na linha da frente no combate ao coronavírus. Mas, antes deste surto, considero que as pessoas que desempenham este tipo de profissão não eram devidamente reconhecidas.
Por norma, idolatramos pessoas famosas, relacionadas com o mundo do entretenimento, e acabamos por nos esquecer daqueles que todos os dias lutam para salvar vidas – os profissionais de saúde. E atenção: não estou, de forma alguma, a diminuir as pessoas que nos entretêm, pois esses também são importantes (incluindo nesta altura, dado que nos auxiliam a superar o tédio).
Ultimamente todos reconhecemos a importância que os funcionários do setor da saúde têm nas nossas vidas, mas devê-lo-íamos fazer sempre. Como é óbvio, estas pessoas são indispensáveis para que se ultrapasse esta pandemia e, todos os dias, se submetem à pressão de um sistema de saúde sobrecarregado, sem poder contactar com a família ou, quando o fazem, o medo de a por em risco é maior – portanto, não se trata apenas de um grupo de pessoas que permite exterminar o surto: trata-se de um grupo de heróis. E aí está: os profissionais de saúde não são heróis apenas agora – já o são há muito. Por isso, mais uma vez, devemos sempre lembrar-nos da sua importância e, talvez, esta fase nos permita entender isso.

Maria João Fontão (11ºC)



Dia 17 (7 de abril de 2020)
Querido diário,
Já se passaram 3 semanas desde que te comecei a escrever… as saudades dos amigos e da família são cada vez maiores!
Hoje soube que a filigrana foi nomeada às 7 maravilhas da cultura popular. Uma boa notícia dentro de toda esta situação difícil. É bom saber que esta arte tão praticada na Póvoa de Lanhoso está a ser reconhecida a nível nacional.
Atualmente a ourivesaria nacional portuguesa tem vindo a sofrer falta de incentivos e apoios. Agora, o problema é ainda maior devido ao novo coronavírus uma vez que desde que surgiu tem vindo a prejudicar os mais variados setores industriais. Espero que quando tudo isto regressar ao normal, esta valorização seja um incentivo a todos os trabalhadores para que continuem a dar o seu melhor em prol do nosso concelho.
Miguel Almeida. (11ºC)


Querido diário,

Hoje enquanto corria, para exercitar o corpo e porque adoro muito, apercebi-me que estes 20 minutos do meu dia são calmos. Parece um pouco contraditório, porque correr cansa, mas este é um cansaço físico e a calma é psicológica.
A cada segundo que passa como um foguete, eu dou por mim numa reorganização interna. É quando consigo refletir corretamente sem o som da televisão, o computador, as publicações das redes sociais, o isolamento da casa e todas os objetos que achamos importantes no nosso dia a dia. Todas as células tornam-se essenciais naquele momento e na frescura e pureza da floresta, na ternura e vivacidade do sol, no som relaxante do vento entro num momento só meu, sem preocupações nem stress. É um alívio muito satisfatório.
Acho que nunca me tinha apercebido da beleza do meu corpo. Talvez não seja perfeito, segundo os estereótipos que a sociedade impõe, mas é ele que me mantem viva, que me permite fazer tudo o que quero, que me sustenta e que me deixa disfrutar de todo um conjunto de sensações e sentimentos, bons ou maus.

Marina Peixoto (11ºD)



segunda-feira, 6 de abril de 2020


Depois de uns dias de resistência à escrita de um diário, eis que surgiu a vontade de falar com alguém imaginário que me saiba ouvir e compreender neste tempo estranho que estamos a aprender a viver. Por isso, cá vai a minha primeira página que será certamente um registo para memória futura.

Querido diário,
Hoje é dia seis de abril. Estou em quarentena, juntamente com a minha família, exceto o meu pai que continua a trabalhar, há vinte e quatro dias. Esta semana é de férias da Páscoa. Os dias têm corrido de forma rápida, pois tenho estado sempre ocupado. Primeiramente, com as atividades escolares via online, depois no auxílio às atividades domésticas. Cá em casa há sempre muito que fazer. Somos cinco e, por isso, o trabalho nunca termina.
Estes dias têm sido vividos com saudade. Saudade da presença dos meus avós, saudade de estar com os meus primos, dos piqueniques que realizamos em tempo de férias, das risadas conjuntas e da alegria de estarmos em família, das caminhadas noturnas, dos jogos de futebol, das bancadas aos gritos e aos aplausos, do ar sereno de um passeio de bicicleta, das aulas e da rotina diária… enfim, saudade do passado!

Nuno Cunha (10º A)




Dia 22 da quarentena, 06/04/2020

Faz cerca de 48 horas desde a última vez que escrevi algo. 
Hoje é o primeiro dia de mais uma semana de isolamento. Ultimamente, tenho-me deitado tarde e acordado também tarde, isto deve-se provavelmente à preguiça que me tem dominado nos últimos dias.  
Estou de férias, e muitas vezes penso “preciso de estudar”, penso mais um bocado …. “nahhh, as férias são longas, noutro dia…”. Vejo-me neste tipo de conflito há mais de 5 dias e acho que o vencedor vai ser decidido quando algo tiver mesmo que ser feito. 
Somando isto às atividades do quotidiano, têm sido assim os meus dias, nada de extraordinário que valha a pena escrever nas tuas páginas e é por isso que tenho aparecido aqui menos vezes. 
Até à próxima. 

Pedro Carvalho (11ºC)



06.04.2020
Tudo não passa de uma nuvem negra universal que está a custar a passar… uma tempestade que todos de forma direta ou indireta podemos combater: uns com um papel mais submisso, outros que dão a cara para que diariamente os resultados sejam os melhores possíveis.
Submetem-se às condições de trabalho que lhes são proporcionadas, correm riscos, põem a sua vida pessoal e familiar em segundo plano, rejeitam abraços dos filhos… É uma mistura de sensações que tem de parecer insignificante quando têm pela frente centenas de doentes, quando tudo parece piorar, sem retorno, quando o medo, a angústia e o desespero tomam conta de nós. Todos os médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde têm de ter o poder emocional de desvanecer também esta nuvem negra para que aqueles doentes vejam o céu o mais claro possível, transmitindo-lhes esperança, fé, confiança no seu trabalho para que possam acreditar que vai ficar tudo bem.
Louvo o trabalho e sacrifícios que estes heróis fazem por todos nós dia após dia, é extraordinário ver o empenho, dedicação e coragem com que enfrentam toda esta situação e como conseguem sorrir para os doentes… talvez um sorriso apavorado ou então orgulhoso por mais um dia terem ajudado quem mais precisava e dão a sua missão como cumprida.
Tenho também um respeito enorme pelos voluntários que nesta situação complicada ajudam quem mais precisa, e portanto, o máximo que podemos fazer por eles e por todos os que nos ajudam é ficar em casa. Estes são os nossos heróis!
Não tinha noção do que era saudade de um abraço, beijo, ou carícia, algo que para nós é um hábito e que de repente somos obrigados a abdicar. Talvez quando virmos o fim desta pandemia possamos retirar as devidas conclusões e aprendizagens que nos trouxe. Aprendi a valorizar muito mais gestos tão pequenos e simbólicos que d’antes não fazia ideia que podiam ter tanto impacto em mim enquanto pessoa.
Também esta, por ser uma situação limite, permitiu-nos explorar muito mais os recursos que temos de uma forma nunca antes feita. Se a tecnologia até aqui era importante, então agora… tem assumido um papel crucial nas comunicações à distância, no atendimento de alguns serviços até mesmo de consultas médicas, teletrabalho, e na escola. É uma novidade para nós alunos, mas também para os professores e se este for um trabalho de equipa onde todos cooperem chegaremos a bom porto.
Várias são as plataformas criadas nesta altura com variadíssimos fins, muitas são as novidades que diariamente recebemos e como o futuro que nos espera é cada vez mais incerto temos de olhar para o “ copo meio cheio” e viver um dia de cada vez, em casa! Vai ficar tudo bem!
*No meu texto fiz referência aos profissionais de saúde, sejam eles médicos, enfermeiros, auxiliares; no entanto há todo um conjunto de profissionais que saem à rua todos os dias, para que todos os dias não nos falte nada e possamos ter uma vida o mais próximo do “normal”; também eles são heróis!

Marlene Carvalho (12ºB)



Segunda-feira, 6 de abril de 2020
Querido diário,

Estamos, hoje, no vigésimo terceiro dia de quarentena e, nestes dias, temos sentido bastante a falta da nossa liberdade.
Cada um de nós tem os seus ideais de liberdade mas, a meu ver, ser livre não é ter a opção de fazer tudo o que queremos, mas antes concretizar as nossas vontades tendo sempre noção do impacto que isso pode causar na nossa vida, bem como na do próximo. Portanto, a liberdade tem limites, que devem ser estabelecidos corretamente por nós próprios.
Acho que a maioria das pessoas já se queixou de não ter a liberdade desejada (seja qual for o motivo para tal), porém, durante o período de isolamento, concluí que era bem mais livre do que achava. O surto de coronavírus retirou-nos a liberdade de realizar coisas tão normais, que nem nos dávamos conta da sua importância na nossa vida: ir a um restaurante, à escola, encontrar um amigo, passear em família, etc.
A liberdade que tanto desejamos, para que possamos voltar à nossa vida “normal” só nos será dada se, por uns tempos, nos privarmos dela e ficarmos em casa. E, depois deste pesadelo, penso que todos nós passaremos a valorizar pormenores da nossa rotina, que em conjunto, fazem de nós pessoas livres.

Maria João Fontão (11ºC)



Querido diário,

Há esperança. Os números de novos casos de coronavírus em Portugal têm vindo a ser menos, o que é bom sinal, pois estamos a adiar o pico da pandemia e assim permite uma maior eficácia na ajuda à população, uma ampliação do tempo para se discutirem e prepararem medidas numa possível saturação das unidades de saúde e para que o país adquira material hospitalar, como ventiladores, caso haja uma grande quantidade de pessoas com sintomas graves, por exemplo. Por outro lado, o número de pessoas curadas tem aumentado significativamente.
Contudo, não podemos baixar a guarda, temos que continuar a cumprir as medidas de isolamento e distanciamento social.
Nesta época, com a Páscoa à porta, era comum as pessoas deslocarem-se para a terra natal, irem ver os familiares ou marcarem uma viagem de férias para o exterior. Iam-se comprar as amêndoas, os ovos e os coelhinhos de chocolate para depois oferecer aos netos, aos filhos, aos pais, aos avós, aos primos, aos tios. Porém não pode ser. Temos que ficar em casa e celebrar num circuito mais fechado, mas mais acolhedor.

Assim, as notícias um pouco tranquilizadoras não abalam as nossas responsabilidades e deveres num momento em que as viagens e os ajuntamentos eram normais.

#FiquemEmCasa

Marina Peixoto (11ºD)



Este tempo… dia 24
6.Abril.2020

À hora que escrevo (9.00h) deveria estar a começar a cozinhar na Caritas para preparar almoços para servir a partir das 11.00h, mas… uma tosse seca que por aqui anda desde 6ªf impediu-me de o fazer.  Uma vida só serve se servir – esta frase do Papa Francisco acompanha-me muitas vezes. E, hoje, o meu serviço já não pôde acontecer da forma prevista. Acontecerá de outras maneiras: uma chamada mais demorada às tias, preparar a proposta de hoje para os grupos que acompanho e rezar por tantos. Desta forma, confrontei-me com a minha fragilidade. Foi mais clara a noção de que não controlo tudo. E isso é bom.
Apercebi-me, entretanto, tentando marcar um teste, que, afinal, nem tudo corre às mil maravilhas. Num dos laboratórios, nem estão a aceitar marcações. Noutro, marcaram para 6 de Maio!!! Ri-me quando me disseram a data: até lá, ou morro ou fico curada!

Margarida Corsino da Silva